6 de mar de 2009

C.M. : um perfil

Sempre que se ouve falar em Votorantim, o nome remete à bilionária empresa de Antonio Ermírio de Moraes, um dos dez homens mais ricos do Brasil. Poucos sabem, porém, que esse é o nome de um município de mais de 100 mil habitantes, que se emancipou de Sorocaba em 1963.
E foi nesse antigo distrito industrial que, em 1987, nasceu C. M. . E teve uma infância típica interiorana: jogos de futebol no campo de terra do bairro, brincadeiras em ruas tranqüilas. E seu sotaque, hoje menos acentuado por viver em São Paulo há três anos, ainda o faz lembrar dessa época que parece tão distante.
Até os 14 anos, como muitos garotos do interior paulista, torcia por um dos times da capital. Mas surgiu a vontade de acompanhar uma equipe local. E o escolhido foi o tradicional São Bento.
Outro motivo para essa escolha foi que o São Paulo, seu primeiro time, nunca jogava em Sorocaba. C. M. era um dos poucos garotos que o escolheu o São Bento. A maioria torcia pelo Atlético Sorocaba, arqui-rival, fundado apenas 1993. Um time bem estruturado e que recebia mais dinheiro dos patrocínios.
Mas a raça beniditina fez a diferença para C. M. na escolha do time do coração. A final do Campeonato Paulista da série A-3, em 2001, contra o Olímpia, foi auge da equipe nos últimos anos. E C. M. esteve presente no grande jogo.
O São Bento chegou recentemente à primeira divisão do Paulistão e foi campeão da Copa Federação Paulista. Mas o clube passa por problemas financeiros atualmente. Indagado sobre prefeituras que ajudam os times de suas cidades, C. M. não pensa duas vezes: “Não tem que ajudar não. É dinheiro público”.
E como os mais fieis torcedores são aqueles acompanham o time na fase mais difícil, ele faz questão de ouvir todos os jogos do São Bento por uma rádio na internet, mesmo com o delay de vários segundos e a iminente ameaça do rebaixamento para a terceira divisão do Paulistão.
Aos 18 anos veio a grande mudança de sua vida: o garoto do interior veio estudar jornalismo na PUC de São Paulo. O sonho de infância de ser piloto de Fórmula 1 foi impossibilitado por condições financeiras. Achou uma alternativa profissional: “quero ser repórter de jornalismo esportivo, com ênfase em automobilismo”.
Os primeiros meses foram difíceis. Sem moradia na capital, ele acordava todo dia às 4 da manhã. Enfrentava o frio da madrugada sorocabana e desembolsava cerca de R$ 12,00 diariamente pelas passagens de ida e volta. Ao chegar em São Paulo, enfrentava a brutal subida da Rua Cardoso de Almeida, desde a Barra funda até a PUC.
Mas o sofrimento foi recompensado. Ele se mudou com a família para um confortável apartamento há cerca de cinco minutos da universidade, local que mora até hoje.
“Me adaptei facilmente em São Paulo, mas sinto falta do resto da minha família do interior, que agora vejo com menos freqüência”. C. M. costuma visitar sua cidade natal duas vezes por mês.
Fã do programa humorístico da MTV Hermes e Renato, C. M. tem como hobbies jogar Playstation 2. Seus jogos prediletos são Winning Eleven, Gran Turismo e Jackass. Ele inclusive já realizou diversos campeonatos em sua casa, muitos deles marcados por polêmicas, brigas e interrupções.
C. M. escreve desde 2006 no Blog Androceu. Sua entrada na blogosfera foi influenciada por uma tendência dos calouros de jornalismo da época. Conhecido por seus textos polêmicos e considerados até reacionários por alguns de seus críticos, ele fundou outro blog, hoje abandonado: Ajev Atsiver (Revista Veja ao contrário). A referência à publicação conservadora fez com que sua opção ideológica fosse colocada em xeque por seus colegas universitários.
C. M. se diz desanimado com o curso de jornalismo e com a profissão. Já estagiou em duas empresas que foram à falência. “Nos últimos tempos tenho procurado trabalhos na área, mas está difícil...”. A crise financeira atingiu em cheio a área de comunicação e as oportunidades foram reduzidas drasticamente.
Aos 22 anos, ele se diz especialmente triste com o mercado de trabalho: “Pretendo seguir procurando emprego. Caso não consiga, prestarei concurso público”.

3 comentários:

J.C. disse...

C.M falou de sua vida se em NENHUM momento cita J.C, isso é um absurdo!
A.M você deveria ter tocado neste que é o melhor assunto na vida de C.M

Sem mais

J.C.

A.M. disse...

Caro professor de IPT J.C., peço desculpas pela falha.

M.F disse...

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaa