26 de mai de 2008

Tomas Tranströmer




O poeta, psicólogo e tradutor Tomas Tranströmer, nascido na Suécia em 1931, estreou na poesia aos 23 anos, com Seventeen Poems, de 1954.

Em 1990, ele sofreu um derrame cerebral que paralizou o lado direito de seu corpo, afetando sua fala. Mas Tranströmer continuou a escrever.

Além de poeta, o suéco também é um talentoso pianista, mas que, com o acidente, passou a tocar o instrumento apenas com a mão esquerda, desenvolvendo toda uma técnica para compor dessa forma.

Dois poemas dele:


Igreja românica (tradução de Marcelo Coelho)


Os turistas se apinharam na penumbra da enorme igreja românica
Arco se abrindo atrás de arco e nenhuma perspectiva.
A chama de algumas velas vacila.
Um anjo –não consegui ver a sua face—me abraçou
e o seu sussurro atravessou todo o meu corpo:
“Não se envergonhe de ser um ser humano, orgulhe-se!
Dentro de você um arco se abre atrás de outro, infinitamente.
Você nunca estará completo, e é assim que tem de ser.”
Lágrimas me cegaram
quando fomos conduzidos até a praça ferozmente ensolarada
junto com Mr. e Mrs. Jones, Herr Tanaka e a Signora Sabatini;
dentro de cada um deles arcos e mais arcos se abriam infinitamente.



Elegy


I open the first door.
It’s a large sunlit room.
A heavy car passes in the streetand makes the porcelain tremble.
I open door number two.
Friends! You drank the darknessand became visible.
Door number three.
A narrow hotel room.Outlook on a back street.
A lamp sparking on the asphalt.Beautiful slag of experiences.




--> Para ouvir e baixar algumas músicas de Tranströmer, clique aqui. Em seu site oficial, é possível ouvir um músico que, diante de uma deficiência - a falta dos movimentos de uma mão para completar acordes no piano -, consegue completar-se com as letras. A música lhe dá o tom da solidão e da loucura e, ao mesmo tempo, exige do poeta a clareza e a simplicidade das palavras.

Um comentário:

Zine Qua Non disse...

Caramba...
Bruno em seu momento Marcelo Coelho!
Sempre obrigada pelas dicas!