30 de mai de 2008

Quando a contradição não tem limites...

Duas moças, agorinha...

_Homem não presta...
_Ah, até que têm uns que prestam, vai!
_Ah, até tem. Mas os que prestam ou estão comprometidos, ou são gays, ou não prestam...



Reflexão Pós-Baque: (Se fazem parte do grupo de homens que prestam aqueles que não prestam, então os homens que formam o grupo dos que não prestam são, de fato, a escória do gênero masculino humano, o lixo, a podridão, a inutilidade em sua materialização)

Jânio de Freitas

Artigo de hoje (30/05).

STF consagra uma concepção de liberdade que ataca aos poucos os conservadorismos que fizeram a história do país

ÀS 16H40 encerrou-se ontem o percurso de três anos de esperanças e temores, reações e grupos de pressão em torno do destino a ser dado, pelo Supremo Tribunal Federal, à ação contra a lei de liberdade de uso das células-tronco para pesquisa e, com seu esperável êxito, tratamento médico de males hoje insanáveis. Ainda antes de concluídos os votos individuais dos 11 ministros, o Supremo consagrou uma concepção de liberdade que não se restringe ao direito de pesquisa, mas que vai aos poucos perfurando a armadura de conservadorismos, preconceitos e dominações que fez a história do Brasil.Alguns ministros registraram, com clareza, a fenda larga que se abre, com o reconhecimento da liberdade de pesquisas com células-tronco, para que o futuro retome ou abra, sem grande tardança, o debate e a decisão sobre questões próprias dos avanços no mundo contemporâneo, como o direito à interrupção da gravidez indesejada e o direito a preferir a morte ao sofrimento final sem alívio.É lugar-comum o reconhecimento da lentidão com que a humanidade segue no seu caminho sinuoso e acidentado. No Brasil que figurou entre os mais retardatários do Ocidente, por força de circunstâncias externas mas sobretudo das internas, o julgamento de agora significou a contraposição enfim decisória, porque nos termos e instância adequados, que há anos ocorre só por sua própria conta. Por exemplo, entre defensores em geral e adversários religiosos da difusão ampla de preservativos contra a Aids. Como se deu antes com a licença de produção das pílulas anticoncepcionais.As sessões de julgamento proporcionaram exposições de erudição para todos os gostos e todas as necessidades, com um curso completo de embriologia, reflexões epistemológicas sobre a ciência, fundamentos e métodos da biociência, premissas da escola filosófica de Frankfurt e, dada a origem da divergência básica, não faltariam alguns fundamentos teológicos. Foi um espetáculo bonito. Como o julgamento se encerrou em três sessões, não cheguei a me tornar intelectual. O que me leva a admitir que uma pergunta pouco ou nada percebida iria, por si só, ao centro da questão posta. Formulou-a, sem se deter convenientemente nesse expressivo ponto que lhe ocorreu, o ministro Joaquim Barbosa: se negada a liberdade de pesquisa, em nome da vida dos embriões recolhidos à inutilidade no congelamento, "aceitaremos os tratamentos criados por pesquisas com células-tronco de outra nacionalidade?"Se a vida que se perderia com a célula-tronco em pesquisa é razão absoluta para a recusa à pesquisa, a resposta só pode ser a recusa aos tratamentos criados no exterior com células-tronco. Mas que ser humano recusaria, sem se tornar um monstro, o tratamento reparador de um paraplégico, de um cego, de uma cardíaca ou muda ou de outras vítimas de condições trágicas?A pergunta feita pelo ministro Joaquim Barbosa dispensa extensões além de uma resposta simples, ou, até menos que isso, simplesmente intuída.Uma observação à parte do julgamento propriamente foi a preocupação, de vários ministros, de louvar a legitimidade e o proveito do "pedido de vista" com que o ministro Carlos Alberto Menezes Direito sustou, há quase três meses, o julgamento então iniciado. Ninguém, no entanto, contestou a validade regimental do pedido. Contestada, e razão de vasto descontentamento e decepção, foi a oportunidade do pedido, depois de seis meses disponíveis para preparação do seu voto pelo ministro Menezes Direito.Seis a cinco, resultado técnico. Em relação à pesquisa com células-tronco, porém, pode-se entender que foram nove ou dez os votos favoráveis, nem todos computados na maioria vitoriosa por incluírem condicionamentos para autorização e prática das pesquisas.

