29 de abr de 2009

Orgia!

Calma. O vídeo a seguir trata de outro tipo de orgia. É aquela realizada no Congresso e que diz respeito à "farra das passagens aéreas".

Fica aqui registrado o desabafo de Luiz carlos Prates, o defensor de todos nós, "troxas, troxas!"

A’Uwe completa 1 ano no ar em junho

O único programa voltado completamente à questão indígena completará 1 ano de exibição no próximo mês. Transmitido na TV Cultura desde junho, o A’Uwe já abordou mais de 30 etnias indígenas do Brasil. O ator Marcos Palmeira continuará no comando da atração durante o ano de 2009.

O retorno dos telespectadores nesse primeiro ano foi considerado excelente. Foram recebidas pelos produtores do A’Uwe desde indicação de filmes e pedido de informações mais detalhadas, ao oferecimento de auxílio às comunidades indígenas retratadas nos 38 documentários inéditos durante a temporada.

Em abril, o programa ganhou uma novidade que estava prevista em seu projeto inicial, mas que somente chegou ao telespectador nessa nova fase da atração: a exibição de documentários internacionais.

Para a comemoração do primeiro ano no ar, o A’Uwe exibirá um especial gravado na Casa das Rosas no Dia do Índio. O público também contará com a reformulação do site do programa, que contará com mais espaço para a interatividade e indicação de conteúdo. Todos os episódios da nova grade serão inéditos.

Dica: Blog farístico



A esfera pública não será mais a mesma! Está na blogosfera o mais novo blog que pode, depois deste, ser muito bem aproveitado por estudantes de jornalismo e afins. De nome JSFARO2, o blog é escrito pelo professor bigodudo. Acompanhem!

--> Sim, quero ver o blog.

23 de abr de 2009

Juramento do TCC

Que TCC é um monstro que todo estudante tem que enfrentar um dia já é lugar comum ninguém tem dúvida. Porém, muitas pessoas continuam achando que fazer em duplas ou trios com amigos para facilitar a vida é algo positivo – afinal você praticamente viveu com aquela pessoa nos últimos semestres e talvez já considere ela mais da família que muitos primos ou tios – mas no final o que quase sempre acaba acontecendo são inúmeras rugas que normalmente acabam com a amizade.
Aproveitando o meu estado gripal para vasculhar a Internet, achei esse “juramento” bem interessante em um blog cujo nome me falta a memória agora.
Mas, enfim, fica como oração ou juramento base para aqueles que escolheram fazer em dupla e que mais cedo ou mais tarde pensarão seriamente se aquilo foi uma boa idéia no final das contas. Sinceramente, eu espero que eu e o Bruno ( junto com nossas respectivas duplas) não passemos por isso, mas caso passemos que seja apenas algumas nuvens escuras em um céu de brigadeiro.

  1. Prometo solenemente não matar, ferir, ou agredir algum companheiro de trabalho.
  2. Prometo manter meu lado racional extremamente inalterado, e sempre lembrar dos bons momentos que passamos juntos nos últimos semestres.
  3. Prometo sempre parar para respirar mesmo que o professor esteja ameaçando reprovar o trabalho.
  4. Prometo não ofender verbalmente nenhum amigo/colega ou algum membro de sua família.
  5. Prometo ao final desse processo não terminar com amizades e sim fazer com que a dificuldade faça que ela se mostre mais forte do que qualquer coisa.
  6. Prometo ter a consciência de que apesar de TCC ser fundamental para a vida acadêmica, pessoas são sempre mais importantes que trabalhos.
Amém

22 de abr de 2009

A verdade, segundo Valdir.

Ao longo da semana passada, tentei entrevistar Valdir, um cidadão comum. Consegui o telefone dele na grande lista de nomes de pessoas comuns: a lista telefonica, que só não é tão democrática quanto parece, pois desconsidera aqueles que não podem ter uma linha telefônica.

Valdir dos Santos devem existir aos montes por aí. Mas quando elencamos nosso pretenso entrevistado como nosso personagem, estrela da matéria (reportagem), Valdir dos Santos é só um.

Liguei já no domingo. Eu sei, não é um dia bom para abordar quem quer que seja:

_Por favor, o Valdir está?
_Peraí! Ô paaaaaaaaii... pra você!
_Pronto! Quem fala?

