30 de mar de 2009

As palavras e as coisas I

Do alto da ponte, Vicente gritou:

_Cai fora, Roberto!


De acordo com sua esposa, Roberto era um ótimo pai.

24 de mar de 2009

Primeiro encontro com Charlie Brown, o amendoim

Bruno: oi, clarlie.
CB: Olá, bruno! Como está a vida?
Bruno: Já teve aquela sensação de que só você compreende o mundo? Isso te sufoca, porque quer dizer tudo para todos... mas é impossível.
CB: Não... sinceramente, nunca senti isso.
Bruno: *suspiro*
CB: talvez porque eu seja muito pequeno ainda...
Bruno: Ou talvez porque você não deva compreender isso.
CB: *suspiro*

Aula de Fonoaudiologia!

21 de mar de 2009

20 de mar de 2009

BAR X ACADEMIA

Por que será que é mais fácil freqüentar um bar do que uma academia?

Para resolver esse grande dilema, um cientista social freqüentou os dois por uma semana. Veja o resultado desta importante pesquisa para o futuro da humanidade:

Vantagem numérica:
- Existem mais bares do que academias.
Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho.
*1x0 pro bar.**

Ambiente:
- No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia
amolece no primeiro gole de cerveja.
- Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e
fazendo cara feia.
*2x0.**

Amizade simples e sincera:
- No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda..
Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio.
*3x0..*

Compaixão:
- Você já ganhou alguma saideira na academia?
Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?
- No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja 'por conta'.
*4x0.*

Liberdade:
- Você pode falar palavrão na academia?
*5x0*.

Libertinagem e democracia:
- No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto,
ou do mesmo sexo, problema é seu...
- Na academia, dividir um aparelho dá até briga.
*6x0.**

Saúde:
- Você já viu um 'barista' (freqüentador de bar) reclamando de dores
musculares, joelho bichado, tendinite?
*7x0.*

Saudosismo:
- Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia? É só
'bate-estaca' , né?
*8x0.*

Emoção:
- Onde você comemora a vitória do seu time?
No bar ou na academia?
*9x0.*

Memória:
- Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?
*10x0 pro BAR!!!**

16 de mar de 2009

certeza

Bruno: Voce tem certeza?
Ela: Nao sei ao certo ainda...
Bruno: Era tudo o que eu queria saber.
Ela: Sei que tem que acontecer.


E, depois, levantaram; trancaram bem as portas, apagaram a luz. A certeza, portas trancadas e luz apagada. Ninguem poderia invadir a casa, e se o fizesse nao conseguiria enchergar os obstaculos pelo caminho.

14 de mar de 2009

Comunicado F1 Fantasy

Em homenagem ao Blog Androceu, o campeonato do F1 Fantasy agora mudou:
Androceu Championship: ID 1245, senha cirilo

Como o Ajev morreu, vamos realizar competições anuais pelo Androceu agora.
Obrigado.

Aquecendo os motores...

O Carnaval já passou, os campeonatos estaduais já começam a caminhar para seus momentos derradeiros e o cheiro doce oriundo do Centro Acadêmico Benevides Paixão começa a ocupar cada canto do debilitado prédio da Comfil. E aos poucos vamos despertando para 2009.
Os torneios puquianos já voltaram. O velho Ciriloelevens sofreu mais uma reformulação e se tornou eterno – ou até um dos integrantes matar os outros dois em algum momento de fúria extrema – e os fios de cabelos brancos já começam a surgir devido a preocupação do famigerado TCC. E aos poucos vamos acordando para 2009.
A GP Week já voltou a ser publicada. Os últimos testes já foram feitos e todos os olhos já estão na Austrália para a estréia de mais uma temporada do esporte mais glamoroso do mundo: A F-1.
E esse é o motivo deste post. Na verdade é mais um lembrete para alguns de nossos leitores-escritores, pois o Fantasy Grand Prix, uma espécie de Cartola do mundo do automotor, está de volta. Ano passado a Taça acabou indo para a oficina da Scuderia Fischer, que já confirmou presença no grid e promete correr atrás do bicampeonato.
Para de cadastrar é fácil. Basta ter uma conta do Yahoo! (a mesma que você usa para o Orkut, Gmail e etc), fazer um rápido cadastro, montar sua equipe no site http://uk.f1.fantasysports.yahoo.com/f1 e se cadastrar no Ajev Atsiver Championship ( Group ID# 1239 e senha: androceu) . Também é possível entrar em outros torneios como o "Fãs do Hamilton" ou "Fãs da Force India", por exemplo, que não é preciso senha.
Nas próximas semanas, o BLOG ANDROCEU estará acompanhando de perto os dirigentes e pilotos de mais um torneio organizado pela F.O.I.A E, por fim, já desejando sorte para os competidores do tradicional Ajev Atsiver Championship e iniciando mais uma temporada minha de secagem geral e irrestrita ao Felipe Massa: “Vai começar tudo de novo”.

13 de mar de 2009

e o fim

O reflexo no espelho eh de Cesar. Pertence a ele, mas nao eh ele. E o que a imagem denuncia eh aquilo mesmo o que se ve: um sujeito nao muito alto, extremamente magro, cabelos que jah foram longos, olhar que, mais tarde, vai continuar cancado.

Diz alguma coisa... que, tipo, o lixo nao deve ficar lah fora, jogado no chao. Com o cigarro que estah para terminar, acende um outro, como se de fato nao pudesse viviver um soh minuto sem a nicotina e aquela infinidade de outras quimicas que componhem o USA, o cigarro mais barato que ha por aqui.

Abre a porta, diz que nao estah tao frio. E depois nao diz mais nada.

Percebo que existe na casa algo pesado, algo que nos obriga a ficar o maximo de tempo que pudermos lah. Mas nao podemos. Estah perto da hora de ir, definitivamente. Apos um silencio tibetano, diz algo mais sobre nao deixar o lixo lah fora, jogado no chao. Entra, fecha a porta e ve se estah tudo ok.

A carona chega, e nao era uma carruagem. Nao era a limosine, nem o mustang. E que dirigia nao era a garota de nossos sonhos. Olho para ele e percebo que me diz algo, mas sem mencionar uma soh palavra. Entendo. Sim, por que criar espectativas?

Fechamos a porta, vivemos.