27 de mai de 2008

legado

Esse menino! Esse menino!! Pô, Esse Menino!!!! Que queria passar as férias de julho de 1968 lá nesse interiorzão de meu deus, ao lado de quem ama, e correndo por nada e cantarolando alguma coisa bem obra-prima do Renato e seus blue caps, usando calças largas e de flanela, sem transpirar, graças a uma tão sonhada cirurgia igual a que se submeteu Bruce Lee. Esse menino, que um dia vai crescer e ter a cara do pai; que vai ser dono de um restaurante chamado La Conspiracion, que vai viajar pro Congo e descobrir, após uma consulta a um psiquiatra conguense, que queria matar seu pai, inconscientemente, e que aí, quando for grande, vai se olhar no espelho e ver a cara cuspida do pai em si. E aí vai chorar ao ouvir a voz do filho, quando este tiver 3 anos, e que será tetraplégico e gênio da arte de empilhar com a boca caixas de fósforo coloridas, aos 21 anos, e que com isso vai virar artista e vai expor suas pilhas de caixinhas na Bienal de São Paulo, onde lá um crítico dirá que o filho do menino “é paradoxalmente um ohhhh e um ahhh e uiii, a aaarrrtchÊ é fenomenaaal desse garotoo”, e que vai morrer sem deixar filhos, mas vai se emocionar ao ouvir Renato e seus blue caps.

Antipropaganda

A dica de site é essa: Antipropaganda! (clica aí!)

A explicação quem dá é o próprio site:

"No Universo, para cada partícula elementar que se conhece atualmente, Lépton, Quarks e Bósons, existe uma antipartícula, com massa igual, porém com carga elétrica e momento magnético inverso. Elas dão origem ao antielétron, ao antipróton e ao antinêutron, ou seja, elas dão origem a antimatéria."
A antipropaganda não é contra a propaganda, ela é fruto da propaganda. Para cada propaganda há uma antipropaganda, de mesma massa, mas com conteúdo inverso.
Enquanto uma cria padrões, a outra destrói padrões. Enquanto uma vende cinismo, a outra propõe sinceridade.
A antipropaganda mantida neste site está à disposição de todos, para ser lançada de encontro às propagandas que nos aprisionam.
O choque da propaganda com sua antipropaganda aniquilará as duas, liberando energia maior que as de explosões atômicas.

Dá uma olhada!


26 de mai de 2008

Tomas Tranströmer




O poeta, psicólogo e tradutor Tomas Tranströmer, nascido na Suécia em 1931, estreou na poesia aos 23 anos, com Seventeen Poems, de 1954.

Em 1990, ele sofreu um derrame cerebral que paralizou o lado direito de seu corpo, afetando sua fala. Mas Tranströmer continuou a escrever.

Além de poeta, o suéco também é um talentoso pianista, mas que, com o acidente, passou a tocar o instrumento apenas com a mão esquerda, desenvolvendo toda uma técnica para compor dessa forma.

Dois poemas dele:


Igreja românica (tradução de Marcelo Coelho)


Os turistas se apinharam na penumbra da enorme igreja românica
Arco se abrindo atrás de arco e nenhuma perspectiva.
A chama de algumas velas vacila.
Um anjo –não consegui ver a sua face—me abraçou
e o seu sussurro atravessou todo o meu corpo:
“Não se envergonhe de ser um ser humano, orgulhe-se!
Dentro de você um arco se abre atrás de outro, infinitamente.
Você nunca estará completo, e é assim que tem de ser.”
Lágrimas me cegaram
quando fomos conduzidos até a praça ferozmente ensolarada
junto com Mr. e Mrs. Jones, Herr Tanaka e a Signora Sabatini;
dentro de cada um deles arcos e mais arcos se abriam infinitamente.



Elegy


I open the first door.
It’s a large sunlit room.
A heavy car passes in the streetand makes the porcelain tremble.
I open door number two.
Friends! You drank the darknessand became visible.
Door number three.
A narrow hotel room.Outlook on a back street.
A lamp sparking on the asphalt.Beautiful slag of experiences.