Aí eu disse que era meio que um jornalista, tentando meio que uma entrevista com alguém meio que importante, segundo meus critérios. Ele não entendeu:

_Mas eu por que?

Disse que acreditava que alguém, ou melhor, todos nós temos muito a dizer ao espaço público e que eu, como meio que represento o meio midiático, deveria ajudá-lo a participar do debate público.

_Olha, seu... Qual a sua graça, desculpe?
_Bruno.
_Viu, seu Bruno... Eu até que queria, mas é que tô passando agora por um momento difícil, sabe... Minha mãe acaba de falecer.

Imediatamente pedi desculpas pela maneira como o abordara de forma inconveniente.
Mas ele garantiu que, na semana seguinte, cediria alguns minutos para virar personagem. Deixei estar.

No começo desta semana, retornei a procurá-lo. O Valdir de pronto se lembrou de mim:

_Oi, seu Bruno. Sim, até posso, mas não sei se vai ficar legal, sabe. Ainda não superei a perda de minha mãe. Sim, claro...uma semana não é tempo, mas é que pensei que na outra semana eu já ia estar melhor.

Eu disse que sem problemas.

_Não quer responder só uma pergunta, seu Valdir? Por telefone mesmo...

Ele topou, depois de berrar pro filho abaixar o som da TV.

_Seu Valdir, o que é superável para o senhor?

O silêncio dele, a propósito, superou minhas espectativas.

_Sabe, filho... Chega uma hora na vida que a gente vê que não consegue mais superar porra nenhuma!

Envergonhado, pediu imediatamente desculpas por ter proferido aquela palavra. Deixei Valdir em paz.

Univesp TV apresenta Deleuze e Vernant

Dois dos maiores pensadores franceses estão em foco em entrevistas especiais

Na próxima terça-feira (28), às 23h10, a Univesp TV apresenta pela primeira vez na TV aberta trechos da única entrevista do filósofo francês Gilles Deleuze à televisão. A série conhecida mundialmente como o Abecedário de Gilles Deleuze foi gravada entre 1988 e 1989 pelo renomado diretor francês Pierre-André Boutang.

As sete horas de conversa com a amiga e ex-aluna Claire Parnet se transformaram nessa série na qual o filósofo, que morreu em 1995 aos 70 anos, falou sobre palavras iniciadas pelas letras do alfabeto, uma palavra por letra. No programa dessa semana, serão apresentados dois verbetes da série: L de Literatura, no qual Deleuze toca em pontos centrais de toda sua obra, e M de Maladie (doença, em português), quando é possível perceber a singularidade de seu pensamento sobre temas como velhice, médicos e fragilidade.

O historiador e antropólogo francês Jean-Pierre Vernant, um dos mais influentes sobre a Grécia Antiga e o nascimento da filosofia, também está em foco nessa Univesp TV. Em trecho da entrevista gravada para a série "Tempo dos Filósofos", produzida pelo Centre National de Documentation Pédagogique, em 1965, 1969 e 1990, o filósofo conta o mito de Prometeu, que deu o fogo aos homens.

A Univesp TV é o espaço reservado na TV Cultura para exibir a programação do novo canal digital da Fundação Padre Anchieta, criado para apoiar o aprendizado dos futuros alunos da Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Além de apresentar programas ligados aos cursos, o canal reserva espaço para entrevistas, documentários e filmes de interesse geral.

16 de abr de 2009

Blog Velozes no ar!

Depois de algumas empreitadas em áreas diferentes, inaugurei ontem um novo blog que tem um público específico: os amantes de F1. Irei constantemente atualizar a nova revista dos carros mais marcantes (e dos menos também, claro) que correram pela F1. Estão todos convidados a visitá-lo:

www.carlitos-massarico.blogspot.com

13 de abr de 2009

Meus motivos

Ta ai uma meia dúzia de três ou quatro, acho que um ou dois motivos pra torcer pro São Bento:

