31 de mai de 2010

Questão

Todos falam da questão
A questão do pré-sal...
A questão da educação...
A questão da segurança pública...
Questão, invariavelmente, vem na frente de coisa importante.
O que deve ser discutido vem acompanhado da Questão.
A questão da reforma agrária é coisa séria. A questão do Pato Donald não ser um pato, mas um ganso, não é questão.

A questão não é democrática. Proponho aqui uma questão: a democratização da questão!

29 de mai de 2010

Um dia como cleaner em Londres




O trabalho pode ser de m..., mas o sorriso continua.


 - The next station is St. John's Wood.



Desliguei o tocador de MP3 e olhei para o lado. Amanda definitivamente não estava nada contente com aquela situação. Tentei puxar papo, em inglês, mas ela não estava afim de conversa. Dei um suspiro e sai do vagão.


Saindo da estacão, peguei o papel com as informações do que seria o meu primeiro trabalho em Londres: cleaner em um estadio de críquete, o esporte da realeza britânica, na zona norte da cidade. Alem dessas informações, o nome do meu empregador, o telefone dele para contato e um mapinha de como chegar no Lord's, o apelido do estadio.


Teoricamente deveria chegar ao metting point as 18:30 para o cadastro, mas devido a um problema em uma das estacoes, só consegui atingir o estadio as 18h55. “Me fudi”, pensei.


Marcelo, o meu empregador, era um caso raro de brasileiro: nascido em Minas Gerais em Ipatinga, se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança e por isso carregava no sotaque uma mistura do tipico sotaque mineiro com o fluminense.

- Sinto muito garotos, mas como vocês se atrasaram tive que colocar outras pessoas nas vagas de vocês. Mas vou falar com o meu supervisor e ver se consigo encaixar em voces em outros grupos.



Enquanto Marcelo atravessava a rua e conversava com seu chefe, dei uma boa olhada nas pessoas que se preparavam para entrar na arena. De quase todas as idades e falando principalmente espanhol e português, a única coisa comum naquelas pessoas era uma camisa azul GG, não importando o tamanho da pessoa, com o logo da empresa.


De longe, ouvi Amanda me chamar. Caminhei ate ela e Marcelo e vi que havia mais uma pessoa junto aos dois. Ele se chamava Pablo e era o chefe de um outro grupo.


Marcelo nos explicou rapidamente a situação. O grupo dos brasileiros estava lotado, mas ainda haviam vagas para o grupo dos colombianos e perguntou se estávamos interessados. Respondi que sim rapidamente, enquanto Amanda deve ter sentido o cheiro de cilada antes de concordar sem muita animação com a cabeça.


Recebemos a nossa camiseta azul extra grande e fomos apresentados ao resto do grupo. Contando comigo, eramos 21 smurfs. Muitos velhos, alguns garotos e duas meninas que facilmente se passariam por brasileiras. Puxei papo com uma delas. Claudia, 20 anos, esta ha dois meses em Londres aperfeiçoando seu inglês. Formada como contadora em Caracas, rompeu um namoro de cinco anos antes de embarcar e não pensa em namorar tao cedo. Havia sabido da vaga por sua colega, a outra colombiana e aquele não seria seu primeiro trabalho em Londres, já que havia trabalhado como garçonete em um evento em sua segunda semana.


Tivemos que parar o papo para a revista dos policias. Inicialmente ele se dirigiu a mim em espanhol, mas vendo a minha cara de “what the hell...” voltou atras e começou a falar em inglês. Pediu minha mala, abriu um zíper, viu que não carregava nenhuma bomba e me liberou para ser revistado por uma mulher com um detector de metal. Apesar de estar com o bolso cheio de moedas, o aparelho não tocou nenhum vez.


La dentro fomos levados para a arquibancada superior e recebemos as informações do trabalho: teriamos primeiro que catar todos os objetos grandes, depois passar uma vassoura e por fim um pano para pegar as migalhas. “Molezinha. Vai ser as 11 libras mais facies que eu vou ganhar na vida”, pensei. Ledo engano.


Para quem não sabe o salario minimo inglês, isso e, o salario do imigrante, e de cinco libras e oitenta centavos menos impostos. O que no final das contas da umas cinco libras por hora. Fazendo as contas rápidas no papel, se você trabalhar 40 horas semanais, 20 dias por semana, você ganharia aproximadamente mil libras, ou 2700 reais. Isso fazendo coisas como faxina, garçom, entregando folhetos e coisas do gênero. Agora eu pergunto: pra que eu fiz faculdade mesmo?


Peguei um saco plastico e me dirigi para o corredor mais alto e comecei a pegar os copos e jogar dentro dele. O primeiro saco se encheu praticamente sozinho. O segundo com um pouco mais de esforço e no final do terceiro saco (e eu ainda estava no meio da primeira arquibancada) eu já começava a me sentir enjoado com o cheiro de mistura de café, cerveja e frutas esmagadas que exalavam do chão que eu limpava. Olhei para baixo e vi que Amanda também estava com problemas. Fiz um sinal com a cabeça e ela começou a trabalhar uma fila abaixo da minha. Se o cheiro era ruim, pelo menos tinha uma cia para conversar, ou melhor, reclamar a cada cinco minutos que não precisava fazer aquilo para sobreviver em Londres.


Max Weber certa vez escreveu que o trabalho dignifica o homem. Com certeza ele nunca viu a limpeza de um estadio para escrever tais palavras. Enquanto xingava o meu xara, levantei a cabeça para respirar e vi a cena mais nojenta da minha vida. Perto da entrada, existia agora a maior montanha de lixo que já vi vida. Eram sacos e sacos cheios de copos de cerveja, café, vinhos e diversas comidas. Uma cena surreal. Porem, o que quase me fez vomitar foi um colombiano careca comendo metade de um sanduíche que ele encontrou em um saco e tomando uma cerveja que claramente ele não pagou na maior cara de pau.


Ouvi a voz do meu chefe me chamar em espanhol. Respondi em inglês e perguntei aonde estava a vassoura, mas devido ao silencio de Pablo tive que perguntar em portunhol para descobrir que não haviam vassouras disponíveis para todos e teria e levar todos os sacos ate o elevador para serem despachados para a rua. Tetando não vomitar com o cheiro, gastei a meia hora seguinte carregando os sacos ate o elevador aonde um paraguaio ancião cuidava da descida do lixo.


Seu nome era Javier, 65 anos, e estava ha dois anos em Londres. Aquele era apenas um de seus quatro trabalhos em Londres, já que alem de ser cleaner no Lord's, ele também trabalha como garçom em um restaurante em Picaddily e lavador de pratos de um pub perto de sua casa nos finais de semana. Ao todo faz cerca de 40 horas de serviço semanalmente, o que o coloca na situação de ilegal, já que o máximo que um visto permite são 20 horas semanais.


Ele porem não se importa com isso. Perguntado com o que faz com o dinheiro, Javier diz que manda tudo para os seus filhos, na cidade de Cerro Cora, e espera poder voltar para casa em breve para ter uma aposentadoria de um rei.


Terminamos a tarefa e vamos para o anel inferior do estadio. Ao contrario do anel superior, a situação parece mais confortável, já que o resto da equipe já varria os corredores.


Peguei uma vassoura e comecei a varrer os corredores. Quinze minutos depois o meu corredor estava brilhando sem nenhum pó, mas parecia que Pablo não estava disposto a liberar o seu grupo antes das 21h30. E o meu relógio marcava exatamente 20h30. Sem ter o que fazer comecei varri o ar do corredor e não contente varri mais uma vez, enquanto Pablo dava ordens em espanhol atras de mim.


O relógio marcava 21h25 quando fui liberado. Entreguei o material para o brasileiro que cuidava do almoxarifado e me arrastei ate a estacão, mas antes disso tive que ouvir meu chefe me aconselhar a descansar bem pois aquele havia sido um dia leve e amanha eu deveria esperar muito mais lixo. Quase mandei um fuck off pra cima dele, mas a chance de ganhar mais algumas libras falou mais alto.


Todos os meus ossos doíam. E muito. Descendo a escada rolante, tive a única boa surpresa do dia. Quase no final dela, um pacote semiaberto passava despercebido pela multidão. Curioso, rasguei um pouco do papel e não consegui esconder o sorriso. La dentro alguns pacotes saladas estavam fechadas e prontas para o consumo. “Ganhei um jantar de graca”, comemorei.


Ofereci um pacote para Amanda e ela aceitou. Sentamos em uma das cadeiras da Jubille e como reis comemos nosso jantar ali mesmo, pouco se importando com o que as pessoas pensavam ao olhar para nos.





- "Please mind the gap between the train and the platform.This train is leaving now.”

28 de mai de 2010

The Spottaccios: pré-estreia


Bom dia, boa tarde ou boa noite. Aqui tem início mais um ambicioso projeto do Grupo Androceu (que não dará em nada). The Spottaccios é a primeira novela androcêutica em sua Era Moderna, após o épico-interminável A Saga de um Cirilo, escrito pelo israelense Max Fischer e publicado no já apagado Blog Androceu na Era Antiga. Dividido em três trilogias, os nove episódios dessa série (ah, não me diga) retratam uma história real que nunca aconteceu. Todos os nomes dos personagens são fictícios e qualquer semelhança com a realidade é apenas mera coincidência (bota coincidência nisso). Tenho o prazer de apresentar nesse dia, tarde ou noite, o nascimento de uma nova saga. Senhoras e senhores, moças e rapazes, meninos e meninas, The Spottaccios!

(insira agora em seu toca-fitas a trilha sonora de The Godfather)



Ué? Puta que pariu, aperta o play aí, filho da puta! Rará, minhas desculpas, caro espectador, tivemos um pequeno problema técnico em nossa central. Mas fica aqui marcado nosso encontro, neste mesmo canal, neste mesmo horário. Faça sua prece, seja qual for sua religião! Haja coração, é teste pra cardíaco, meu amigo da TV Androceu. Na semana que vem, aguarde a estreia mais esperada (falando em termos de tempo mesmo) do ano! The Spottaccios! (vaias)

Enquanto isso, fique com nossa próxima atração, Anatolyevich Khil!

