25 de set de 2009

Woofer: o anti-Twitter


Prolixos do mundo, uni-vos! Não foi com essa frase, mas deve ter sido algo muito parecido que um funcionário da LLC Company, uma pequena empresa localizada na capital americana, definiu seu novo projeto. Fundada no começo de 2005, a empresa ianque tem o hábito de incentivar seus funcionários a gastarem parte de sua sexta-feira em projetos próprios com o intuito de transformarem a Internet em um lugar mais divertido.
Foi assim que nasceu o Woofer, o primo desconhecido do Twitter. Os dois “primos” apesar de perguntaram “o que você está fazendo agora?”, possuem uma diferença fundamental: enquanto o Twitter oferece, no máximo, 140 caracteres, o Woofer obriga seus usuários escrevem posts com, no mínimo, 1400 caracteres.
E haja texto para tanto espaço! Acostumados a escreverem textos curtos para o Twitter, os brasileiros ainda sofrem para se adaptar a nova mídia. Tanto que o mais comum é uma postagem em torno de 300 caracteres e para atingir a meta mínima ou se repete a postagem por várias e várias vezes ou adicionando uma música qualquer.

Então, Bruno e companhia limitada, não se esqueça, quando você quiser analisar ou escrever algo mais sério e fazer todos os seus seguidores do Twitter saberem é só postar no Woofer (http://woofertime.com/) e linkar no Twitter depois.

Curiosamente, esse texto não poderia ter sido publicado no Woofer, já que possui apenas 1348 toques.

Outra curiosidade é o Squeaker, outro site free da LLC. O sistema também é baseado no Twitter, mas dessa vez você possui somente 14 caracteres para dizer ao mundo o que você está fazendo.

23 de set de 2009

Curiosidades do Androceu

Semana passada o @andreursipedes me apresentou uma maravilha chamada Google Analytics que nada mais é do que um programinha free que faz análises do seu site, como o número de visitantes, tempo gasto, como chegou nele e etc.
Enfim, hoje eu tava olhando os primeiros dados e entre algumas boas surpresas (em torno de 60 visitas únicas por dia) e outras nem tanto, descobri que 105 pessoas já entraram aqui por causa de um texto do Bruno.
"Meu Deus! Que texto deve ser esse", me pergunta o leitor. O mais engraçado nessa história que não é um texto clássico do Bruno, mas sim uma ótima tirada que ele teve em 2008. Segue o link para matar a saudade: http://blogandroceu.blogspot.com/2008/04/oportunidade-de-estgio-sbt.html

Sim! Mais de 100 pessoas já entraram no Androceu (com média de dois minutos e 34 segundos) devido a esse texto. Graças a essa quantidade estamos em primeiro lugar no Google em todos os quesitos estágio + SBT. Pode conferir lá.

Mais uma prova que estamos transformando a Internet do NOSSO jeito.

20 de set de 2009

androceu 2009






ANDROCEU.


FAZENDO A HISTÓRIA
DO NOSSO JEITO.
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crédito foto: Paulinha Cabral Gomes.