--> Para ouvir e baixar algumas músicas de Tranströmer, clique aqui. Em seu site oficial, é possível ouvir um músico que, diante de uma deficiência - a falta dos movimentos de uma mão para completar acordes no piano -, consegue completar-se com as letras. A música lhe dá o tom da solidão e da loucura e, ao mesmo tempo, exige do poeta a clareza e a simplicidade das palavras.

Extrato da farsa "Auto da Lusitânia", de Gil Vicente

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Mui garrida:
Todo o Mundo busca a vida
e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
sem mo Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
que Todo o Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.

Tchecov Surfistinha

Sei que este blog aqui não deve ser um espaço que possa ser usado como “diarião pseudo-poético” para que eu descarregue minhas frustrações, amarguras e melancolias, mas é que nutro o costume de compartilhar, com meus colegas, momentos grandiosos que me ocorrem neste estágio não tão insigne assim. Não trabalho, afinal, em nenhum grande jornal da grande mídia, o que, muito provavelmente, me ocuparia um grande tempo da minha vida, deixando-me com grande estresse e grande rancor pela, já citada, grande mídia. Minha vaidade – ora, como não!? – também seria grande...

Mas quero registrar que neste último fim de semana tive, a pedidos de minha chefe, que comprar uns livrinhos de piadas curtas. (Quem ainda não sabe, e tem a curiosidade de saber, o motivo de eu trabalhar com esse gênero literário, por favor, me pergunte pessoalmente). Enfim, fui pra Avenida Paulista, no sábado. Desviando de alguns homossexuais que, àquela hora ainda eram minoria, adentrei no Shopping [Pátio?] Paulista. Na livraria Saraiva, eu já havia visto uns livrinhos bem baratos sobre piadas na semana passada. Aproveitando a viagem, fui atrás de alguma obra de algum escritor “pica-de-aço” (esta qualidade, “pica-de-aço”, é usada por um porteiro do meu prédio que, morando há muitos anos em São Paulo, abandonou o típico “cabra-da-peste” nordestino, e passou a usá-la para se referir ao rapaz que tem colhões mesmo!).

Queria algum autor que ainda não conhecia muito. Peguei uma coletânea de contos do Anton Tchecov, chamada O Beijo e outras histórias, com a tradução do Boris Schnaiderman. Legal...Já comecei a ler, em breve escrevo algo sobre o livro!

O “problema” é que, não sei se vocês também sabem (alguns já mais do que sabem), eu TENHO – quero ser enfático aqui – que usar o livro Kama Sutra no meu estágio, para desenvolver um trabalho bastante sério sobre sexualidade. Pois é...Aí que o pessoal lá da empresa já sabe, afinal me observam consultando o livro que ensina posições sexuais, entre outras lições... Desconfiam da minha pessoa, acham que tenho um sorriso perverso; quando vou ao banheiro, as menininhas do tele-marketing imaginam coisas. Sou aquele que é pago pra ver pornografia, dizem. Não é bem assim, mas, na boca do povo, tudo tende a aumentar (ops...).

Enfim...Agora a pouco, entreguei a nota fiscal da compra que fiz na Saraiva. Como a compra consistia em quatro livros de piada e um deslocado Tchecov (isso é que é ser eclético, pensou a moça do caixa da livraria), na nota saiu o preço de cada livro e seus respectivos nomes, assim:

Piadas de Adv.......6,90
Piadas de Méd.......6,90
Piadas de Escr.......6,90
Piadas Muito B......6,90
O BEIJO e out.......38,00

Bem, assim que entreguei a nota pra minha superior, alertei para o fato de que haviam registrado a compra de um livro diferente à lista que ela havia me sugerido, e que este livro havia sido pago à parte por mim.

Na nota, bem grande: O BEIJO...(provavelmente, completou-se o título, na cabeça de minha chefe, com coisas do tipo “O beijo e outros prazeres”; “O beijo e outras técnicas de amor” etc) E, no ar, aquele “climão” de emboscada:

_Ah, você aproveitou e comprou um livro de dicas eróticas! Ótimo!


Realmente, há lugares onde um Tchecov não passa de uma Bruna Surfistinha....

Manhê, eu sou um estagiário mal-remunerado

Tirinha dos malvados a respeito da nossa mui nobre profissão:

Obviamente esta não é tirinha inteira, clica na imagem que um maravilhoso link se abrirá na sua máquina.*

*linguajar de escritório. entenda-se: microcomputador.