20 de mai de 2010

Cartola Androceu

Você tem 29 jogadores (todos os estrangeiros que jogam a Série A do Brasileirão desse ano) e uma missão: escolher os 11 titulares desse time. Qual seria sua escalação? Eis abaixo os candidatos:

Atl.Mineiro
Carini (G), Benitez (Z), Cáceres (Z) J.Campos (Z), Méndez (M)
Atl.Paranaense
Valencia (V), Toledo (A)
Botafogo
Abreu (A), Herrera (A)
Corinthians
Balbuena (LD), Escudero (LE), Defederico (M)
Cruzeiro
Guerrón (A)
Flamengo
Maldonado (V), Fierro (M), Petkovic (M)
Fluminense
Conca (M)
Goiás
Rojas (V), Johnson (A)
Internacional
Abbondanzieri (G), Sorondo (Z), B.Silva (LD), Guiñazú (V), D'Alessandro (M)
Palmeiras
Figueroa (LD), Armero (LE)
Santos
Breitner (M)
São Paulo
A.González (LD)
Vitória
Viáfara (G)

Eis minha escalação em 4-4-2
Carini (G); Sorondo (Z), Cáceres (Z), B.Silva (LD), Escudero (LE); Guiñazú (V), Maldonado (V); D'Alessandro (M), Petkovic (M); Abreu (A), Herrera (A).

18 de mai de 2010

Separados no nascimento (28673)


Ben Affleck e Gene Kelly (ou seria o contrário?)

Esse foi O filme: Amadeus



Grandioso. Se tivesse que ser sucinto ao extremo, essa seria a palavra que usaria para definir o filme Amadeus, de 1984, um dos poucos do fantástico diretor checo Miloš Forman, que anda meio esquecidão. Até ontem, ao rever esse filme, não havia pesquisado muito sobre sua carreira, mas já sabia que ele havia sido o diretor de outro clássico (mas, na minha opinião, menos importante que Amadeus), Um Estranho no Ninho. Nesse último, acho que Jack Nicholson sobresairia sobre qualquer direção, ao contrário de Amadeus. Não que Forman não tivesse um ótimo “ator principal”, Fahrid Murray Abraham (que não fez grandes filmes, mas em Amadeus mostrou todo o talento que poderia mostrar), mas não havia grife alguma para que o filme desse certo se dependesse apenas de grandes nomes do cinema americano.

Ao contrário do que os desavisados podem imaginar, Amadeus não é muito bem um filme biográfico sobre a vida de Wolfgang Amadeus Mozart, na minha opinião um dos quatro maiores compositores da música clássica (ao lado de Bach, Beethoven e Tchaikovsky). Na realidade o script do filme foi inspirado em montagem teatral de Peter Shaffer, na qual Antonio Salieri, um vilão à moda antiga, teria causado a morte de Mozart. Tão forte foi o filme que muitos ainda acreditam na versão de que a última composição do mais genial músico austríaco de todos os tempos, o Requiem K626, seria uma encomenda para sua própria missa de sétimo dia. Vale lembrar que Mozart foi um dos primeiros, senão o primeiro músico “profissional”, a ser um freela, ou seja, a não ser sustentado pela aristocracia, pelas côrtes. Logo, vivia como podia, empobrecido e cheio de dívidas, de encomendas populares. Imagina pagar alguns “merréis” para ter uma composição de Mozart?

Como toda lenda de tempos bem antigos, a morte de Mozart gera controvérsias até hoje. Muitos boatos e suposições explicariam isso, mas no filme isso não teve grande importância. Ponto muito positivo. Esse é um filme sem falha alguma em fotografia e, obviamente, com uma trilha sonora impecável. As Bodas de Fígaro, Don Giovanni, A Flauta Mágica, A Clemência de Tito e o Requiem são as obras mais exploradas. Pudera, foram, sem dúvida, as que o puseram no clã dos gênios unânimes. Algumas “falhas” perante sua biografia real são perdoadas, como a aparição de apenas um de seus filhos durante o desenrolar da história, inclusive em sua morte. Ele teve seis ao todo. Outro “defeito” seria a ausência de seu discípulo Franz Süssmayr, quem seria o músico quem o auxiliaria a dar continuidade, horas antes de sua morte, à composição do Requiem. No filme, repleto de aspectos lendários, Salieri o auxiliaria nesse processo. No filme, ainda se têm a impressão de que o Requiem teria composição de Mozart até Confudatis, sétimo ato. Alguns relatos históricos apontam que Süssmayr teria que concluir muito mais que isso, mas nada conclusivo. Essa questão ainda gera muitas polêmicas até hoje.

Mas, aos que leem e dizem, “mas então o filme é cheio de defeitos?”, respondo: negativo, como já havia dito antes, não é um filme biográfico, apesar de possuir, obviamente, muitos dados historicamente comprovados (em sua maioria). Sua riqueza transcende aspectos históricos. Por exemplo, até agora não sei descrever quem seria mesmo o personagem principal: Salieri ou Mozart? Para a Academia, esse papel foi de Salieri, mas tanto Murray Abraham quanto Tom Hulce foram nomeados ao prêmio como principais. Foram oito Óscars conquistados dentre dez possíveis (foram onze indicações, mas não havia como dois atores ganharem um prêmio só). Perderia em fotografia e edição. Em ambos os quesitos, o filme também é magistral. Além de grandioso, poderia defini-lo como indispensável a todos os que adoram cinema. Olha que tenho um “pósconceito” à Academia pelos prêmios nos últimos anos. Assumo ser um pouco injusto, pois não há mais grandes filmes todo ano, como antigamente era comum. Não é culpa deles e sim da indústria cinematográfica. Quiçá filmes como esse fossem lançados todos os anos. Um de meus dez maiores filmes de todos os tempos.