18 de set de 2009

14 de set de 2009

Descolados do mundo

Confesso que senti medo hoje, medo do que assistia na TV, tanto medo que precisei correr para o pc e escrever qualquer coisa que fosse, ao som de Slayer, para me sentir seguro da médiocridade. Só para esclarecer, acabo de inventar essa palavra, assim mesmo com acento agudo, ainda que saiba que algum purista chato e o corretor do word vão pegar no meu pé, afinal a moda agora é padronizar e corrigir nosso amado-idolatrado-salve-salve-idioma.
É que pensei nessa palavra por causa da nossa amada-idolatrada-salve-salve-classe-média, mas especificamente a classe média jovem. Através daquele programa de televisão – cuja emissora não citarei o nome mas só posso adiantar que é feita por jovens moderninhos e descolados – tive uma visão apocalíptica do futuro, descobri uma faceta alarmante da nossa classe média, percebi que talvez esse papo todo de fascismo não seja só papagaiada dos barbudos que vestem vermelho. Realmente o que eu vi ali foi um convite ao militarismo e a xenofobia. Sim, é isso mesmo, segue minha explicação.
Estava eu assistindo, já pela metade, o tal programa que estava sendo reprisado, foi ao ar no dia do jogo do Brasil com o Chile, a apresentadora ia passando os tópicos de discussão na tela. A coisa funciona assim: ela chega de kombi colorida com as cores e letras da emissora; estaciona em alguma parte da cidade onde adolescentes modernos e descolados se reúnem; e fica rodeada de meninos e meninas, conversando com a turminha, discutindo com eles os tópicos do dia. Com comentários ultra abalizados ela introduz o tema, pede opinião para seus amiguinhos e, em seguida, chama matérias sobre o negócio, é mais ou menos isso aí.
O assunto geral do dia era patriotismo, e aí começou a se descortinar toda a médiocridade. O que vi primeiro foi um repórter de campo que estava no estádio de futebol onde jogavam Brasil e Chile, ia falando com as pessoas e transeuntes. Perguntava, “você é patriota só em jogos da seleção?”, ou algo como, “você acha que o brasileiro só é patriota de quatro em quatro anos?”. Não preciso nem dizer que eram pessoas modernas e descoladas já que estavam no jogo do Brasil e pagaram caro por isso. Todos ali sorrindo e repetindo que amavam o Brasil, que o patriotismo devia ir além do futebol, meninas que eu não vejo nem nas festas da psicologia comemoravam, entre um canapé e um carpacio, os golaços de Nilmar.
Isso não diria nada sem o que veio em seguida, uma matéria sobre o serviço militar, e não acreditei no número de moleques que querem realmente entrar para o exército, deviam estar drogados ou exageraram no anti-depressivo, mas enfim, cada um com sua loucura. Outros, que tinham prestado o serviço militar, diziam que achavam que a coisa ia ser casca grossa mas acabaram gostando da nova experiência. Um coronel, tenente, marechal, sei lá eu, também dava uma palavrinha para encorajar os jovens, dizendo que lá ninguém apanha, a convivência é super saudável, todo brasileiro tem que se preocupar com sua pátria, e por aí vai. Só faltava uma propaganda, daquelas do governo, que mostra o exército do mesmo ângulo que mostra uma faculdade, dessas universidades que surgem de repente por aí, uma Uniforme-se-logo-e-ganhe-mais-dinheiro da vida. Venha para o exército você também, e acelere sua carreira!
Comentários da apresentadora: “vocês viram, gente! Talvez as pessoas tenham uma imagem errada do serviço militar!”, e logo em seguida retorna o repórter de campo, direto do jogo do Brasil, comentando que vestir uma farda era a mesma coisa que vestir a camisa da seleção (garanto que ele escolheria a da seleção).
Sim, eles não paravam de tentar me convencer a me alistar, mas agüentei firme para ver o próximo tópico: xenofobia, e daí ficou pesado. Não me lembro do que alguns garotos disseram ali no palco mas me lembro bem da matéria, mostrava vários jovens que nem sequer sabiam o que a palavra significava. Quem se salvou foi uma menina que disse que xenofobia são, tipo assim, as pessoas que, tipo, não curtem as pessoas que são, tipo assim, de outros, tipo, países. Mas um outro nunca ouviu falar na tal palavra; outro lá me manda que xenofobia para ele era medo da Xena (pra quem não conhece, é uma princesa guerreira de um seriado aí). Resumindo, aquilo foi uma aula de estupidez pra quem ainda não conseguiu ficar estúpido.