Por que você torce para um time grande? Ofenderia perguntar se tem alguma graça nisso? Os jogos se tornam verdadeiras praças de guerra. As torcidas normalmente são muito chatas e só cobra títulos, uma coisa tão supérfula frente ao espetáculo do futebol. Suas camisas são caríssimas, assim como os ingressos. Para boa parte dos torcedores, resta a SporTv, o Pay-per-view ou o Galvão Bueno para assistir os jogos, uma vez que algumas cidades jamais abrigarão jogos das primeiras divisões, nas quais esses times jogam. Você pode também ser assassinado na volta do estádio só por usar a camisa de seu time na rua. Automaticamente também você se torna ou bambi, ou gambá, ou porco, ou sardinha. Essa a parte mais idiota. Futebol é espetáculo e se o meu time pequeno nunca o fez, agora os grandes também só dão botinadas. Bom, sou sorocabano, então não torcerei por nenhum grande de São Paulo, muito menos ainda o Santos. Quem é dessas cidades, sinta-se a vontade para torcer, mas uma dica: escolha o Moleque Travesso ou a Briosa.

Obs.: cada um escolhe o time que quiser, mas esse texto é para responder aos que fazem a constante questão: por que você torce para o São Bento? Oras, torço por todos os motivos apresentados e muitos outros. Gosto de ver jogo no estádio, sabe, não com a narração do Kléber Machado. Posso?

Silêncio*

Joseph Roth quis saber:

"Será que os pequenos batimentos cardíacos ainda se podem fazer ouvir onde o estrondo ensurdece o mundo?"

E eu quis saber:

Será que o estrondo ainda se pode fazer ouvir onde meus batimentos cardíacos ensurdecem o mundo?




*agrado melhor, mas para eles, doentes, é a humanidade



12 de abr de 2009

Os 10 mandamentos de São Jorge


Diretamente um certo bar da boêmia e bela Vila Madalena

I - Considerai o próximo pra caraio.
II - Não pedireis fiado, nem amanhã.
III - A primeira é a do Santo, e fica esperto que o cara tá olhando.
IV - Honrar pai, mãe e cunhada.
V - Cobiçar a mulher mais próxima.
VI - Não pedireis música "psicoeudita" para o DJ.
VII - Não ligareis para o celular da ex-namorada depois das 2 da manhã.
VIII - Reclamações direto com o dono do bar, aquele ali segurando a espada ensanguentada.
VX - Dragões só acompanhados pelos responsáveis.
X - Devotos tem sempre razão.

7 de abr de 2009

Androceu apresenta: Temas que gostaríamos de escutar em nossos seriados de infância.

O que o Max faz da vida...

Eu sei que demora dois séculos e meio para carregar, mas pode valer a pena, ou não...








Quinhão nunca mais.

Ia começar a escrever minhas memórias póstumas aqui de Cuba e publicá-las em meu blog, o Quinhão. Mas não posso mais. As Memórias Póstumas de Bruno em Cuba * jamais serão publicadas no meu amado blog.


Nunca mais. Decreto, assim, de maneira fria e direta, que meu blog, o Quinhão, não existe mais. Ou melhor, existe, ta lá, mas para ele não produzirei mais. Perdi minha conta do Blogger.com.br devido a uma nova política da Globo.com, dona do Blogger,ao determinar que só pode postar quem for assinante do portal da Globo na internet. Meu login foi cancelado. Não podendo mais fazer, portanto, a manutenção, torna-se um blog paralisado desde o dia 01 de dezembro do ano passado.

Comecei a escrever o Quinhão em 2003, quando cursava o segundo colegial. Bobo, coisa de nerd, “meio” gay, confuso, bonitinho... Na época ouvi de tudo a respeito dele, afinal, era o único dos meus amigos (e talvez da sala) que tinha um blog. E também creio que era o único que lia blogs, principalmente o do Bruno Medina e o do Anônimo. Esses dois blogueiros me inspiraram. O Quinhão nasceu fruto do mais puro tédio somado à mais pura vontade de dizer algo.
O primeiro texto era uma reclamação, um “chilique” contra o verão. O último, foi isso:

A SALA
dispostos, sofás, mesa, cadeiras, luminária. Também discos, livros.

Neste quarto:

dispostos: a poeira. e nada mais.


não tem volta. daqui pra frente, seremos aquilo que mais temíamos ser: incapazes.

de nos olharmos, de nos tolerarmos, de seguirmos.