Uma vez Dick, sempre Dick



O vídeo ai de cima e a ultrapassagem de Michael Schumacher encima de Fernando Alonso no ultimo Grande Premio de Mônaco, realizado no ultimo domingo, 16 de Maio. Para quem não se lembra havia acontecido um “pequeno” acidente entre Trulli e Chandhok e o Safety Car se encontrava na pista; contudo, para não termos aquela imagem feia de passar primeiro o SC e depois o vencedor da prova ( eu juro que imaginei o Galvao gritando: e o Safety Car vence o grande premio de Mônaco), ele normalmente se retira e os pilotos seguem o riscado como se ele ainda estivesse na pista. Qualquer piloto inciante sabe disso...
Contudo, parece que o senhor “sete-vezes-campeao-do-mundo-e-sorri-no-dia-que-o-Senna-morreu” se esqueceu dessa regra e ultrapassou Fernando Alonso para conseguir um glorioso sexto lugar para a sua Mercedes.
A ultrapassagem, logicamente, foi posta em analise, e poucas horas depois saiu o veredito: Schumacher teria 20 segundos acrescentados ao seu tempo total de prova. Ou seja, perdeu o sexto lugar, perdeu o setimo lugar, perdeu o oitavo lugar, o nono lugar e o decimo lugar. Ou seja, ficou fudido, mal pago e feio na foto.
Sabor de derrota para Shummy e de alegria para Alonso. Por sinal, apenas elogios para o espanhol que depois de ver seu GP ser jogado pelo ralo no Q2 fez uma estrategia brilhante e saiu com o sexto lugar. Esta agora ha apenas tres pontos dos dois pilotos da RBR na classificação geral.
Contudo, para um certo piloto a punição teve um ar de vingança. Damon Hill, que foi uma das vitimas de Dick Schumacher no comeco dos anos 90. E nada melhor que rever como Shummy ganhou seu primeiro campeonato na mão grande, para não dizer outra coisa....





13 de mai de 2010

As quatro tartarugas da F1



Um difícil início de temporada para os brasileiros. Pode ser sintetisado assim os primeiros embates que os pilotos tupiniquins tiveram na Fórmula 1. Ou seja, esse texto traz apenas uma constatação: quem esperava ver os pilotos brasileiros brilharem esse ano (como a Globo vende, falando aquele monte de baboseiras como “esse ano o Brasil tem quatro representantes!” e blá blá blá), têm a oportunidade de ver apenas um vexame. Nem contra seus companheiros a coisa vai pra frente, muito menos se colocada na parada a Red Bull, a Mercedes, a Renault e assim vai.

Massa está irreconhecível nesse ano, muito lento, com exceção apenas da primeira etapa do Mundial (algo que fatalmente excluiria a possibilidade de ele ainda estar se reabilitando do acidente que sofreu em 2009). Não se discute que Fernando Alonso é MUITO mais piloto que Massa, mas pior que perder por quatro a um dos treinos e três a dois nas corridas, são as diferenças de tempo impostas pelo espanhol nos treinos livres. Oito, nove, sete, cinco décimos em TODO santo treino. Apostaria minhas fichas que Felipe Massa já vai dando adeus ao time italiano para, em 2010, dar seu lugar de bandeja a Vettel.

Outro que anda muito lento é Rubens Barrichello, mas mais lento ainda é seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg. Apesar disso, nos treinos o alemão ainda conseguiu manter sua desvantagem sustentável, em três a dois ao velho experiente Rubinho Pédechinello. Nos domingos, um claro passeio do brasileiro em uma goleada quase tão sonora quando a de Glock em cima de Di Grassi na Virgin: quatro a um. Nada que dê muito crédito a Barrichello, mas indiscutivelmente, é o ÚNICO que está se dando bem nos duelos internos.

Nas batalhas pelas posições no grid, a situação mais vexatória é a do inexperiente Lucas di Grassi, que tem, nada mais nada menos, Timo Glock como companheiro de equipe. São cinco sapatadas do alemão pra cima do brasileiro. Situação que se atenua bastante nas corridas. Apesar de ser mais veloz que as Hispanias, a Virgin não consegue terminar provas. Terminou apenas duas, uma com cada piloto, logo, empate nos domingos.

Falando em Hispania, um duelo que parecia ser moleza para Bruno Senna acabou por se tornar dificílimo. Apesar de ter começado mais veloz, Bruno já foi alcançado pelo indiano. Nos sábados, perde por três a dois, uma situação que pode mudar em Mônaco, onde Bruno já tem experiência em GP2. Nas corridas, esse triste carro da Hispania terminou apenas três vezes, duas com Chandhok, uma com Bruno. Mais uma derrota ao brasileiro em dois a um.