20 de mai de 2008

Fragmentos

Algumas pérolas que ouvi ultimamente:

Duas moças no ônibus falando sobre rapaz "atraente":

_Ele é baixinho, gordinho, careca, branco...
_ HAHAHAHAHA...
_Mas de boné ele é mais atraente...


Essa promete ser clássico!

_Vocês estão falando sobre o Sesc?
_Sim...
_Posso falar também?
_Claro, claro...
_Bom...Queria começar dizendo que se o Sesc fosse presidente desse país...

No banheiro da empresa...

_Eu tô precisando crescer...
_Tô ligado!
_Crescer mais, tá ligado? Umas bomba ae!
_Tô ligado...

Chefe e estagiária

_Quero ver você vender mais hoje ein!
_É que hoje não passei muito bem.
_Mas independentemente disso, quero ver você vender mais hoje ein!

Lembrando que...

Um pouco de passado não faz mal a ninguém, principalmente quando se quer entender algumas contradições do presente. Marina Silva desistiu do Ministério, e um dos motivos apontados pela imprensa é o fato de Mangabeira Unger ter sido o cara do PAS. Segundo ele, o plano prevê a regularização dos problemas fundiários da Amazônia Legal, incentivos a pequenos proprietários, construção de novos pólos industriais e investimentos no ensino técnico e profissional. De acordo com Lula, à época, Marina não teria “isenção” para assumir o cargo... Aí ficou mesmo o Unger, ministro da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. Mas ó que estranho:


Além desse processo, Lula está contrariado com a demora de Mangabeira em tomar posse e com suas relações com o banqueiro Daniel Dantas. O banqueiro teve uma disputa com os fundos de pensão a respeito do controle acionário da Brasil Telecom. Quando Dantas comandava a empresa, contratou Mangabeira como consultor. O filósofo teria recebido US$ 2 milhões pelo trabalho.Em conversas reservadas, o presidente deixa claro que não gosta de Mangabeira, que classificou o primeiro mandato do petista com o mais corrupto da história, em artigo na Folha. Mangabeira disse que mudou de idéia, mas a nomeação é criticada até hoje por auxiliares do presidente e por integrantes da cúpula do PT.Questionado nas reuniões internas do governo sobre o motivo da indicação de Mangabeira, Lula disse que a fizera a pedido de Alencar. O presidente gosta do vice, a quem é grato. Disse aos auxiliares que Alencar não lhe pediu nenhum cargo na reforma ministerial do segundo mandato.Numa conversa dos dois, o presidente perguntou se ele tinha desejo de fazer alguma indicação no segundo governo. O vice apontou Mangabeira. Ambos são filiados ao PRB (Partido Republicano Brasileiro).O presidente Lula chegou a dizer que Alencar tinha crédito com ele, pois foi seu companheiro de chapa em 2002, quando, na condição de grande empresário, ajudou o Lula a conquistar credibilidade entre os agentes econômicos.Na secretaria, Mangabeira teria a missão de criar projetos de longo prazo. A estrutura da secretaria será resultado da união do NAE (Núcleo de Assuntos Especiais) e do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, antes subordinado ao Ministério do Planejamento). [Folha de S. Paulo de 31 de maio de 2007]


Plebiscito Androcêutico # 2

Por Max Fischer

Depois do primeiro PA, onde ficou decidido que o BLOG ANDROCEU se dispõe a ceder uma cancha de seu concorrido espaço publicitário para jogos virtuais, venho através desse post propor uma nova votação.

Trata-se da adoção da obra de arte “Escudo Androcêutico” como escudo oficial do BLOG ANDROCEU. Procurando nos arquivos antigos, achei alguns esboços de escudos feitos a mão no primeiro ano, e descobri que nunca tivemos um escudo ou logomarca de fato para a marca do blog.

O (novo) escudo é esse daqui:


Agora, declaro aberta mais uma sessão do parlamento Androcêutico para discutir essa questão. Espero a participação de todos.

19 de mai de 2008

Google Health?????

Para quem tiver o interesse:

http://www.reuters.com/article/healthNews/idUSN1954983520080519?sp=true

O link é para uma matéria da Reuters sobre um novo serviço do Google...