Voltando para o palco nossa apresentadora já estava com uma camiseta com a frase “xenofobia é medo da Xena” estampada, já tinha também uma foto da própria Xena usando a peça de roupa, bela metalinguagem. Ela deve ter uma estamparia e um fotoshop naquela kombi pra fazer isso tão rápido, e já distribuindo pra moçada a camiseta com o slogam genial, acabava assim com qualquer comentário minimamente aceitável sobre xenofobia. Seria melhor se dissesse logo de uma vez: “nossa, como é legal ser burro!”.
Mas daí veio a salvação da interatividade, pois no programa existe um quadro que se chama “chora”, onde qualquer jovem descolado pode dar sua opinião ou desabafar sobre qualquer assunto, pode reclamar da mãe que não o deixa sair a noite, da amiga que roubou o namorado, do cachorro que ama, é quase como uma terapia televisionada. Rezando para que alguém falasse algo um pouco menos tapado do que as palavras da apresentadora, eu escutei o rapazola que subia num palanquinho e falava ao microfone. Não adiantou, o cara começa a reclamar da paparicação aos gringos quando eles vêm ao Brasil, “só falta estenderem um tapete vermelho”, dizia, e continuava a falar que na Europa os brasileiros são mau tratados e por isso não deveríamos pegar leve com nossos gringos também. Gritos da torcida jovem ali presente, se bem que eles gritariam até para uma imitação do Tiririca.
Não sei se esse cara que falou ao microfone acha isso realmente; não sei se ele viu uma notícia no Jornal Nacional; não sei se ouviu de orelhada quando seu pai falava ao celular, mas me assustei com um discurso desses vindo de alguém tão jovem. Era sim um fascista adolescente, e agora até eu já estou usando o termo que muitos barbudos repetem por aí e me deixa irritado. Percebi que não era só o programa que nutria esse tipo de sentimento.
O tópico seguinte - estrangeirismos na língua portuguesa - mostrava uma matéria com dois professores de português, um contra e outro a favor do uso de palavras estrangeiras, parecia um debate em estilo twiter, onde ambos expõem suas opiniões em poucos caracteres. A professora do contra dizia que um idioma tão rico como a português não demandava novas palavras de outros idiomas; o professor a favor explicou que isso é um fenômeno natural, não daria pra imaginar o português sem palavras estrangeiras como “pizza”. E realmente eu não consigo imaginar um país sem pizzas, seria o inferno dos solteiros que não sabem cozinhar. Mas o problema foi a gravidade que atribuíram ao tema, tratado com a mesma importância que tem minha carreira de jornalista.
O programa acaba e logo em seguida começa um outro que, vejam só, passa clipes com legendas. A idéia é agente entender a letra das musicas cantadas em inglês, que ironia! Deviam passar a letra de “Americam Idiot” do Green Day, ou “Americam Jesus” do Bad Religion, ou alguma do Public Enemy, por que não?
Mas antes que começasse a chorar, finalmente desliguei a TV, e cá estou eu agora relatando essa minha impressão medonha da nossa juventude, e por que não da nossa programação de TV? cheguei a me perguntar se não estava vendo coisas, achando pêlo em ovo. Comecei a imaginar um conflito na Amazônia, que surgiu sabe-se lá de onde, contra guerrilheiros maconheiros, uma iminente guerra que ainda permanece top secret; forças armadas brasileiras posicionando-se estrategicamente, e dá-lhe apoio militar dos Estados Unidos; somas vultuosas em dinheiro usadas pelo Estado brasileiro pra convencer as emissoras a propagandearem o sentimento patriótico. Enfim, eclode o conflito e nossos jovens, já devidamente patriotizados, seguem aos montes para as fronteiras de arma na mão, a opinião pública se revolta às vésperas da matança mas algum maluco já deu um golpe, tomou o poder e censurou os jornais.
Pô! Fui bem pra longe agora, mas talvez tudo isso não passe mesmo de um devaneio maluco, afinal isso nunca aconteceu na história da humanidade, foi só um sonho ruin. Xenofobia? Guerras? Ditaduras? Sarney? Nunca ouvi falar! Devo é estar ficando velho, careta, devo estar totalmente out desse mundo dos adolescentes descolados, talvez até ainda morda a língua quando eles fizerem algo notável no futuro. Preciso mesmo é tomar minha pílula e assistir uma TV.