Eu parei. E você?
BRUNO DE PIERRO // Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

...
O Quinhão, que significa, grosso modo, parte de um todo, foi parte da minha vida, representada em textos. O blog fica pálido, sem vida, mas, como disse, está lá. E o que virá será igualmente parte deste que escreve.



*Trocadilho patrocinado por um cara que não é mais virgem.

5 de abr de 2009

Nosso fã-clube!


Sem meia-entrada no Cine Paris

O “gonzo journalism” ou “jornalismo gonzo” é um descendente do “new journalism”, o jornalismo literário inaugurado por Truman Capote com seu livro “A Sangue Frio”, escrito na década de 60. O “gonzo” foi criado pelo repórter americano Hunter Thompson quando ele foi a Las Vegas cobrir um evento esportivo, na década de 70. Thompson, porém, gastou o dinheiro previsto para as despesas com drogas e bebida, destruiu seu quarto de hotel e fugiu sem pagar a conta. Sua aventura gerou um livro, “Fear and Loathing in Las Vegas”(“Las Vegas na Cabeça”), uma narrativa vertiginosa escrita sob a influência de álcool e outras drogas.
A idéia central do gonzo é a imersão do repórter em seu material. O gonzo não conta com assessores de imprensa, sites ou telefones. O repórter tem que estar disposto a sujar seus sapatos em busca da história. O repórter se torna um personagem de sua matéria e leva o leitor consigo.
Foi esta a idéia por trás dessa matéria, mostrar em primeira mão o (sub)mundo dos cinemas pornôs do centro de São Paulo e seus personagens anônimos – seus freqüentadores e funcionários desconhecidos – concentrados sobretudo no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Estes cinemas funcionam em prédios mal conservados, que durante os anos 30, 40 e 50 abrigaram alguns dos cinemas mais elegantes da capital paulista. São construções espaçosas, que acomodam vários espectadores e ainda exibem vestígios do antigo requinte (como a fachada de mármore travertino e os soalhos de madeira do Cine Paris, e a fachada moderna do Cine Art Palácio).
No Cine Paris, uma ficha que dá direito a cinco minutos de filme em uma “cabine privê” custa um real. A cabine conta com uma seleção de 10 filmes, com títulos para o público hétero, gay e até mesmo um filme de zoofilia. Só é admitida uma pessoa por vez nas cabines, de acordo com um aviso afixado na bilheteria. Ao entrar, é impossível não se impressionar com o cheiro do local: um blend meio sinistro, mistura de desinfetante barato com esperma e suor. O faxineiro desce as escadas com um balde e um esfregão e entra em um cubículo junto à bilheteria. Minutos depois, ele torna a subir a escada, com o balde cheio de um desinfetante verde de cheiro forte.
A sala de projeção, de pé direito alto e piso em madeira, exibe no momento um filme inédito, “Anal Drilling”, algo como “Perfuração Anal”, com entrada a sete reais (sem direito a meia). Uma mulher loira, de quadril largo e seios fartos está de quatro no chão, vestida com uma meia-arrastão branca estrategicamente rasgada e geme alto enquanto seu parceiro a penetra e dá tapas em suas nádegas. Para minha surpresa, às três horas da tarde de uma sexta-feira o cinema está bastante cheio. É possível ver vários assentos ocupados e, apesar de a maioria dos espectadores sentarem-se afastados uns dos outros, também há casais, tanto hetero como homossexuais.
Fico junto à entrada, encostado na parede e de braços cruzados. O faxineiro, com seu balde cheio, está lavando um dos corredores da sala neste momento, mas mesmo assim o cheiro de esperma consegue se sobrepor ao do desinfetante. Apesar da luz fraca da tela e dos gritos da loira (que pede para o parceiro ir fundo), é possível perceber a atividade do cinema: vários homens se masturbam, uma mulher faz sexo oral em um homem sentado ao fundo da sala, dois rapazes vão de mãos dadas em direção às poltronas das laterais.
De repente, percebo alguém me olhando e resolvo sair da minha parede e ir para outro lugar, para evitar qualquer situação constrangedora. Saio da sala e entro de novo pela porta do lado oposto. Agora a loira se masturba, deitada no chão de pernas abertas, seu parceiro aperta seus seios e oferece seu pênis para que ela chupe. Fico próximo a escada, de braços cruzados, tentando não chamar a atenção. Dessa vez é pior. Percebo alguém subindo a escada e por educação e medo – como diz o velho ditado, “quem tem c_ (complete com a vogal de sua preferência), tem medo” – me afasto para não ficar no caminho. Um homem de seus 40 anos passa cada vez mais perto, me olhando de maneira inquisidora. Tusso e continuo olhando a tela, finjo que não é comigo, enquanto ele me encara de perto. Depois de um tempo, o cara se cansa de me olhar e vai embora, em direção à frente da sala. Aproveito a deixa e desço a escada. Na saída, o porteiro me pergunta se não quero me limpar, apontando uma prateleira pequena cheia de rolos de papel higiênico cor-de-rosa do tipo lixa (disponível nos melhores postos e rodoviárias). Recuso e deixo o cinema para continuar minha reportagem.