Em Mônaco, no primeiro treino, Alonso foi o mais rápido, obviamente ganhou mais uma do 5º colocado Massa, Barrichello ficou em 12º, quatro posições a frente de Hulkenberg, Glock marcou o 19º tempo, colocando novamente as Lotus na poeira e logo em seguida Di Grassi, e Bruno ficou em penúltimo, apenas à frente do fraco, mas não morto, Chandhok.

No segundo treino, muita coisa mudou. Alonso novamente com o melhor tempo e Massa em 4º. Hulkenberg deu o troco em Barrichello e conseguiu ficar em 13º, uma posição a frente do brasileiro. Di Grassi conseguiu um milagre e ficar em 20º, também uma posição a diante de Glock. Chandhok também deu o troco em Bruno, só que ao contrário dos dois décimos que perdeu no primeiro treino, colocou oito no brasileiro. Enfim, nada disso importa muito, vale apenas para comparação o treino de sábado e a esperada corrida no domingo. Se eu tivesse que apostar nos tupiniquins ou gringos, daria gringos na certa.

12 de mai de 2010

Uruguai rumo ao Tri Mundial!


Saiu a convocação da Celeste Olímpica para o próximo Mundial:

Goleiros: Rocha e Ventura.
Defensores: Ruiz, Ancheta, Rivas, Vargas, Cortes e Umberto.
Meias: Castello, Munoz, Grieco, Caetano, Ruiz, Silva, Mateos e Alario.
Atacantes: Yanez, China, del Pozo e Zamon.

Obs: Esse post tem uma pegadinha. O primeiro comentário que
conseguir decifrá-la irá ganhar um par de ingressos para a partida
entre Argélia e Eslovênia, válida pelo grupo C da próxima Copa.

Chavez e o venezuelano com mais seguidores no Twitter




Era so o que faltava. Lendo as noticias da BBC Londres vi que o mandatario mor e aprendiz de Fidel Castro (expressao usada por um colega venezuelano ao perguntar a opiniao dele sobre o seu presidente), Hugo Chavez resolveu aderir ao Twitter, ou Twister como diria um saudoso (not!) professor de direito.


Segundo a reportagem da BBC, Chavez ja conta com 250 mil seguidores e este numero deve chegar a 1 milhao ate o final do mes. Eu aposto que Pedrao Bobao e Fabio estao entre eles e sao responsaveis por algumas das 50 mil menssagens que o presidente ja recebeu. E para quem pensa que o presidente esta sendo xingando a torto e a direito, o mesmo afirma que “apenas” 18% das menssagens recebidas sao hostis e ele simplesmente “ nao se importa (com elas), ja que e uma forma de ficar em contato com o mundo”. Agora eu pergunto quem e o infeliz ou macho para caraleo que gasta tempo xingando o Chavez via Twitter.


E nao bastasse isso, segundo outra reportagem da BBC, o mandatario ja convidou seus amiginhos Evo Morales e Fidel Castro para entrarem na bricadeira.


Outro dado que chama a atencao e que o governo contratou 200 pessoas para apenas ficarem lendo o que escrevem para Chavez. Olha aluno superando o mestre (nao o Lula, mas o povo de Brasilia) na arte de criar empregos cabides...


O microblog do presidente ja causa furor em seus adversarios politicos. Segundo Juan Jose Molina, Chavez “deveria gastar seu tempo cuidando do pais, nao do seu Twitter”.


Segundo o correspondente da BBC em Caracas, muitos venezuelanos pobres estao achando que sera mais facil ter seus desejos atendidos, pois basta escrever um texto de 144 caracteres e manda-lo para @chavezcandanga e tudo sera resolvido.

11 de mai de 2010

EXCLUSIVO! Convocados para a Copa do Mundo de Showbol 2010!



Boa tarde a todos, declaro minha felicidade em, GRAÇAS A DEUS, anunciar meus 11 convocados para a Copa do Mundo de Showbol 2010. Acredito que o Brasil SEJE COM CERTEZA um time muito coeso e o GRUPO TÁ FECHADO. Vamos entrar RESPEITANDO DOS ADVERSÁRIO e com certeza VAMOS EM BUSCA DOS TRÊS PONTO que serão muito importantes para A GENTE DAR MUITA ALEGRIA PARA ESSA TORCIDA MARAVILHOSA.

01 DIDA (36) MILAN (ITA)
02 R.CARLOS (37) CORINTHIANS (SP)
03 CRIS (32) LYON (FRA)
04 R.JUNIOR (33) ITUANO (SP)
06 BELLETTI (33) CHELSEA (ING)
05 Z.ROBERTO (35) HAMBURGO (ALE)
07 EDMILSON (33) ZARAGOZA (ESP)
08 J.PERNAMBUCANO (35) AL-GHARAFA (QAT)
10 RIVALDO (38) BUNYODKOR (UZB)
09 RONALDO (33) CORINTHIANS (SP)
11 JARDEL (36) FLAMENGO (PI)

Sem surpresas, Brasil tem seus 23 convocados


Dunga, como era de se esperar, não surpreendeu na convocação

Quando os 23 nomes dos convocados foram anunciados, tinha eu feito uma lista dos que eu achava que seriam convocados. Errei apenas dois, Thiago Silva e Grafite. Nesse momento não sei se ele fez certo ou errado, mas eu entendi sua metodologia de convocação. Irei contra uma maré que julgo um pouco burra de comentaristas que desejavam a convocação de Roberto Carlos e Neymar e outros mais inteligentes que queriam Paulo Henrique. Dunga fez o certo, Copa do Mundo não é para testes, para que o Neymar ganhe experiência para 2014. A Copa é agora e o Grafite fez bons jogos pela Seleção, coisa que vale muito em Copa. Não dá pra arriscar agora.

Outro ponto que julgo interessante em sua convocação foi a ausência dos baladeiros. Os jornalistas da imprensa televisiva brasileira possuem memória curta. Em 2006, o Brasil perdia da França com um time sem garra, sem desejo de ser campeão. Enquanto o país chorava, Ronaldinho Gaúcho ria, Adriano estava com a cabeça em algum baile funk e o Ronaldo em algum frango assado (apesar de eu não o considerar um dos culpados pelo vexame na Alemanha, porra, o cara fez gols, ao contrário de outros chinelinhos). Dunga foi contratado justamente para pôr ordem na casa. Seria uma contradição a esse desejo geral da nação se convocasse Ronaldinho, Pato e Adriano. Como diria Nelsinho Baptista, são laranjas podres. Vê se tem algum hoje na Seleção? Talvez só o Robinho, que saiu rindo e abraçando ao Zidane em 2006, mas de resto, só “jogador de Deus”.

Enfim, uma lista óbvia e que faz todo o sentido em se tratando de Dunga. Paulo Henrique e Neymar serão grandes jogadores, mas não devem jogar a Copa nem em caso de lesão de outros convocados. Acredito que se algum meia machucar, Ronaldinho Gaúcho seria o convocado de Dunga. Acho que talvez o Adriano seria o convocado no lugar de algum lesionado no ataque. Mas torço para que não ocorra nenhuma lesão, pois o time que entrará em campo pode não ser espetacular, mas é aguerrido e se perder, algo natural, não vai sair da Copa rindo como o de 2006. Vejo o Neto e o Edmundo falando que a Seleção não tem um jogador criativo além do Kaká, mas em 2006 tínhamos vários e não adiantou nada, as pessoas precisam lembrar disso. Na Copa, não vale tanto a importância individual dos jogadores e sim o comprometimento de cada um para vencer as verdadeiras guerras que estarão diante de nós na Copa.

Goleiros
Julio Cesar Soares Espíndola - 47 (00) - Inter-ITA
Doniéber Alexander Marangon - 10 (00) - Roma-ITA
Heurelho Gomes - 09 (00) - Tottenham-ING

Laterais
Maicon Douglas Sisenando - 56 (05) - Inter-ITA
Daniel Alves da Silva - 33 (03) - Barcelona-ESP
Michel Fernandes Bastos - 03 (00) - Lyon-FRA
Gilberto da Silva Melo - 32 (01) - Cruzeiro-BRA

Zagueiros
Lucimar Ferreira da Silva - 89 (04) - Inter-ITA
Juan Silveira dos Santos - 73 (06) - Roma-ITA
Anderson Luís da Silva - 40 (03) - Benfica-POR
Thiago Emiliano da Silva - 06 (00) - Milan-ITA

Volantes
Felipe Melo de Carvalho - 16 (02) - Juventus-ITA
Gilberto Aparecido da Silva - 86 (03) - Panathinaikos-GRE
Josué Anunciado de Oliveira - 26 (01) - Wolfsburg-ALE
José Kléberson Pereira - 31 (02) - Flamengo-BRA

Meias
Elano Ralph Blumer - 41 (06) - Galatasaray-TUR
Ricardo Izecson dos Santos Leite - 76 (26) - R.Madrid-ESP
Ramires Santos do Nascimento - 11 (00) - Benfica-POR
Júlio César Baptista - 45 (05) - Roma-ITA

Atacantes
Róbson de Souza - 73 (20) - Santos-BRA
Luís Fabiano Clemente - 36 (25) - Sevilla-ESP
Nilmar Honorato da Silva - 15 (08) - Villarreal-ESP
Edinaldo Batista Libânio - 02 (01) - Wolfsburg-ALE

Essa seria minha Seleção titular com os convocados do Dunga:
J.Cesar; M.Bastos, Juan, Lúcio, Maicon; G.Silva, F.Melo, Elano, Kaká; Robinho, L.Fabiano

Essa seria minha Seleção titular com meus convocados
J.Cesar; Marcelo, Juan, Lúcio, Maicon; G.Silva, Lucas, Alex, Kaká; Robinho, L.Fabiano

10 de mai de 2010

Um elefante incomoda muita gente...



Londres durmiu tranquila na ultima noite de Abril. Sem habitantes, coitados, nao suspeitavam que suas ruas seriam invadidas no dia seguinte por uma tropa de elefantes.
Eles estao em todos os lugares. Defronte museus importantes, lojas populares e ate mesmo dentro do metro mais famoso do mundo. Na frente de cada um deles uma breve explicacao sobre o projeto: ele se chama Elephant Parade e esta em sua quarta edicao, sendo a primeira na capital inglesa. Antes disso o projeto ja foi realizado em Rotterdam (2007), Antwerp (2008) e Amsterdam (2009). Para 2011 a cidade escolhida foi Copenhagen.
A razao da exposicao ao ar aberto, para usar a expressao do site oficial, e chamar a atencao mundial para o problema dos elefantes asiaticos. Nos ultimos 100 anos, o numero de elefantes caiu de 250 mil para 25 mil, ou seja, hoje existe apenas 1 elefante asiatico para aonde existiam 10 no seculo passado. Apos dois meses de exposicao, ou seja, em fins de Junho, cada elefante sera leiloado e toda a verba sera destinada a Elephant Family, uma ONG que luta pela perservacao dos primos do Dumbo.