Açúcar

Estavam os dois de bobeira naquele sábado, depois de uma conversa sobre uns setenta e cinco temas diferentes nada mais achavam pra falar. Um inseto, uma dessas formigas com asas, seja lá como chamam, caminhava no chão do quarto, devia ter entrado pela janela, o fato é que estavam no décimo quinto andar e um deles se divertia em pensar como o rapazinho chegara ali. Um verdadeiro exemplo de superação, afinal era um inseto brasileiro e não desistia nunca, ou alguma nova espécie, super potente e resistente, fruto de mutações genéticas acarretadas pelas mudanças climáticas da metrópole.
De qualquer forma tiveram que matá-lo, a princípio um deles se opôs à idéia mas seu companheiro ali já empunhava o tênis e descia a lenha no bichinho, e o inseto não morria. Sapatadas uma atrás da outra e ele continuava se remexendo, agonizando, e o desespero pelo martírio daquele artrópode se manifestava no outro moleque em forma de gargalhadas. “O bicho é imorrível”, gritava em meio às risadas, e seguiam-se os golpes até que o animal começou a ceder, “já deve estar vendo um túnel de luz com seus parentes insetos estendendo as patinhas”, disse o expectador enquanto enxugava as lágrimas. Era mesmo uma espécie selecionada, e os dois acabaram com ela ali mesmo naquele circo.
Subitamente uma secura na boca, uma fome desgraçada. Não imaginavam de onde teria vindo aquela seca, aquela ânsia de mastigar um alimento, senti-lo dissolvendo-se levemente na boca, mas aproveitaram a situação pra ter a idéia genial de visitarem uma doceria que abrira a pouco em sua rua, ali logo em frente ao prédio. Ficava numa espécie de microshopping a céu aberto, com um estacionamento largo na frente e em seguida as lojas em um patamar mais alto, eram uma farmácia, uma loja sei lá do que, uma outra que não tinha nada, e a tal doceria. Pingaram um colírio e partiram.
Ambiente familiar, belas crianças bem nutridas e rosadas sentadas com suas mães; umas meninas bonitinhas e arrumadas no melhor estilo “malhação”; algum carrinho de bebê, e agora dois carinhas entrando de chinelo havaianas. Estavam se achando meio deslocados ali, pensavam que todos olhavam-nos e viam que não estavam muito, vamos dizer assim, a caráter. Mas quando entraram no recinto perceberam que toda essa nóia não valia de nada, uma vez lá dentro se é um deles, contanto que se compre algo.
Era uma loja com seu interior totalmente branco; alguns detalhes nas paredes em rosa, uns morangos e pirulitos e alcaçus grandes pendurados; mesinhas circulares cor de madeira que lembravam castanhas ou biscoitos daqueles cookies; vitrines com várias prateleiras mostravam as tortas e bolos e bombas que pareciam dançar uma valsa. Sentiram-se como formigas em um pote de açúcar, ou como personagens de um jogo de videogame dos anos oitenta, achavam que iam morder alguma parte daquele imóvel, arrancar um pedacinho da parede e prová-lo, passando em seguida para a mesa, as cadeiras, o piso. Joãozinho e Maria teriam saído de lá correndo, aos prantos, recordando aquele traumatizante episódio da casa comestível que quase acabou mal. Mas para aqueles dois ali, ora, não viam bruxa ou caldeirão em parte alguma, eram sim bombardeados por estímulos que diziam sempre a mesma coisa: coma e seja feliz agora! Ali só o açúcar lhe saltava aos olhos famintos, escorria de toda aquela brancura mal lavada.
Repararam, em uma das vitrines, numa espécie de sorvete cheio de coberturas e camadas, algo como um bolo gelado, achavam finalmente uma parte do lugar para mastigarem. Após provarem um pouco de quase todos, escolheram seus sabores. Um pediu um belo pedaço de chocolate com calda de chocolate, sorvete de chocolate, bolo de chocolate, chocolate picado e uns bombons em cima; o outro pediu um de coco com sorvete de coco, coco ralado, bolo de alguma coisa que provavelmente tinha coco, coco queimado, e algo por cima que devia ser leite condensado.
E que espera maldita foram aqueles minutinhos até receberem as tigelas de plástico com as guloseimas, atacaram a coisa com ferocidade, como cães famintos sobre um naco de carne. Nem bem chegaram na metade e já estavam cheios, tiveram de largar o resto todo ali e resolveram pagar a conta, cerca de treze ou quatorze reais para cada. Um deles, indignado, não entendeu como pagara tão caro por uma experiência tão frívola, e o outro lhe explicou que o preço era por quilo e que ele devia ter pedido, já hipnotizado, bem mais do que podia comer. Ouviu, no entanto, que ele também havia pedido muito já que pagaram quase a mesma coisa.
Emfim, não entenderam bem de onde viera toda aquela fome, todo aquele ímpeto de mastigação, mas naquela noite um deles sonhou que o bichinho que mataram, aquele naturalmente selecionado, ressuscitava em tamanho gigantesco, entrava na doceria e destruía tudo, devorava as pessoas, e depois sentava-se e pedia um pedaço de torta holandesa.