"If anyone can demystify what health is, and make it fun ... Google can," Dr. Michael Roizen, the chief wellness officer for the Cleveland Clinic, a major private U.S. medical group, said during the news conference at Google headquarters.


Ai, Meu deus...

18 de mai de 2008

A fina arte da produção externa

Saiu uma entrevista bem legal do Arnaldo Branco (o criador do Capitão Presença, entre outros) na revista Wave, que eu nunca tinha ouvido falar até então mas me parece que os caras fazem um trabalho interessante.
Segue um trecho, só pra servir de trailer:

O fato de o seu pai ser jornalista te influenciou na idéia de seguir a carreira? Por que decidiu optar pelo curso?
Com certeza meu pai influenciou minha escolha, ficou aquela imagem romântica de um emprego que te permite conviver com gente como Otto Maria Carpeaux e Drummond, e que costumavam chamar O Quarto Poder. Claro que quebrei a cara, tanto porque já não era bem assim no tempo do meu pai como porque agora é pior - você é colega do Jabor ou da Hildegard Angel e qualquer blogueiro tem mais influência que o Mônica Bergamo.


Bem, os links estão aí, divirtam-se.

17 de mai de 2008

Cena de romance de sala de aula (2)

Em um ambiente inspirador (a Universidade), mas sem velas aromáticas e um bom vinho (lógico...):


_ Eu amo você!
_ …
_Não vai dizer nada?
_Você tem cara de relógio parado.

16 de mai de 2008

como criticar Hippo Gula-Gula

Realmente, o jornalismo é uma profissão vasta. No sentido de que permite ao profissional dos jornais trabalhar em diversas áreas. E para o jornalista que se aventura na crítica cultural, a exigência é para que esteja antenado, ligado em tudo: música, cinema, artes plásticas, literatura teatro, e por aí vai...Vasculhando algumas críticas culturais no blog do Marcelo Coelho, deparo-me com um texto seu, publicado no dia 5 de julho de 2006, e que chama a atenção por se tratar de uma crítica de brinquedo. Calma, não estou falando que a critica que ele faz é um brinquedo... Não é metáfora, nem nada...Coelho faz mesmo uma análise, e crítica, sobre dois brinquedos adquiridos pelos seus filhos que, na época, tinham 2 e 4 anos. Achei interessante; mostra o quanto um jornalista deve estar preparado para fazer uma boa crítica, seja ela a respeito de um texto de Montaigne, seja sobre um brinquedo barulhento da Estrela.

_____________________________________________________________
Uma das propostas que eu tinha para esta seção “Pais e Filhos” era fazer crítica de brinquedos –e acabei demorando para entrar no assunto. Com dois meninos, de 4 e 2 anos, minha experiência no ramo ainda é incipiente, mas já dá para avaliar alguma coisa. Tento conciliar os interesses deles com os meus, o que nem sempre é possível. Privilegio, é claro, os brinquedos que dão menos trabalho para os adultos e fazem menos barulho.

Em matéria de barulho, o “Hippo Gula-Gula” da Estrela, atinge –numa escala de 0 a 10—algo entre 7 e 8. Mas não se trata daqueles ruídos eletrônicos, ou daquelas musiquinhas do folclore americano ou chinês que tanto nos infernizam. O brinquedo é mecânico, todo de plástico, original e engraçado.

Dentro de um círculo, há um monte de bolinhas brancas, que deverão ser engolidas por quatro hipopótamos. Os hipopótamos são acionados por alavancas, de fácil manipulação e montagem um pouquinho difícil. Quatro crianças pequenas, cada uma com seu hipopótamo, podem passar um bom tempo disputando quem consegue devorar mais bolinhas. Adultos não precisam intervir em nenhum momento, exceto no caso de ingestão indevida do material. O conteúdo educativo do brinquedo é nulo, mas seu poder de liberação de energia e agressividade infantil compensa –sem risco de ferimentos ou conflitos graves no seio da família.