Nitroglicerina Pura: Jornalismo

Porra, mas que foda essa vida. Sei que o público leitor deste blog é de jornalistas e pior, os da nossa sala ainda. Mas enfim, que merda essa história de Jornalismo. Não tem pra onde correr, todos os aspectos são fodásticos. Para quem trabalha, tá fodido, virou escravo, pra quem não trabalha, tá fodido também, não vai arrumar um emprego de escravo efetivado depois da faculdade! Enumerarei alguns pontos que marcam os motivos da libertinagem da ofensa nesse texto. Primeiro, quantos têm hoje a chance de fazer um trabalho que ao menos se assemelhe ao bom jornalismo? Segundo, quantos de nós viraremos assessores de imprensa? (você quis dizer: atendente de telemarketing) Terceiro, não ganharemos dinheiro nunca! Qual o mal de se pensar nisso, afinal se uma profissão não atende aos interesses pessoais, ao menos dinheiro ela deveria dar! Até as prostitutas sofrem (algumas) mas faturam (algumas), já jornalista é mais fodido ainda. Alguma saída? Sim, claro, para não dizer que sou uma pessoa mal humorada, mostrarei meu positivismo.

Primeiro, virar motoboy. Claro, uma profissão boa, segurança e muito dinheiro. Taxista também se encaixa nessa. Segundo, concurso público, opa! Vida fácil, dinheiro fácil, tudo fácil... sim, depois de passar, a concorrência deve ser de uns 800, 900 por vaga (chutando muito baixo). Terceiro, virar atendente de telemarketing! Como não, é a mesma coisa que Jornalismo e certamente existe mais futuro de vida nessa. Aposto que eles são mais efetivados no cargo que os jornalistas falidos. Lembro que ainda tem muita gente que sofre com isso e somos da PUC. Não é qualquer merdinha não, imagina os da FAFUP ou da UNIESQUINA? Foda, foda. Mas não é assim com todo mundo não, tem gente que tá na maior boa, sim. Mereceram é claro, por isso, seu idiota imcompetente, se vira! Não vai ficar dando desculpa por aí, que foram injustos com você, que passou em 63 fases do processo seletivo e quando ia entrar veio um filho do amigo do primo do tio do avô de outro amigo de outro tio de outro primo DO PAI do sujeito que entrou. Quem mandou ter pai fodido? Compra um outro mais famoso.

* Essa coluna é de absoluta ficção, casos semelhantes à realidade como o do um filho do amigo do primo do tio do avô de outro amigo de outro tio de outro primo DO PAI do sujeito que entrou, são meras coincidências. Esse blog não recomenda que você compre outro pai.

12 de mar de 2009

E que Ronaldo abençoe a todos

A volta do fenômeno, a lenda renasce, um ser iluminado! Frases repetidas à exaustão, desde o ultimo domingo, sobre aquele que veio para nos redimir: o eterno Ronaldo.
Depois de tantas dificuldades com joelhos, louras jogadoras de futebol, casamentos mal sucedidos, baladas e travestis; eis que uma estrela volta a brilhar. E justo contra o meu Palmeiras, que vencia por um a zero o maior clássico do mundo contra o Corinthians até que, aos quarenta e sete do segundo tempo, veio a cabeçada certeira do craque. Que alegria! Kleber Machado vibrava; Arnaldo vibrava; a televisão relampejava em replays infinitos, a torcida corintiana derrubava alambrados; até os palmeirenses aplaudiam; o Brasil ejaculava junto a Ronaldo. Eis que ressurge do pó nossa alegria de viver, de sermos brasileiros.
Quanta besteira! Não nego que meu sangue alviverde (e um pouquinho parcial) se remoeu com o empate, sobretudo por um gol nos acréscimos, mas me recuso a aceitar o que me dizem desde o ultimo domingo. Que Ronaldo foi um excelente jogador, nunca haverá dúvidas; que o fenômeno foi casca grossa ao ter de superar duas lesões para voltar a jogar, quem discute? Mas que ele seja, assim, um santo, isso é outra coisa.
O fato é que a reconstrução do fenômeno vem de longa data, cada setorzinho da mídia colocava um tijolo nessa parede, e a publicidade e o Marcelo D2 compunham o hino daquilo que seria o dia do retorno! Alguém, afinal, tinha dúvidas sinceras de que Ronaldo voltaria a jogar bem depois de todo esse investimento? Alguém aí pensa que ele ia querer entrar para a história como um ex - melhor do mundo junkie e comedor de travestis, seja lá o que tenha acontecido naquela noite? Não. O jogador já entendeu há muito tempo o quanto sua imagem é valiosa, e o dia do renascimento, meus amigos, chegaria mais cedo ou mais tarde. Ah se chegaria!
Desmerecer o fenômeno, nunca. Afinal em pouco mais de sessenta minutos e dois jogos, ele fez muito mais do que o esperado: driblou bonito, se posicionou bem (aliás, como é de seu feitio), mandou uma no travessão que - além de quase matar o seu Giuseppe do coração - confirma sua capacidade implacável de acertar um gol, seja de onde for. Mas estamos falando de um ser humano ou de um X-Men?
A TV quer a segunda alternativa, vide a lambança que fizeram repórteres, narradores, comentaristas e todos os programas que se possa imaginar. Na Band Luciano do Vale gritava emocionado “Deus existe, Deus existe”, Kleber Machado, o famoso Galvãozinho, não ficava atrás com seu puxa-saquismo global, e Arnaldo César Coelho foi o campeão ao dizer que o juiz fora “insensível” ao dar cartão amarelo para Ronaldo, afinal era “um gol histórico para o futebol mundial”. Bom, eu realmente não sabia que os árbitros tinham que ser sensíveis, achava que deveriam ser frios e manterem a disciplina do jogo, mas essa é uma característica do brasileiro: abrir exceções. Afinal de contas era o Ronaldo, o Fenômeno, o gol da volta, a alegria de se tirar a camisa depois de um acontecimento tão esperado, o tesão de se derrubar um alambrado, o eterno carnaval. A reportagem do Fantástico, no mesmo dia, confirmou toda essa devoção, afirmando que o jogador era mesmo iluminado, e jogando um efeito de luz vindo do céu sobre as imagens de Ronaldo na tela (o que, cá entre nós, foi uma coisa bem piegas). Os mesmos que trataram de destruir a imagem do ídolo, bisbilhotando sua vida pessoal, agora reerguiam a lenda.
O homem, então, tornou-se mais importante que o time, mais importante que o clássico, mais importante que o próprio futebol. A equipe do São Paulo pagou o maior fiasco ao perder para o Mogi Mirim, ex-lanterna do campeonato, por dois a um, mas quem se importa? O Fenômeno voltou! Felipe fez uma cagada homérica que levou ao gol de Diego Souza, mas quem se importa? Ronaldo marcou! Keirrison, artilheiro do campeonato, já entrou para a história do clube palmeirense pelo desempenho em começo de temporada, e vai logo e infelizmente para o exterior, quiçá para a seleção um dia, mas e daí? Ronaldo foi melhor, pelo menos foi o que disse a Folha de São Paulo com um inexistente “duelo de craques”, um tipo de competiçãozinha particular que até os próprios jogadores desconhecem, só a mídia mesmo que entende. E mais uma das boas, o salário dos deputados vai aumentar de novo, mas quem liga? O futebol brasileiro renasce!
Nesse espetáculo, a parte que cabe aos manda-chuvas eu compreendo, mas e quanto ao brasileiro que assiste ao jogo e derrama lágrimas sinceras, o que tira de tudo isso? São rios de dinheiro para um lado, e felicidade e esperança para o outro; recuperamos nossa auto-estima, nossa brasilidade; e a mídia, os patrocinadores, o Marcelo D2, fazem grana, muita grana. Essa é uma troca que se faz por meios turvos, sem acordos, repentinamente, e sobretudo desigual.
Preocupa-me muito o efeito que tem esse escambo, essa compra que fazemos de modelos imagéticos tão bem esteticizados e personificados, esse alívio por uma coisa que não sabemos direito o que é. Bom, mas a vida continua como sempre continuou, vamos todos sentar na sarjeta e chorar, é uma alegria ser brasileiro, e que Ronaldo abençoe a todos.