Androview – Eduardo Moreira, o Homem dos 1001 podcasts


Habitante de Araçatuba, cidade do interior do estado de São Paulo, consultor de informática, regente de canto coral e torcedor do São Paulo Futebol Clube. Essas são apenas algumas características de Eduardo Moreira, o Homem dos 1001 podcasts. Em entrevista marcada via Twitter, o podcaster fala sobre como conheceu a mídia, seu início e a importância dos comentários dos leitores na vida de um podcaster. Veja a entrevista abaixo:



Androceu: Como foi a descoberta da mídia podcast?

Eduardo Moreira: Eu descobri o podcast navegando pela internet, buscando novas formas de entretenimento e informação. Nas buscas por antigos arquivos de áudio de programas de rádio, me deparei com o termo podcast, no já finado podcast da MTV. Gostei muito do que ouvi e resolvi consumir este tipo de mídia de forma mais frequente.



A: Como foi o processo de se transformar em um podcaster?

E.M: Isso se deu após três meses ouvindo outros podcasts. Fui percebendo que o processo de criação de um podcast era viável para mim, que já estava inteirado sobre como funcionava os programas de edição. Levei algum tempo lendo sobre o processo de hospedagem dos podcasts no feed RSS e, em abril de 2008, estava gravando meu primeiro episódio. Óbvio que com uma qualidade ainda muito abaixo do desejado, mas foi um início.



A: Segundo muitas pessoas, você, junto com o Jovem Nerd e Maestro Billy, formam a santíssima trindade do Podcast brasileiro. Você concorda com essa afirmação?

E.M: Eu recebo esta afirmação com surpresa, pois o Billy (ADD), o Alexandre e o Deive (membros do Nerdcast) são, efetivamente, verdadeiras celebridades da mídia, entre os ouvintes regulares de podcast, e entre os podcasters efetivamente. Aliás, nem sabia que os ouvintes me consideravam assim. Bom, respondendo sua pergunta, eu acho que tem muita gente muito boa no papel de podcaster. Alguns deles conseguem atuar nesta função até melhor do que eu, como Eduardo Sales Filho (Papo de Gordo), Jabour_Rio (Piratacast), Gustavo Vanassi (Depois das 11), Pablo de Assis (Nerd Express), Jurandir Filho, Maurício Saldanha e PH Santos (Rapaduracast), Gustavo Guanabara (Guanabara.info), entre outros. E não podemos nos esquecer de alguns que vieram antes de nós, como o pessoal do PapoTech, Gui Leite e a Bia Kunze, que foram alguns do que ouvi no começo. Tem muita gente boa e inteligente fazendo podcast hoje no Brasil.



A: Como surgiu a ideia de gravar um podcast solo?

E.M: Surgiu naturalmente, como uma opção. Quando entrei no mundo do podcast, estava efetivamente sozinho, pois não originei meus podcasts de comunidades de internet ou de algumas parcerias no mundo offline. Por isso, como não conhecia ninguém no meio (e muito menos na minha cidade) com disposição e coragem para gravar, resolvi enfrentar o desafio com a cara e a coragem.