Sigo a Ipiranga e viro à direita na São João. Passo por outro cinema onde funciona também um “Scot (sic) Bar e Drinks” com shows ao vivo, e também pela Galeria do Rock, que está lotada. Paro em frente ao Cine Art Palácio, com suas colunas de estilo moderno, revestidas com pastilhas verde-escuras, e suas portas trabalhadas em metal dourado. É um prédio grande, com três salas para vários espectadores. As salas 1 e 2 oferecem filmes nacionais e internacionais para o público hétero. A sala 3 exibe apenas filmes com travestis. A entrada, de sete reais sem direito à meia, como no cine Paris, dá direito a assistir a programação das três salas. Além das salas, há as cabines individuais, com uma escolha de oito filmes, sendo a maioria voltada para o público gay. As fichas para cinco minutos de filme custam um real, como no Cine Paris.
Na bilheteria, uma mulher de cabelos curtos e roupas masculinas atende o público, e contrariando minha idéia inicial do personagem anônimo, cumprimenta boa parte deles pelo nome e pergunta como vão as coisas. São todos homens, de todas as idades, desde jovens de 18 anos até senhores de 60 anos ou mais (todos os cinemas exibem cartazes chamativos proibindo a entrada de menores de idade).
Pergunto para a bilheteira o preço do ingresso e as condições de funcionamento da casa (das 9h00 às 21h00, todos os dias da semana). Ela é esquiva, como todos os funcionários do ramo. De maneira polida, se negam a responder qualquer pergunta, alegando ordens da gerência e a proteção ao sigilo de seus fregueses. Neste momento, um senhor de quase 70 anos me pede passagem e entrega uma nota de dez reais à moça. Ela sorri e pergunta ao Seu Osvaldo como ele está. Ele sorri, pega seu bilhete e seu troco e entra, desejando boa-tarde a mim e a ela.
Desisto de fazer maiores perguntas à mulher. Educada, ela dá a entender que não vai responder mais nada. Parto para um método mais prático, já prevenido pela experiência no Cine Paris, pergunto a ela qual é a melhor maneira de evitar uma abordagem dentro da sala do cinema. Ela pensa por um momento e responde que, na verdade não há alternativa, o mais seguro seria me sentar em uma das poltronas centrais e, diante de uma aproximação, ser direto e avisar que não queria nada ali. Ela acrescenta que, embora o público seja educado, é inevitável que “alguém diga alguma gracinha ou tente passar a mão em algum lugar do seu corpo”. Agradeço e olho para a saída do cinema, que deixa entrever uma parte da sala de espera. Homens de várias idades passam por ali, a caminho do banheiro ou subindo as escadas em direção a uma das três salas. Próximo à porta, há uma prateleira com os mesmos rolos de papel higiênico cor-de-rosa; neste momento, um rapaz magro, com trejeitos femininos, pega um pedaço de papel e vem em direção à bilheteria, limpando as mãos. Ele cumprimenta a bilheteira com familiaridade diz a ela que ontem estava tão fraco que ele até teve que ir embora cedo. A garota ri e diz que ele está ficando fraco. Ele amassa o pedaço de papel higiênico úmido e joga a bolinha em um cesto e diz a ela que volta mais tarde e então vai para a rua.
Volto à bilheteria e pergunto a ela qual o preço da entrada. Ela repete, sete reais com acesso a todas as salas. Pago, recebo meu bilhete e entro na sala de espera. Diferente do Cine Paris, aqui não são admitidas mulheres, apenas travestis. A atividade não fica restrita às salas: logo que entro, um jovem acompanhado de um travesti entra em um dos banheiros, localizados ao lado da escada. Um cheiro pungente domina o ambiente, a mesma combinação de desinfetante barato, esperma e suor. Subo a escada rapidamente, procurando olhar de maneira rápida, mas cuidadosa todas as salas.
Prevenido, evito ficar parado, o segredo é continuar andando. Apesar do horário, quase quatro horas da tarde de um dia de semana, o cinema está cheio, sendo que a sala 3, que exibe somente filmes com travestis, está quase lotada. Observo as outras duas salas, que também têm bastante movimento. O panorama se repete, como no Cine Paris, há um cheiro forte (apesar da presença de uma faxineira com seu balde e seu esfregão na sala 2) e o mesmo barulho de gemidos, gritos e tapas, vindos da tela e da sala.
Desço as escadas e saio do cinema. Na porta, um travesti de blusa laranja discute com o porteiro a respeito de um dinheiro que alguém deve para o travesti e que ele precisa receber rápido. Agradeço a bilheteira e caio na avenida São João, andando depressa e fingindo que nunca fiz outra coisa da vida que não fosse freqüentar cinema pornô às sextas feiras de tarde.
Por um lado, o laconismo dos funcionários e o silêncio dos fregueses. Por outro, uma certa promiscuidade entre este mesmo funcionário e seus clientes mais assíduos. De um lado, o assédio, a licenciosidade da sala de projeção. De outro, o blend desinfetante, esperma e suor, o papel higiênico tipo lixa. A imagem da tela, a tara, o fetiche versus o mundo real, a AIDS, os cinco minutos da ficha para a cabine privê. No meio dessa dicotomia, o gonzo; o repórter como um personagem da sua própria matéria guiando seu leitor em um universo desconhecido, através de um olhar muito mais próximo. Este repórter apenas aconselha que não se aproxime demais, afinal, pode ser inevitável “que alguém diga alguma gracinha ou tente passar a mão em algum lugar do seu corpo”.