Por Otávio Table Silvares, publicando religiosamente sua coluna bianual

7 de mar de 2009

M.F. está sozinho em casa

São sete horas da manhã em São Paulo. O trânsito já começa a ficar intenso porque boa parte dos paulistanos está saindo de casa ou no caminho para entrar as oito ou às oito e meia no trabalho. Na Lapa, porém, M. F. ainda nem se levantou da cama.

De origem judaica e torcedor do Corinthians no único bairro da capital onde a maioria é palmeirense, M. acorda por volta das sete e dez, troca de roupa e bebe somente um copo de leite no café da manhã. Depois, entra no seu Palio 97 e vai dirigindo até o bairro de Perdizes, também na zona oeste de São Paulo, onde faz o curso de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica.

Passados 20 minutos no trajeto entre sua casa e a faculdade, M. chega na PUC por volta das sete e meia da manhã, trajando uma camiseta simples, uma calça jeans e um tênis, ou às vezes uma papete. Alguns de seus jeans parecem ter passado da hora de serem aposentados, mas ele não tem um jeitão muito vaidoso. Seu carro ano 97 e seu jeitinho meio desencanado de vestir passam uma impressão diferente da casa de três andares onde mora em um bairro valorizado da capital.

Seus horários têm variado bastante porque seus pais estão viajando pela França e seu irmão está fazendo um curso em Israel. Sozinho em casa, ele não se sente tão obrigado a levantar no horário habitual. Mesmo assim, ele não costuma faltar ou chegar atrasado. M. gosta da faculdade, mas mais do convívio social do que das aulas em si.

F. é um relações públicas nato. Além de conversar com seus amigos mais próximos, ele também encontra alguns outros conhecidos com quem eventualmente puxa conversa sobre os mais variados assuntos, de fotografia a futebol, com alunos do primeiro ao quarto ano do jornalismo, e inclusive alguns de publicidade.

O ludopédio, aliás, é um de seus temas favoritos. Conversa bastante sobre futebol com C. M., um sorocabano de pouco mais de sessenta quilos que adora polemizar e não foge de uma discussão. Além do C., M. também passa um bom tempo falando do esporte com R. P., talvez uma das poucas meninas do curso que gostem tanto de futebol quanto ele.

Corintiano apaixonado, ele costuma freqüentar o Pacaembu, independente de ter algum amigo que vá junto ou não. O Corinthians é uma de suas paixões e uma das poucas coisas que conseguem tirá-lo do sério. Sempre sorridente, no dia 3 de dezembro de 2007 ele apareceu no pátio da faculdade com a cara fechada. Seus amigos estavam morrendo de vontade de tirarem um sarro de sua cara por causa do rebaixamento do clube paulista, mas tentaram ser um pouco compreensivos.

Em outro episódio, também em 2007, apostou uma caixa de Bohemia com um professor palmeirense, antes do clássico entre os dois times. No Morumbi, o colombiano Valdívia fez a alegria da turma da Barra Funda, e M. perdeu a chance de tomar umas de graça.

Depois de assistir as aulas, ele tem uma programação também muito variável por causa do seu estágio na JPPress. Lá, ele faz a narração online de jogos de futebol, e por isso mesmo seus horários dependem muito da rodada do dia. A cobertura varia desde jogos com mais importância, como os da Copa Libertadores da América, até outros como Grêmio X Brasil de Pelotas, pelo Campeonato Gaúcho, primeiro jogo que fez na empresa.

Mesmo com o estágio, M. mantém uma série de outras atividades, que também não envolvem trabalhos acadêmicos. Duas delas são o podcast e o zine do androceu, blog que mantém com colegas de faculdade desde 2006. Ele é o mentor e uma espécie de editor chefe, tanto do programa de rádio quanto da revistinha, e isso significa que ele despende uma boa dose de tempo e energia editando, diagramando e cobrando textos da sua equipe.

M. tenta ocupar seu tempo, e isso é muito devido ao seu jeito hiperativo. Não é necessário saber do podcast e do zine pra chegar a essa conclusão: só uma conversa curta com ele já se percebe a sua hiperatividade. Max às vezes se enrola com as palavras, tentando fazer com que a fala acompanhe o pensamento – convenhamos, geralmente sem muito sucesso. Mesmo quando não está falando parece que não consegue ficar parado, batucando um pandeiro(ou outro instrumento de percussão) imaginário.

Apesar dos horários meio malucos, ele não reclama de chegar as onze horas em sua casa, porque gosta do seu trabalho. Depois de um dia longo, janta(algumas vezes com tanta fome que não esquenta a comida), entra no computador e vai dormir por volta da uma da manhã. Pra começar tudo de novo no dia seguinte.

Imperdível

Comunicado: Assessoria de imprensa do Centro Acadêmico Benexão Paivides

6 de mar de 2009

J.P: Feito e criado na ZL

J.P.C de M sentou em uma das desconfortáveis cadeiras de metal da lanchonete da Faculdade de Comunicação e Arte, a popular Comfil, e se espreguiçou. Na sua frente um gravador de voz. Ao seu lado, esse repórter, ainda sem a menor idéia do que trataria no perfil do entrevistado e mais dois colegas de sala: C.M e L.H.M.
J.P, ou J ou ainda J.B, como é chamado por seus colegas, limpa a garganta e começa a tradicional abertura do podcast que grava semanalmente, o Podcast do Androceu. Normalmente as gravações aconteciam no laboratório de rádio da PUC, mas devido às novas diretrizes da reitoria, toda produção não acadêmica foi suspensa. Para não acabar o programa, as gravações passaram a serem feitas em gravadores de celulares e microfones e editadas artesanalmente.
Na meia hora seguinte, J.P conversa com muito bom-humor sobre as gafes da ex-apresentadora do Globoesporte no Carnaval, a distribuição física das escolas de samba na paulicéia desvairada e defende o fim do campeonato paulista. Após o final da gravação do programa acende um cigarro, hábito que inicia logo após acordar e termina um pouco antes de dormir. Ao todo, J.P fuma quase um maço de cigarro por dia, o que equivale a um prejuízo de R$ 90,00 mensais em seu parco orçamento.
Para se locomover em São Paulo, J.P dirige um Celta de cor negra placa DLA 1673. Normalmente seu itinerário começa com uma carona para sua mãe, contabilista da Associação dos Advogados de São Paulo. De lá, parte para a Rua Atibaia, uma bucólica via de Perdizes aonde ainda é possível encontrar vagas sem flanelinhas às 7:30 da manhã, e assiste as aulas da faculdade. Após as pseudo-aulas do curso de Jornalismo da PUC-SP, J.P dirige até a Vila Zelina, um bairro da zona leste onde passou boa parte de sua infância devido ao colégio e a casa de sua avó D. Mas agora seu destino não é mais a casa de sua avó, falecida em setembro de 2006, mas sim a casa de sua tia-avó N, aonde almoça quase todos os dias por uma questão prática: sua mãe não tem tempo de cozinhar.
Após a refeição, J.P dirigi até a sua casa, localizada na Vila Alpina, outro bairro da Z.L paulistana aonde o único verde da região é uma bananeira localizada perto da delegacia de polícia local e a livraria mais próxima não está ao alcance de uma caminhada comum. Ao chegar em casa, João se deita e assiste alguns programas de TV, entre eles o Globoesporte e a animação Família da Pesada. Logo após o final dos programas, J.P normalmente tira uma soneca que pode variar de alguns minutos até mesmo a tarde toda.
J.P está namorando. A moça de cabelos ruivos, olhos cor de caramelo, estudante de farmácia da São Camilo e torcedora da mesma equipe que João torce se chama G. Alias, mas gosta de ser chamada simplesmente de G. Ambos se conheceram numa festa por intermédio do vocalista da banda em que João é baixista, os The Kobovs.
Formado inicialmente em 2002 devido a uma parceria com seu colega de sala, T.G (guitarrista), a banda acabou ganhando corpo nos anos seguintes quando se juntaram a dupla outros alunos do colégio São Miguel Arcanjo. A formação dos Kobovs é: M.D (voz), R.T (guitarrista solo) e G.O, o Bola (baterista), além do núcleo inicial. Os primeiros shows aconteceram no meio de 2005 e de lá a banda toca em diversos bares da zona leste paulistana com média de público superior ao início de grandes bandas, como os Sex Pistols.
No início da semana, G havia avisado que aconteceria uma festa, mas J.P não pode ir já que na sexta-feira teria aula na faculdade. Para “arrumar as coisas”, saiu na sexta à noite com ela para um restaurante de São Bernardo chamado Gira-Mundo. No cardápio pratos árabes e sobre cada mesa o milenar narguile. De lá, o casal saiu para uma “esticada” em uma das ruas vazias de São Bernardo.
G mora perto do sindicato dos metalúrgicos, onde Lula começou sua carreira política. Normalmente era lá onde as “esticadas” normalmente aconteciam, mas devido ao grande número de pedestres e o medo de serem atuados por atentado ao pudor em plena atividade sexual, o casal resolveu mudar suas atividades noturnas para uma rua mais tranquila.
São quatro e meia da manhã e J.P volta de suas atividades noturnas e desmaia na cama. Poucas horas depois é acordado por sua mãe para mais uma sessão de fisioterapia que acontecem todo sábado de manhã em sua casa. O motivo é uma dor no joelho que o incomoda. Após a sessão, J.P tentou recuperar o sono perdido, mas seu pai, P.J.M, também conhecido com Felipão por sua semelhança com o ex-técnico palmeirense, o acorda para o almoço em família que acontece na casa de seus tios.
Após o almoço familiar, J.P começa organizar sua noite. Ligou para outros dois colegas: A.M e M.D.B.
A amizade dos três data do início da faculdade, mas não foi no trote, onde normalmente os calouros se conhecem. O motivo é que enquanto A.M e J.P sofriam o trote em faculdades distintas de jornalismo, M.D.B estava perdido – e provavelmente bêbado – em alguma cidade do sul da Bahia.
Como a geladeira de M.D.B só existiam seis latinhas de cerveja, os três rapazes pegaram o Celta de J.P e as sombrias ruas do Butantã até o Pão de Açúcar da Praça Pan-Americana para se abasteceram de derivados de cerveja. No total, o grupo acabou comprando mais duas caixas de cerveja barata brasileira, três garrafas de cerveja argentina não tão barata e alguns petiscos.
De volta a casa de M.D.B, o papo rola solto e sem nexo. O papo começa com coisas banais, como a tentativa de criar uma lenda urbana usando o livro Conspiração de Edson Aran, mas à medida que a cerveja começa a agir no organismo de cada um o papo acaba caindo para coisas mais pessoais logo o trio discutia mulheres e carros, não exatamente nessa ordem.
M.D.B é o primeiro a se retirar. Usando um NICORETTE®, já que está tentando parar de fumar, o rapaz se despede dos amigos e vai para seu quarto, localizado na parte superior da casa. Na verdade ele não se retira completamente da conversa, pois de tempos em tempos solta alguns gritos. Pouco depois é a vez de A.M se retirar de cena e subir as escadas. J.P tentou acabou matando mais uma garrafa de cerveja argentina e subiu as escadas, mas em vez de dormir na cama dos pais de M.D.B acabou resolvendo dormir na bicama do quarto de M.D.B.
J.P acorda às 9 da manhã devido ao sol que batia em sua cabeça. Tenta dormir um pouco mais, mas não consegue devido a claridade do novo dia. Desceu as escadas e encontrou A.M já desperto na sala onde resolvem acordar M.D.B, que havia pedido para ser acordado quando eles decidissem ir embora.
Os relógios marcavam 10 e meia da manhã e indicavam uma temperatura de 32 graus, na sombra. João acende o seu cigarro matinal e acelera para a sua ZL.