A: E no caso do Spin-Off?

E.M: No caso do Spin-Off, que é feito em conjunto com outros podcasters, meio que surgiu de um projeto do Filecast chamado Jabacast, onde estes podcasters se reuniram para fazer um podcast único e promocional. A idéia deu certo, a ponto de criarmos um podcast sobre séries, onde teríamos sempre a participação de vários outros podcasters.



A: Quantas horas por semana você gasta editando?

E.M: Para quem grava podcasts sozinho, é muito mais fácil e rápido o processo de gravação e edição do que quando se grava em conjunto, via Skype, pois o tempo de perda do podcast é menor. Isso precisa ser ressaltado. Em média, cada podcast leva aproximadamente de 3 a 4 horas de edição. Mais uma hora gravando (exceto o M2List, que é 15 minutos aproximados, e o Spin-Off, que pode ter até duas horas de gravação), e outra hora subindo o podcast para o servidor e criando o post no blog, resultam no tempo médio de 6 horas totais no processo. A cada semana, eu dedico, pelo menos, 30 horas de podcasts (nos cinco programas que tenho), dividindo sempre em turnos, para que não atrapalhe minhas outras atividades.



A: Como você grava, por exemplo, uma edição do M2List?

E.M: O M2List é o podcast que menos levo tempo para gravar. As playlists do M2List são criadas com, pelo menos, duas semanas de antecedência, dependendo do tema escolhido. Uma vez a playlist pronta, se necessário, faço uma pesquisa com informações sobre o tema da playlist, e já faço a gravação. Em virtude dele ter mais músicas do que falatórios, a gravação das falas do M2List levam, em média, de 10 a 15 minutos apenas. Feito isso, aí é a parte de edição: eliminar os tropeços na fala, eliminar ruídos externos (quando eles acontecem), fazer a trilhagem do podcast, e pronto.



A: Você já chegou a cancelar algum compromisso para gravar ou terminar de editar algum podcast?

E.M: Mais os compromissos familiares. Os profissionais e os compromissos do coral eu nunca cancelei. Neste aspecto, a família (ou mais a minha esposa) precisa ser muito paciente e entender que, com o tempo, cria-se um compromisso do podcaster com quem está ouvindo seu programa. Para todo podcaster é muito prazeroso saber que seu programa é ouvido por alguém. Logo, acaba sendo natural esta entrega e abnegação em querer colocar o podcast no ar, na data programada.



A: Qual é a importância de um feedback para um podcaster?

E.M: No meu entender, o feedback dos ouvintes é peça fundamental para que um podcast continue. Não podemos nos esquecer que vivemos num momento de web 2.0, ou seja, não apenas consumimos a informação, mas criamos a informação, através de uma via dupla entre quem produz a informação e quem a recebe. Neste aspecto, a Internet mesmo possibilita que seus usuários possam ter um intercâmbio rápido e direto com quem produz a informação, no caso, o podcaster.

Eu já vi muitos ouvintes reclamando que alguns podcasters sequer se importam com e-mails e comentários feitos nos posts do podcast. Por outro lado, os que comentam no post do podcast, em muitos casos, não chegam a 1% daqueles que escutaram o episódio. Levando-se em conta que, no Brasil, as pessoas ainda ouvem e baixam seus podcasts direto do blog (segundo a Podpesquisa, 60,8% dos ouvintes escutam no próprio site), o feedback é, para mim, o mínimo que o ouvinte pode fazer por nós. Afinal de contas, o programa é feito para eles, e queremos saber onde estamos acertando ou errando, para poder produzir programas melhores.



A: Além do feedback, o que mais motiva você a continuar gravando?