Para saber mais sobre an Elephant Parade London 2010, clique aqui

7 de mai de 2010

Mudancas a vista no Reino Unido




Do Correspondente Internacional

AH Democracia! Discursos apaixonados, folhetos sendo entregues nas principais vias da cidade e aquele candidato de extrema esquerda/direita que sempre leva seus mil votos dos jovens sem nocao por ser engracadinho. Ao contrario do Brasil, que ira decidir quem sera o proximo morador do Palacio do Planalto no final do ano, os ingleses votaram ontem, seis de maio, quem devera ser o morador de 10 Downing Street pelos proximos anos. E nem para ser feriado politico... o pais sem graca esse viu...


Antes de se aprofundar nos resultados, duas linhas sobre o sistema de eleicao do Reino Unido: nao basta ter apenas o titulo eleitoral, voce precisa se registrar em cada nova eleicao para ser considerado apto a voltar. Outra coisa que chamou a minha atencao foram os diferentes lugares escolhidos para serem colegios eleitorais ( o mais antigo Pub de Londres foi impedido de vender cerveja por um dia pois ele era o colegio eleitoral da sua area) alem da possibilidade de mandar seu voto via correio ou e-mail. Enfim English's thing.


As urnas ainda estao sendo contadas, mas algumas coisas ja parecem ser certas para os britanicos: depois de 13 anos sobre o dominio dos Trabalhistas, ou Labours, o poder deve voltar para a mao de um Torie, algo que nao acontecia desde que John Major perdeu a eleicao para Tony Blair em 1997. E as mudancas nao param por ai: sera a primeira vez desde a decada de 80 que um partido nao tera a maioria absoluta do Parlamento.


O mais estranho de tudo isso e que apesar de ter o maior numero das cadeiras, David Cameron, o lider Torie, pode nao se tornar o primeiro ministro. A razao e que o partido – ou partidos – que queiram governar precisam de 326 cadeiras, e os conservadores devem levar em torno de 290. Mais ou menos o que acontece no Congresso aonde e impossivel governar sem a ajuda do PMDB.


Nos numeros os grandes derrotados do pleito foram os trabalhistas, que perderam 90 cadeiras e devem levar aproximadamente 250. Os Lib-Dibs, ou Liberais Democratas, a terceira forca, deve ficar com 50 cadeiras. E os 30 lugares restantes serao divididas entre os partidos menores, como o comunista, facista e o pirata (sim, existe um Partido Pirata na Inglaterra e se eu pudesse votar o meu voto seria deles).


Conversando com os poucos ingleses de Londres que topam trocar algumas palavras nos pubs, ja que e mais facil voce achar um brasileiro ou indiano aqui do alguem que nasceu sobre a Coroa Real, a tendencia e que a eleicao demore mais alguns dias para acabar. E nao seria exagero falar que ela continua rolando e tudo pode acontecer, ate mesmo Gordon Brown, continuar sendo o morador de 10 Downing Street.
Para os imigrantes, o retorno dos conservadores ao poder nao poderia ser pior, pois eles prometem colocar novas regras na imigracao do Reino Unido o que deve complicar um pouco a vida dos ilegais aqui, mas isso e assunto para outro post.


E lendo a minha revista mensal – ser jornalista e uma merda as vezes – achei uma materia muito legal sobre o que mudou no Reino Unido sobre o dominio dos Labours. Para ler a materia, clique aqui

4 de mai de 2010

Ele foi O cara: Nelson Gonçalves



Nossa geração pouco conhece e pouco procura conhecer essa voz, que é uma das mais importantes da história da Rádio brasileira. Segundo algumas pesquisas, é o segundo maior vendedor de discos do Brasil, atrás apenas de Roberto Carlos. Nelson Gonçalves não é apenas A Volta da Boemia, como todos os que o conhecem minimamente apontam. Não era compositor, era um intérprete de grandes nomes da composição brasileira nesse tempo como Herivelto Martins (também cantor do Trio de Ouro), Adelino Moreira, Maximiano de Souza, Joaquim Pimentel, Cartola, Benedito Lacerda e tantos outros. Nelson Gonçalves foi de tudo. Seu apelido de “Metralha”, pela gagueira que quase fechou todas as suas portas para se tornar cantor, poderia ser dado pela metralhadora que foi sua fala. Mas apesar de tudo isso, que fantástico boêmio, um dos últimos.