C.M. : um perfil

Sempre que se ouve falar em Votorantim, o nome remete à bilionária empresa de Antonio Ermírio de Moraes, um dos dez homens mais ricos do Brasil. Poucos sabem, porém, que esse é o nome de um município de mais de 100 mil habitantes, que se emancipou de Sorocaba em 1963.
E foi nesse antigo distrito industrial que, em 1987, nasceu C. M. . E teve uma infância típica interiorana: jogos de futebol no campo de terra do bairro, brincadeiras em ruas tranqüilas. E seu sotaque, hoje menos acentuado por viver em São Paulo há três anos, ainda o faz lembrar dessa época que parece tão distante.
Até os 14 anos, como muitos garotos do interior paulista, torcia por um dos times da capital. Mas surgiu a vontade de acompanhar uma equipe local. E o escolhido foi o tradicional São Bento.
Outro motivo para essa escolha foi que o São Paulo, seu primeiro time, nunca jogava em Sorocaba. C. M. era um dos poucos garotos que o escolheu o São Bento. A maioria torcia pelo Atlético Sorocaba, arqui-rival, fundado apenas 1993. Um time bem estruturado e que recebia mais dinheiro dos patrocínios.
Mas a raça beniditina fez a diferença para C. M. na escolha do time do coração. A final do Campeonato Paulista da série A-3, em 2001, contra o Olímpia, foi auge da equipe nos últimos anos. E C. M. esteve presente no grande jogo.
O São Bento chegou recentemente à primeira divisão do Paulistão e foi campeão da Copa Federação Paulista. Mas o clube passa por problemas financeiros atualmente. Indagado sobre prefeituras que ajudam os times de suas cidades, C. M. não pensa duas vezes: “Não tem que ajudar não. É dinheiro público”.
E como os mais fieis torcedores são aqueles acompanham o time na fase mais difícil, ele faz questão de ouvir todos os jogos do São Bento por uma rádio na internet, mesmo com o delay de vários segundos e a iminente ameaça do rebaixamento para a terceira divisão do Paulistão.
Aos 18 anos veio a grande mudança de sua vida: o garoto do interior veio estudar jornalismo na PUC de São Paulo. O sonho de infância de ser piloto de Fórmula 1 foi impossibilitado por condições financeiras. Achou uma alternativa profissional: “quero ser repórter de jornalismo esportivo, com ênfase em automobilismo”.
Os primeiros meses foram difíceis. Sem moradia na capital, ele acordava todo dia às 4 da manhã. Enfrentava o frio da madrugada sorocabana e desembolsava cerca de R$ 12,00 diariamente pelas passagens de ida e volta. Ao chegar em São Paulo, enfrentava a brutal subida da Rua Cardoso de Almeida, desde a Barra funda até a PUC.
Mas o sofrimento foi recompensado. Ele se mudou com a família para um confortável apartamento há cerca de cinco minutos da universidade, local que mora até hoje.
“Me adaptei facilmente em São Paulo, mas sinto falta do resto da minha família do interior, que agora vejo com menos freqüência”. C. M. costuma visitar sua cidade natal duas vezes por mês.
Fã do programa humorístico da MTV Hermes e Renato, C. M. tem como hobbies jogar Playstation 2. Seus jogos prediletos são Winning Eleven, Gran Turismo e Jackass. Ele inclusive já realizou diversos campeonatos em sua casa, muitos deles marcados por polêmicas, brigas e interrupções.
C. M. escreve desde 2006 no Blog Androceu. Sua entrada na blogosfera foi influenciada por uma tendência dos calouros de jornalismo da época. Conhecido por seus textos polêmicos e considerados até reacionários por alguns de seus críticos, ele fundou outro blog, hoje abandonado: Ajev Atsiver (Revista Veja ao contrário). A referência à publicação conservadora fez com que sua opção ideológica fosse colocada em xeque por seus colegas universitários.
C. M. se diz desanimado com o curso de jornalismo e com a profissão. Já estagiou em duas empresas que foram à falência. “Nos últimos tempos tenho procurado trabalhos na área, mas está difícil...”. A crise financeira atingiu em cheio a área de comunicação e as oportunidades foram reduzidas drasticamente.
Aos 22 anos, ele se diz especialmente triste com o mercado de trabalho: “Pretendo seguir procurando emprego. Caso não consiga, prestarei concurso público”.

“Vivo pelo Vale Refeição que ganho”

Perfil de A.M., 21, estudante da PUC.

Não simplesmente A.M. é um estudante de Jornalismo da PUC-SP. Apesar de trabalhar na empresa F.A., na qual sustentabilidade é o assunto da vez, o rapaz de 21 anos é um fanático por seu clube do coração, o São Paulo Futebol Clube. Para aqueles que vivem ao seu redor durante a semana, é visível que sua vida gira ao redor do time do Morumbi, mas isso não é um fato claro durante um tempo maior que se passa junto do jovem.

Paulistano de nascimento, no bairro do Morumbi, seu primeiro jogo visto em campo não sai de sua lembrança: um São Paulo 4, Portuguesa 2. Segundo A.M, o zagueiro Júnior Baiano fez um gol de bicicleta. Sua primeira experiência em um estádio foi traumática. Ficou atrás do gol, com visão prejudicada, e ainda por cima não existia o recurso do replay. Mesmo assim, ele não é só futebol.