E.M: A possibilidade de interagir e conhecer outras pessoas. Isso foi uma das coisas que o podcast me deu de volta. Conheço pessoas muito interessantes, que me ajudaram a me desenvolver como podcaster. É claro que não vou ser hipócrita a ponto de não dizer que receber alguma compensação financeira, pois isso é sempre muito bom. Felizmente, consigo fazer com que os blogs “se paguem” através de ações promocionais vinculadas aos blogs e aos podcasts, e acho que, se continuar assim, está ótimo. Porém, vejo isso como uma conseqüência do trabalho empregado, e não apenas uma motivação única e imediata. Para mim, o podcast rende muito mais do que ganhos materiais: rende boas amizades, conhecimento, maiores possibilidades profissionais, etc.



A: Você já pensou em abandonar o podcast em algum momento?

E.M: Abandonar a mídia podcast, em si, não. Tive vontade de encerrar o Feedback News Podcast por falta de comentários dos ouvintes, mesmo sendo um podcast com um bom número de downloads por episódio. Porém, um detalhe importante que todo podcast deve fazer quando sentir que o programa não está mais fluindo como antes: renovação. Mudar o formato, acrescentar elementos novos em termos de pauta ou edição é fundamental para se dar uma sacudida, para despertar algum tipo de reação nos ouvintes. Bom, falo isso pela minha experiência pessoal, e não que isso seja uma regra, mas ajuda a evitar que o programa caia em um efeito do tipo “ouvinte passivo, podcast que passa alheio às pessoas”, etc.



A: De 1 a 10, que importância você coloca o Podcast na sua vida?

E.M: Nota 8. Pelo seguinte: neste período de mais de um ano e meio como podcaster, passei por muitas experiências que me mostraram que, por mais que a gente goste do processo de fazer o programa, publicar e ver o resultado do mesmo ecoando pela internet, esta mesma atividade não pode interferir a ponto de você deixar tudo de lado para apenas ficar gravando e editando. Hoje, para mim, o podcast é como uma atividade profissional, encaro ele como minha “pequena empresa”, e procuro focar meu tempo dedicado à ele como um compromisso sério. Mas, na frente disso, tenho minha esposa, meus corais, minha profissão como consultor de tecnologia, meus familiares, os meus momentos de lazer. Mesmo porque, são coisas na minha vida que chegaram antes da mídia podcast.



A: Atualmente você escuta quantos podcasts?

E.M: Tenho em torno de 35 podcasts assinados em meu RSS, fora alguns programas que ouço quando são publicados em seus blogs. Bom, citando alguns deles: Depois das 11, Papo de Gordo, Nerd Express, Nerdcast, ADD (Mastro Billy), Piratacast, Pod Sem Fio (Bia Kunze), Bola nas Costas, Bola nas Costas Iscuitantes, Radio OnBoard, Endzone, Rapaduracast, Metacast, Guanabara.info, Monacast, PapoTech, SOS Hollywood...



A: Saindo um pouco de Araçatuba, a mídia Podcast já é uma realidade no Brasil?

E.M: O podcast ainda tem muito para crescer no Brasil, como um todo. De forma proporcional ao número de pessoas conectadas em território nacional, o podcast ainda tem uma longa jornada pela frente. No meu ver, falta o podcast nacional se apresentar efetivamente para as outras mídias (rádio, TV, jornais, etc), e mostras que é uma mídia complementar, que vem para adicionar mais informação e entretenimento para os ouvintes. O podcast é uma forma prática de se receber um conteúdo exclusivo de notícias, variedades, tecnologia, humor, etc.



A: Como é a relação entre os podcasters brasileiros?

E.M: A grande maioria dos podcasters pensam da mesma forma: são solidários, colaborativos, parceiros mesmo na idéia de se ajudar. É claro que, como em todo segmento de mídia, existem aqueles que não estão tão sintonizados com certos aspectos e pensamentos sobre como devemos proceder com o podcast no Brasil. Porém, isso não impede que a produção de programas continue e que aqueles que estão sintonizados nos mesmos objetivos continuem se ajudando, fazendo suas produções e ajudando outros podcasters a prosperarem. Mas, de um modo geral, a maioria dos podcasters são gente muito boa de se conviver.



A: Que dica você pode dar para quem gostaria de começar hoje o seu podcast?