2 de abr de 2009

Caso Amendoim: Peritos não descartam que Bruno tenha tentado suicídio

Depois da reconstituição, polícia abre inquérito e começa a colher depoimentos.

DA REDAÇÃO


Peritos do Instituto Médico Legal e da Polícia Federal realizaram nesta quinta-feira a reconstituição da morte do influente subeditor do Blog Androceu Bruno de Pierro, 21, em São Paulo.

Moradores de um prédio vizinho ao apartamento onde Bruno morava participaram da reconstituição, mas em nada puderam ajudar, já que o rapaz estava sozinho no momento do engasgamento. Os peritos foram até o décimo quinto andar do prédio e tentaram encontrar mais evidências de que a morte tenha sido mesmo causada por amendoins. “Não descartamos a hipótese de suicídio. Tendo ciência da mente criativa do morto, não desconsideramos o fato de que ele possa ter se matado usando, magistralmente, amendoins”, declarou o perito-mor Wallace Cruz. Entretanto, parentes e amigos de Bruno contaram que ele não apresentava evidências de que poderia cometer um suicídio. “Aquela vez que ele apareceu com uns cortezinhos no pulso foi porque tinha feito a barba de maneira tosca e porca”, disse à polícia M.F., amigo de Bruno e chefe.

Depoimentos colhidos pela Polícia Civil durante as investigações relatam, no entanto, que vizinhos teriam ouvido barulho de discussões de Bruno e uma amiga de negócios, horas antes de Bruno ser imortalizado na História. “Eles gritavam muito... Ela não queria ajudá-lo a abrir o saco de amendoim, acho”, disse Alfredo Dias, morador do prédio.