Sua escolha do Jornalismo veio de seu gosto pela leitura e por gostar de escrever. Definitivamente ele define que Matemática não era a sua área. De fato o Jornalismo caiu como uma luva nas mãos de um jovem indeciso e que apesar do gosto por futebol não desejava seguir sua carreira com exclusividade nesse ramo.

Quando perguntado sobre sua infância, sua resposta é típica de crianças paulistanas: tudo depende. Veio em sua cabeça em um primeiro momento seu Super Nintendo. Algo mais comum para sua infância. Assim como boa parte das crianças moradoras de São Paulo, brincadeiras na rua não eram muito bem vindas. Para ele, isso não foi parte de sua vida pelo local onde ele mora desde a infância: Paraíso. Apesar disso, esse é um bairro que não tem grande presença nas memórias do jornalista.

Seu sonho como jornalista hoje é ter um emprego estável e que o permita realizar atividades paralelas ao Jornalismo. Fora do trabalho, essa pergunta se demonstrou mais profunda. Ainda assim seu contexto profissional veio à tona. Realizar um mestrado e cursos que o fizessem melhorar na carreira foi uma resposta natural de mais para meus ouvidos. Questionei sobre sua vida pessoal. Há alguns anos, disse ele que não sonhava em se casar e que isso mudou, mas em relação aos filhos ele responde rindo: “eu odeio crianças”.

Em sua personalidade, é possível captar um certo ar rabugento, uma relação pragmática com as coisas. Se antigamente seu sonho era o de ser jornalista, é diferente do que é hoje. Uma realidade dura para os brasileiros adultos veio como um sinal vermelho sobre suas esperanças quanto a profissão do Jornalismo.

A.M. responde que gosta de música, mas não sabe especificar exatamente os seus artistas prediletos. Em seu ar ele não transparece o que responde. Diz apenas o que ele declaradamente não gosta: pagode, axé e sertanejo.

Se tivesse que escolher um passatempo, ele escolheria mesmo um video-game. Winning Eleven é sua pedida da vez. Ele diz ser mais que craque. “Pelé é 10, eu sou 11”. Quando perguntado sobre sua modéstia, ele diz que vem de sempre, desde quando ele começou a ser destacar em torneios entre amigos do Winning Eleven.

No assunto futebol, A.M. fala com mais facilidade. Seu jogo mais bonito de se ver, do São Paulo, foi um amistoso entre o clube paulistano e o Toluca do México, no qual viu seu time vencer por 7 a 1. Para ele, sua recordação veio do ano de 2002. Luis Fabiano, atacante hoje no Sevilla, foi o maior ídolo do rapaz. Seu título mais comemorado foi o da Libertadores de 2005. Estava em casa, assistindo com seu irmão, seu pai. “Nossa, eu tava retardado, foi o jogo no qual eu mais gritei na janela”. Em outros assuntos, suas opiniões são polêmicas.

Apesar das brincadeiras da PUC, A.M. tem posições menos drásticas que as apontadas publicamente. É comum para o jovem imitar o apresentador paranaense Luís Carlos Alborghetti, mas em uma situação mais séria, suas opiniões são diferentes. Quanto aos crimes hediondos, ele diz que defende uma pena de prisão perpétua. Já é um avanço, contra a defesa irônica da sentença de morte.

Suas palavras que definem São Paulo são pouco receptivas: caos, desastre, drogas, morte. Mas por outro lado, ele aponta o dedo para frente e fiz como um verdadeiro político: considera a cidade o melhor lugar do país para oportunidades. Apesar disso, quando questionado sobre os partidos que mais se adequa, responde nenhum. A.M. é uma daquelas pessoas que vive por motivos diretos até demais. “Vivo pelo Vale Refeição que ganho”.

5 de mar de 2009

The dream is over


Nos conhecemos todos em 2006. Incluo nessa conta mesmo aqueles que já haviam estudado juntos em algum colégio ou cursinho paulistano. Aos que se recordam, éramos felizes, entramos jovens, indefinidos sobre as responsabilidades reais de nossas respectivas vidas. Nesse ano, sairemos como adultos, donos de cada passo em nossos destinos. Triste? Sim, ao menos eu acredito.

Nesse tempo em que estudamos juntos, não é possível dizer que as coisas passaram rápidas demais. Elas não passaram de fato. Isso sim é algo bom por trás do boêmio sentimento de melancolia que nos pode atingir de vez enquando. Praticamente todos nós somos capazes de nos recordar das aulas que tivemos em nossa primeira etapa puquiana. Principalmente a nós androcêuticos, as lembranças vêm com referências ainda maiores. Alguns totens ficarão para sempre marcados. Nossos trabalhos para o Jorge Cláudio, apesar das zoeiras, foram os mais memoráveis de 2006, os devaneios de José Salvador Faro, dentre tantos outros professores. Contraponto, nosso passo inicial dentro do mundo real do Jornalismo. José Arbex Junior e suas reuniões.

Ainda em 2006, a criação do Ciriloelevens, do Cirilo Joker Open, do Rafael Ilha Open, das pérolas do Max. Não sentem falta disso? Espero não estar falando sozinho aqui, me sinto triste ao saber que antes o Androceu foi um gigante entre nós. Max, Thom, João, Otávio, Mario, Gustavo, Alan, Bruno, Luiz, André, Branco, eu. Todos nós tínhamos uma ligação tão forte através do Blog, também com o Gineceu. Houve esse momento marcante. Nossas discussões, nossas energias vivas mais do que nunca mais estariam. Ceci n’est pas un Blog, Conjunção crítica, Contos e Recontos, Kapra Nóis, Me deixem vadiar, Nada a acrescentar, Pixel Zone, Sujeiras do assoalho, Versão Legendada, Zine Qua Non, Quinhão. Todos esses blogs que antes eram vivos, hoje mortos. Ajev, sim, também morto. Será que o Androceu sobreviverá? Não faço hoje uma indagação humorística desse assunto, estou falando sério. Não rogo pragas, pelo contrário, tenho medo do que virá logo depois do final desse curso de Jornalismo. Somente eu tenho esse medo? Onde foram parar os bares pós-PUC? Não voltarão nunca mais.