Antes de sair da Cultura, no final do ano passado, ganhei um DVD que andava esquecido nos arquivos da Assessoria. Estavam lá limpando o estoque e então Alexani, minha antiga e querida sub-chefe (assim como todos os que lá ainda estão e já estiveram), tirou de lá um DVD do Ensaio com Nelson Rodrigues. Perguntou “alguém vai querer esse?”. Saltei da cadeira para garanti-lo, mas nem seria preciso, ninguém se interessou. Quando mos-trei tamanho interesse, pensaram que era para meu pai, algum tio ou avô. Era para mim mesmo. Que programa é o Ensaio, que artista era Nelson Rodrigues, que oportunidade ú-nica era aquela. Depois de muito tempo guardado, hoje resolvi assisti-lo e saio, mesmo que seja em vão, com esse texto para compartilhar um pouco da história desse fantástico cantor dos Tempos de Ouro. Reproduzo abaixo declarações que ele concedeu a um dos grandes e mais ocultos entrevistadores da TV brasileira, Fernando Faro.

“Nasci em Livramento, Rio Grande do Sul, vim pra São Paulo pequeninho, vim pro Brás, rua Bento Barroso, me criei ali. Meus pais eram dois pais formidáveis, minha mãe, meu pai. Não batiam não, só me faziam trabalhar, o que era muito pior. O meu pai se fingia de cego. Você não quer a verdade? (retruca a Faro) Ele se fingia de cego com óculos esculos, tocava violão muito bem e arranjou um outro ceguinho de verdade que tocava bandolim. Eles iam para as feiras de São Paulo e no fim conseguiam, naquele negócio “não quer ajudar o ceguinho?” tal e coisa, então ele arrumava uma grana, naquele tempo. Eu tô falando de 24, 25, 26, 27, ele arrumava, de sete da manhã até uma da tarde arrumava 120 miréis, que na época era um dinheirão. Só que na hora de contar pro ceguinho era fogo na roupa. Ele dizia, “pra você - ele chamava-se Toninho – pra você, Toninho, tá aqui, mil réis.” Que na verdade era 500. No fim, o ceguinho ficava com 20 pau e ele ficava com 80. Sempre malandreco, sabe como é, muito seresteiro, fez muita serenata.”

“O Brás era formidável, que não tinha nem luz, era lampião. E meu pai era o rei de apagar lampião. Ele tinha um amigo chamado Repa que ia com uma escada ia no lampião e fazia assim (assopra) e apagava o lampião. Aí batia na porta da mulher e dizia, dona fulana, o seu gás apagou aqui em frente e tá dando uns assaltos por aqui. A mulher dizia “Ai meu, Deus, como é que eu faço?” “Eu conheço aqui um senhor que trabalha com gás, o seo Manoel.” “Chama ele por favor” e tal. Aí vinha meu pai com a escada “apagou o gás?” Ele subia lá em cima com o isqueiro na mão e (simula o som do isqueiro) ascendia a luz, ele ia limpava, mexia com o alicate, aí ele descia e a mulher dizia “Ai, graças a Deus, quanto é?” Dois mirréis. Era cachaça a noite inteira”.

“Eu fui, parece mentira, eu fui pra escola primeiro, da escola eu fui expulso do Liceu Eduardo Prado porque tudo era Dia da Bandeira, Dia da Independência, e quem puxava o hino nacional era eu. Então era assim, “Nelsinho!” Aí eu já puxava, “Ouviram do Ipiranga”, aquele negócio. E no recreio os moleques me gozavam, então era aquele brigaiada danada. Aí um dia ele me chamou, disse “Vem cá!” e eu disse “Não vou não, não canto mais nada não.” Fui expulso do colégio, cheguei em casa e meu pai assim, ele era português: “Ai, já estás aqui?” Já. “Mas o 'quecouve'?” “Quecouve o seguinte, fui expulso do colégio” “'Maspulso' poque?” “Porque eu não quis cantar nosso hino nacional, nosso hino da bandeira, tem briga no colégio, no recreio” “Non quiseste cantar o hino da tua pátria?” “Eu não, é que todo dia é só eu” “Mas isto é uma vergonha, não cantaste o hino de tua pátria! Bom, então amanhã em diante vais cantar comigo na rua”. Pronto. Dia seguinte, ele pega uma caixa de Brahma e disse: “Sobe aqui. Sabes Malandrinha?” Digo “Sei”. “Então canta.” Eram nove cordas, três bordões em cima. Aí tocavam e eu cantava. E eu muito pequeninho, juntava assim de gente. E tinha uns livrinhos de verso, que eles mesmo faziam os versos, versos quadrados, e eu vendia a 500 réis. “Faz o seguinte, tu vende este livrinho e quem não quiser comprar, dá uma esmolinha pro ceguinho”. Na conferência, depois do almoço - meu almoço que era uma isca de bacalhau com pão seco. Grande infância, né, rapaz, bacalhau. Bacalhau é nutritivo, né, filho? Naquele tempo era barato. Só o cheiro matava dois - então, na hora que chegava em casa eles faziam a conta pro ceguinho. Era o ceguinho, meu pai e eu. Então meu pai dizia assim: “Tu, Toninho, que é o mais velho, toma aqui mil réis, que era só 500, pra mim também, mil réis. Pro meu filho que é menor, só leva 200 réis, que era 500. No fim, o ceguinho ficava com 25 mil réis, meu pai ficava com 80 e eu ficava com 5 pra comprar bala.”

Ele foi O cara é a nova coluna de livre espaço para discussão sobre alguém que... tenha sido O cara, é claro.