saiba mais sobre a morte do empresário e comunista Bruno de Pierro
Após coletar amostras do amendoim que estavam espalhadas pelo chão – alguns deles ainda contendo baba do jovem – a pericia deu início à reconstituição. Um ator representando Bruno permaneceu postado no mesmo sofá em que o subeditor estava. Para fazer a cena, o homem primeiro acomodou-se no móvel, seguindo as descrições apresentadas por amigos de Bruno. Depois, segundo hipóteses de como o estudante deveria estar sentado no dia, sentou com as pernas jogadas para o lado, e apoiou o braço esquerdo no braço direito do sofá, inclinando o dorso e repousando a cabeça sobre o joelho direito. A incomoda posição causou um torcicolo de escala 9.6 no ator, que teve de ser levado ao hospital. “Ele morreu comendo? Foi sorte dele então não ter morrido com uma vértebra quebrada”, reclamou o rapaz a caminho da ambulância. Questionados se Bruno era praticante de yoga, os amigos dele negaram e a polícia considerou a descrição uma brincadeira de mau gosto.

O próximo passo causou frenesi no prédio. Com o auxilio de um boneco de mesmos peso e altura de Bruno (sem roupa), peritos realizaram o último item da reconstituição. De uma altura de mais de 45 metros, jogaram Dedé, como foi apelidado o boneco usado pela policia, da janela do apartamento. Muitos moradores acompanharam a operação com apreensão e emoção. Foram ao todo cinco arremessos, tentando simular com exatidão como o corpo de Bruno pousou no jardim da guarita. Entretanto, quando a pericia já se preparava para o sexto arremesso, o porteiro Zé Inaldo, que trabalhava no horário da morte do blogueiro naquele dia, bem lembrou os técnicos do IML de que ninguém havia caído da janela. “Ele morreu lá em cima, e lá ficou o tempo todo, até começar a feder”, finalizou. Sem graça, o chefe da pericia disse que a medida foi necessária, mas não soube muito bem explicar por que. Carismático, Dedé, o boneco, animou a criançada. “Foi Bruno que mandou ele aqui, de onde quer que ele esteja, pra alegrar nossos filhos, mesmo num momento tão difícil desses”, afirmou Márcia G., moradora do prédio.

A polícia agora pretende chamar pessoas próximas de Bruno para prestarem depoimento. O primeiro deve ser M.F., que, segundo os investigadores, foi quem deu o saquinho de amendoins para o aspirante a jornalista.





1 de abr de 2009

Bruno de Pierro morre após engasgar em São Paulo

Da Redação

O estudante de Jornalismo Bruno de Pierro, 21, morreu durante a madrugada desta quarta-feira na sua residência, em São Paulo, após um engasgamento provocado por amendoins, informou o hospital Albert Einstein, às 06h30.

A sufocação do subeditor do Blog Androceu já havia sido anunciada na tarde de hoje pela própria família.

A operação para a retirada de órgãos para doação foi realizada assim que a morte cerebral foi confirmada. Os pais do jovem disseram que ele doaria tudo, menos o coração, pois, como costumava afirmar em entrevistas, “pertence e pertencerá apenas a uma mulher”. “Só falta saber exatamente a qual mulher”, completava em tom melancólico, sua marca.

Ironia ou não, o coração de Bruno não poderia mesmo ser doado. "A caminho do centro cirúrgico houve uma parada cardíaca inviabilizando o transplante", disse o médico Edegar Euclídes, especialista em engasgamento.

Bruno de Pierro será enterrado na manhã desta sexta-feira no Cemitério da Vila Mariana, em São Paulo.

No momento o corpo é velado na Assembléia Legislativa de São Paulo. Segundo dados da polícia militar, cerca de 100 mil pessoas já compareceram ao local para dar o último (ou primeiro) adeus ao quase-jornalista. Muitos curiosos levaram flores e uma grande frota de moças vendedoras ambulantes de Yakult depositaram próximo ao caixão centenas de amostras do produto, tão apreciado por Bruno. “Era nosso maior comprador e nosso maior amigo”, disse uma delas.

As homenagens devem se estender até a meia-noite. Amanhã o corpo segue para Brasília, onde será velado no Salão Negro do Congresso Nacional. O presidente Lula emitiu nota de próprio punho confirmando sua presença, “principalmente pela importância do jovem na criação do Blog Androceu”, escreveu o petista.

O vôo só deve sair de Brasília nesta quinta-feira, por volta das 19h00.

Acompanhe a cobertura completa da morte de Bruno de Pierro neste blog.