Veio 2007 já com um pessimismo maior, nos tirou o doce encanto de um Jornalismo verdadeiro. Já não éramos mais turistas, bixos, estávamos com o fardo de veteranos. Estávamos em um momento de intensa mudança em nossas vidas. Ainda no JUCA todos estavam em presença marcada. Coisa que em 2008 já não aconteceu. Terceiro ano e um sentimento pré-maturo de que tudo estava próximo de seu final. Era ainda a metade do caminho, mas e hoje? Quantos meses faltam para nosso desligamento? Agora nos tornamos adultos, acabou uma fase de aproveitar apenas a vida. Sou mesmo extremamente saudosista e sofro por antecipação, peço perdão.

Alguém me responda, para que eu sinta que ainda há chances de vida em ao menos uma parte remanescente do passado, o Androceu e seus leitores. Quando esse feedback acabar, de fato nosso sonho androcêutico estará terminado.

Yesterday,

I was a dreamweaver, but now I’m reborn.

I was a PUC, but now I’m Carlitos.

And so dear friends, we just have to carry on.

The dream is over

Direto do túnel do tempo

Matéria para o Jornal Contraponto Abril/2006

Manifestações explicitam urgência nas reivindicações sociais

Atos de movimentos populares, como as invasões da Via Campesina e as ocupações do MST, mostram que protestantes não suportam mais esperar pela lenta e muitas vezes incompetente justiça nacional

Pela demonstração de uma incessante luta pela busca de reformas, não somente sociais, como também políticas, a manifestação realizada pela Via Campesina no dia 8 de março na cidade de Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul, entrou para a história como um dos atos mais polemizados dos que já foram realizados por um movimento social, ato esse que somente tomou essa dimensão, tão explorada pela mídia brasileira como uma mera ação de vandalismo, devido à incompetência de governantes e de outras esferas que detém o poder de mudança, embora se neguem a fazê-las.
Logo no primeiro momento em que os meios de comunicação começaram a vincular informações sobre esse caso, ou seja, praticamente instantaneamente aos acontecimentos que marcaram a manifestação, pouco se procurou averigüar e muito se procurou sensacionalizar, repetindo uma das mais fortes marcas dos trabalhos jornalísticos feitos nos dias atuais: alcançar o furo a qualquer custo.
Duas mil mulheres invadiram o horto florestal da multinacional Aracruz Celulose, empresa instalada em diversos pontos do país, e destruíram mudas de eucalipto pertencentes ao setor laboratorial da multinacional, que alega ter sofrido prejuíso de aproximadamente US$ 20 milhões; assim foi tratada a manifestação, principalmente em matéria feita no jornal Estado de S. Paulo do dia 10 de março e também no Jornal Nacional do dia seguinte à manifestação.
Segundo essa parte da imprensa, que pareceu publicar informações que somente visassem o lado de vítima da multinacional, a destruição causada no setor de pesquisas da empresa não somente atrapalha o desenvolvimento da agroindústria brasileira, como também está assustando investimentos estrangeiros, como demonstrou a matéria do Estado de S. Paulo do dia 26 de março, que exalta investimentos no país quanto às plantações de eucalipto; uma visão totalmente oposta à que colocou o jornal A Hora do Povo do dia 10 de março, que realizou um trabalho que não se baseou a atacar a manifestação e sim a procurar os fatores que motivaram tais atos, dando voz e chance de defesa aos protagonistas daqueles atos.
A Aracruz divulgou que apenas daqui a sete anos conseguirá recuperar os avan-ços que havia feito até a noite da manifestação, que foi apoiada pelo coordenador na-cional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Stedile. O jornal Folha de S. Paulo deu foco mais claro nesse detalhe em sua edição do dia 9 de março. De acordo com as palavras do próprio Stedile, nessa matéria: “Os governos são puxasacos das multinacionais. O que é incrível é um governo de esquerda também ser”. Essa mesma Aracruz que foi tratada como vítima no dia 8 de março, recebeu multa de R$ 606 mil do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por plantio de eucalipto em local irregular, no município de Prado, na Bahia; fato que não recebeu nenhuma notícia direta das grandes mídias e ao contrário do que muitas pensam, essa não foi a primeira vez que isso ocorreu. Em dezembro, a empresa Veracel, também de celulose, recebeu multa de R$ 360 mil, também do Ibama por descumprir seus compromissos quanto à regeneração da Mata Atlântica.
Ainda no mês de março, diversas mobilizações marcaram a luta de movimentos sociais contra esses tipos de agressão ambiental, como a conferência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o encontro nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que discutem outro drama que afeta comunidades rurais e indígenas, principalmente no norte da Bahia com a hidrelétrica de Itaparica, da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), que inundou terras dos índios tuxás e foi obrigada a indenizar as famílias prejudicadas.
Em uma das raras oportunidades para transmitir suas motivações, as próprias mulheres que participaram do ato em Barra do Ribeiro se declararam “contra os desertos verdes, as enormes plantações de eucalipto, acácias e pinus para celulose, que cobrem milhares de hectares no no Brasil e América Latina”, todavia o que defensores das multinacionais sempre argumentam é o polêmico ponto: não seria esse um mal necessário? Existem milhares de empregados que dependem desse tipo de trabalho, sem contar que o uso da celulose ainda se mostra bastante necessário e principalmente rentável – basicamente para empresários – na atual conjuntura mundial. Mas por qual motivo esses mesmos empresários escolheram o Brasil para isso?
É fato que o governo nacional é fraco e esse problema não se restringe apenas à atual equipe governamental: é um problema histórico brasileiro, que deixou e ainda deixa que essas multinacionais usem e abusem dos vastos e baratos terrenos brasileiros, raramente dando alguma satisfação para ONG’s e grupos que defendem a preservação de bens naturais enquanto ainda há tempo para isso. Grande parte do povo sobre esse assunto, muitas vezes iludido pela esperança de oportunidades profissionais, não abrem os olhos para esses perigosos danos ambientais.