E.M: A primeira coisa a dizer é: comece. Parece meio óbvio, mas é fundamental fazer, se experimentar no processo de falar, de ler a informação e de escrever sobre a informação ao montar um roteiro para o cast. Além disso, procure falar sobre algo que realmente goste e que tenha alguma afinidade ou conhecimento. Vai ter erros no começo? Claro que vai, mas certas melhorias vão se desenvolvendo com o tempo e a prática. Não desanime com as críticas que você vai receber, mas também não ature os “xiitas”, que te atacam por aspectos pessoais. Mandem os doentes pastarem e siga em frente. E o mais importante: faça um podcast com a sua cara, com a sua identidade. O grande barato da mídia é a variedade de programas, estilos de edição, bordões, etc. Quanto maior a variedade, mais rica a mídia do podcast será, e maiores são as possibilidades dela prosperar no Brasil.



A: Para finalizar, gostaria de acrescentar algo?

E.M: Conheçam o podcast, pois é uma mídia prática, moderna e divertida, além de ser muito barata e para todos os gostos e idades. E o mais importante: é uma mídia independente por excelência, pois é feito por pessoas que amam os assuntos que falam, e que se dedicam de forma exemplar para repassar o que sabem para outras pessoas.





Ficou querendo conhecer mais sobre o Homem dos 1001 podcasts? Acesse então:

www.eduardomoreira.net

www.targethd.net
www.feedbacknews.com.br
www.twitter.com/oEduardoMoreira

11 de set de 2009

Os próximos jornalistas

Quase quatro anos depois, formar-se-ão arrogantes, prepotentes, cansados e tristes jornalistas. Que diante do pensamento amolecem, perdem-se no que acreditam ser conhecimento adquirido. Sabem que os de lá, que os aguardam ansiosos, querendo apenas palavras, são o objetivo final e, ao mesmo tempo, nada.

Serão um bando de jornalistas. Que num dia de frio, ou quente, tanto faz, escreverá alguma coisa, não importantando se está frio ou quente. Tanto faz. E também não será importante saber do resto, que assim foi denominado - resto inútil - tudo o que podem tirar deles a paz.

O salário é a meta.




Pensando bem, isso dá um texto.

continua...

4 de set de 2009

Ai, meu diproma

3 de set de 2009

Rio é a cidade mais feliz do mundo, diz a revista americana

Isso confirma nossa teoria.







03/09/2009 - 15h48

da Efe

O Rio de Janeiro lidera a lista das dez cidades consideradas como as mais felizes do mundo, segundo uma relação divulgada pela revista "Forbes".

"Desde que Fred Astaire e Ginger Rogers apareceram no filme 'Voando para o Rio', em 1933, o mundo ficou fascinado com o Rio de Janeiro. O ideário popular da cidade é repleto de imagens de jovens dançando pela noite, tendo ao fundo as montanhas e o mar", afirma a revista em seu site, sem esquecer de citar o carnaval carioca.

A relação das cidades mais felizes do mundo divulgada nesta quarta-feira (3) pela "Forbes" foi elaborada em função dos dados de uma recente pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa de mercado GFK Custom Research North America e pelo consultor Simon Anholt, que reuniu as respostas de dez mil pessoas em mais de 20 países.

"Brasil é associado a bom humor, a um bom estilo de vida e ao carnaval" diz Anholt. "O carnaval é muito importante, é a imagem clássica que as pessoas têm do Rio, e é uma imagem de felicidade", afirma.

O segundo lugar da lista é de Sydney, na Austrália, país da quinta colocada, Melbourne. A terceira colocada é a cidade espanhola de Barcelona, seguida pela capital holandesa, Amsterdã.

Madri, na Espanha; San Francisco, nos Estados Unidos; Roma (Itália); Paris (França); e Buenos Aires (Argentina) completam a lista das cidades mais felizes do planeta para a "Forbes".

Para Anholt, a pesquisa reflete em grande medida a antiga reputação das cidades do Mediterrâneo e da América Latina como lugares festivos. "É uma pesquisa de percepção, não da realidade", disse o consultor à revista americana.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u619026.shtml