Degradação – Estas mesmas empresas de celulose, mineração e energia, que juntas faturam mais de R$ 50 bilhões por ano, causam em seus arredores, danos de proporções absurdas, como nos pampas gaúchos, em reservas da Mata Atlântica, dentre outras regiões que sofrem por explorações desmedidas; o fato é que a monocultura do eucalipto destrói o meio ambiente em que ela é implantada. Acuados e sem ter os mesmos direitos de poderosos empresários, quem paga a conta são os índios e os pequenos produtores, que cada vez mais têm seus futuros jogados em uma injusta relação de sorte e azar, dependendo de medidas judiciais para conseguirem repasses financeiros, dos quais têm direito. Mesmo quando instituições como a Fundação Nacional do Índio (Funai), conquista vitórias nos tribunais, as grandes empresas conseguem liminares e revogações que impedem decisões anteriores de se tornarem reais na prática – algo mais do que comum para quem está acostumado com a justiça nacional.
Apoiadas pelas mídias fortes, como a revista Veja do dia 29 de março, empresas como a Companhia Vale do Rio Doce e a própria Aracruz não têm seus casos explicitados com a mesma ênfase quando contra-atacam manifestações de índios em terras que a Funai já contesta há muito tempo como de direito das etnias, tratadas pela mesma Veja como chantageadoras que tiram milhões de empresas; a revista Época vai pelo mesmo caminho e relata em sua matéria do dia 20 de março que o cacique Vilson de Oliveira, da aldeia Caieiras Velha, “fala português, usa celular, mora em casa de alvenaria e quando negocia com a Aracruz se apresenta como Jaguaretê, – seu nome em dialeto tupiniquim – pinta o corpo e usa cocar”.
Nesse ponto a polêmica começa a ficar ainda mais evidente, quando alguns defendem os índios ao considerarem que eles são realmente corretos em suas reivindicações, tendo direitos históricos e sociais às áreas que requisitam; enquanto isso, do outro lado, existem os que os acusam de serem considerados “crianças sem malícia”, que chantageiam as multinacionais para conseguir benefícios financeiros, como claramente se posicionou novamente boa parte da mídia, não somente nas revistas, como também nos jornais, mesmo que de forma menos explícita.

Motivos – Em janeiro deste ano, precisamente no dia 20, índios tupiniquins e guaranis ocuparam a fábrica da Aracruz no Espírito Santo, pedindo a ampliação de suas reservas de 7 mil hectares para 18 mil, porém a empresa teve ao seu lado documentações que comprovaram que era de seu direito judicial 95% das áreas requisitadas, como informou a revista Veja em sua matéria sobre o assunto. Ao não obter êxito em âmbitos judiciais, a única alternativa desses grupos é partir para atos mais extremos, como invasões e ocupações, tão temidas pelos grandes empresários, diretos causadores de seus próprios temores. Com isso, a mídia tende a tomar decisões equivocadas, mesmo que não intencionalmente em algumas vezes, principalmente quando a notícia é quente e dada sob pressão do tempo, como grande parte das matérias sobre a manifestação da Via Campesina e outras ocupações do MST, por exemplo.
A explosão de manifestações que ocorrem nos últimos tempos não param apenas ao se comentar sobre a Via Campesina ou as batalhas travadas entre multinacionais e etnias indígenas; o MST está em plena atividade, realizando ocupações e também a chamada Jornada da Luta, iniciada em março para lembrar os 10 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 integrantes do MST foram assassinados no Pará. Até o momento ocorrem 28 ocupações e mais de 4 mil famílias estão acampadas somente no Pernambuco, segundo informações da página virtual do MST.
A história do MST diz por si só por quais razões ocorre nos dias de hoje essa sucessão de manifestações, que tomam conta de diários e noticiários: por tanto serem menosprezados em meios políticos, apenas o radicalismo é capaz de chamar a atenção de meios de veiculação de informação – com isso formadores de opinião – tão fechados e cada vez mais despreocupados com a qualidade e a imparcialidade da notícia.
Então o que escolher nesse confuso labirinto? A tecnologia que pode fazer avançar o setor agroindustrial brasileiro, mesmo que de forma tão prejudicial, ou optar pela não aplicação de investimentos nesse setor, o que em teoria ao menos aliviaria o meio ambiente brasileiro de determinadas agressões? Sem contar na justiça que teriam etnias indígenas, mesmo depois de tantos séculos de repressão. Parece que em um primeiro momento, a população que enfrenta esse tipo de conflito de perto, escolheu pela primeira opção, já que os trabalhadores pensam no lado financeiro desse avanço industrial, ao passo que grande parte deles não parecem se importar com as conseqüências futuras desse tipo de “evolução”.

BOX: Algumas ideologias da Via Campesina

Abrangendo organizações camponesas de agricultores, trabalhadores agrícolas e comunidades indígenas, esse movimento internacional tem como principal bandeira o apoio da produção de alimentos sadios (livre de mudanças genéticas e do uso de agro-tóxicos), ao mesmo tempo em que procura manter a produção adaptada à cultura dos países em que atua.
É um grupo que não defende uma agricultura tecnológica, recorrendo a um esti-lo mais natural, na intenção de causar o menor dano possível à terra; defende que os camponeses devem ter voz ativa em discussões sobre políticas agrícolas e alimentares, algo que há muito tempo é batalhado, não somente pela própria Via Campesina, como também por movimentos de trabalhadores rurais de forma geral.
Atualmente estão ativos muitos fóruns que visam mudar, ou ao menos tentar mudar, os aspectos mais conservadores que caracterizam esse grupo, principalmente quanto ao uso de novas tecnologias e ferramentas, que muitas vezes podem significar diretamente na melhoria de técnicas agrícolas, realizando discussões sobre a regula-mentação da prática da biodiversidade, principalmente dentro do aspecto da ma-nutenção ou não de recursos transgênicos na agricultura.
José Bové, um dos fundadores da Via Campesina, explicita de forma bastante clara as idéias desse grupo quando comenta sobre reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do Acordo Geral do Comércio dos Serviços (AGCS): o movimento procura erradicar a agricultura que tenha a mercantilização como fundamento e para alcançar isso, tanto realiza atos de rua como age na área política, participando de fó-runs e assembléias, junto de outras ONG’s.

Reforma agrária segundo a Via Campesina – segundo as idéias do movi-mento, os locais onde não ocorreram reformas fundiárias são ainda reféns de certos problemas, evidentemente como a concentração da propriedade da terra para uma mi-noria da população, que não tem condições de usurfruir de tanto potencial: um ponto em comum com as ideologias do Movimento Sem Terra (MST).
De acordo com pensamentos desse movimento, o acesso à terra por parte dos camponeses deve ser entendido como a garantia de valorização de sua cultura, o que valorizaria a preservação de recursos naturais, assegurando qualidade de vida às pró-ximas gerações. Em época de diversos acontecimentos como a IV Assembléia Geral da Via Campesina e o Fórum Social das ONG’s, a Via Campesina deve defender todas es-sas idéias diante do secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em uma reunião que promete ser um momento histórico para o movimento.