Já o “Acqua-doodle” pode distrair crianças pequenas em absoluto silêncio: mas os pais é que acabam fazendo tudo neste brinquedo. É uma espécie de lousa ou quadrado mágico, mas com uma diferença que torna os desenhos especialmente bonitos e agradáveis. A gente escreve ou desenha com uma caneta de ponta porosa, bem grossa, cuja carga não é tinta, e sim água. Sobre uma tela branca feita de um tecido especial, como se fosse uma toalha, a caneta deixa traços azuis, que não é preciso apagar. À medida que a água seca, o desenho desaparece naturalmente. O brinquedo não envolve maiores riscos, a não ser que a criança resolva usar a caneta como uma espécie de chupeta, sugando a água que está lá dentro.

15 de mai de 2008

Descarga Androceu!

No próximo dia 30 de outubro, o meu primeiro blog, o Quinhão, fará 5 anos. Cinco anos! Em 2003, na minha sala de segundo colegial, eu era pioneiro; nenhum amigo tinha blog. Acho que só umas meninas tontas...

E é engraçado eu ler, hoje, o meu primeiro post. A nostalgia acaba cedendo espaço para a auto-chacota. Aí pensei: por que não compartilhar esse momento com vocês? Eu vou zoar um texto meu, publicamente. Lá vai...Essa foi a primeira pérola que publiquei na Internet:


Enfim um local em que posso, sosinho expor minhas idéias e minha visão de mundo, sem que aja ninguém para interfirir. Tratar de assuntos que quero colocar meu ponto de vista. Assuntos diferentes daqueles que as pessoas mais próximas de mim estão cansadas de ouvir sair da minha boca. É um desabafo; e convido-os a desfrutar-lo. Nos próximos textos estarei revelando meus pensamentos, que são para muitos um mistério.Utópico. Muitos se encontrarão como grandes personagens. Mocinhos e vilões serão descobertos. E até quem é insignificante para mim, se encontrará no meio de muitas letras, pois é de pequenas coisas que tiro proveito para engrandecer-me. Mas nem tudo será dito, pois tenho segredos, como um cofre de banco que precisa de segurança para o que lhe é guardado não ser roubado.

Vamos lá. Bom, primeiro, nota-se que eu, então aluno do segundo colegial, não dava a mínima pra gramática: sosinho, aja, enfim...Isso não importa.

O legal é isso aqui: Assuntos diferentes daqueles que as pessoas mais próximas de mim estão cansadas de ouvir sair da minha boca. O que eu quis dizer com isso??? Quer dizer que, do nada, graças ao blog, eu poderia falar, finalmente, de física-quântica, música barroca, superávit primário...tipo assim, coisas diferentes. Será que eu sofria muito por não ter com quem falar sobre isso? Bem, revirando os arquivos do meu blog, não tem nada de mais assim...

Isso também é...humm..vejam: É um desabafo; e convido-os a desfrutar-lo. Repito, desconsidere o meu “neologismo”. Como assim??? Eu, um puto de um adolescentezinho, que nem sabia se “sozinho” se escreve com S ou Z, diz que vai escrever num blog, pra desabafar, e ainda, achando que isso se trata de “uma puuta jogada de marketing pessoal mó legal”, dá a entender que, você, leitor, está mais do que convidado a acompanhar – e, detalhe, DESFRUTAR – o meu mau-humor, o meu estressezinho pós-aula-daquela-professora-chata-de-matemática-que-só-sabe-me-dar-ponto-negativo. Em outras palavras, convidava a todos a acompanhar – e DESFRUTAR!- o meu narcisismo mais infantil possível.

Isso é ótimo: estarei revelando meus pensamentos, que são para muitos um mistério.Utópico. Muitos se encontrarão como grandes personagens. Mocinhos e vilões serão descobertos. Putzz...já começa com um gerundismo broxante! Depois, que tão misteriosos seriam esses pensamentos assim??? E eu tenho certeza que, à época, eu só pensava em skate, mulher, power rangers (ok, peguei pesado agora...), comer, dormir, mulher, chaves, porra nenhum e mulher! Aí, pra fechar, ainda tenho a audácia de dizer que muitos dos leitores se encontrarão no blog e, pior, na forma de personagens! Falou o Machadão de Assis! Aí pra fechar, me queimo de vez: Mocinhos e Vilões!!!!! Que bosta!!!!! Parece até chamada pra filme da sessão da tarde ou novela das seis, e do SBT!!!!

E a merda não pára: pois é de pequenas coisas que tiro proveito para engrandecer-me. Tipo, isso você também pode ler na bíblia e num daqueles livros do tipo “O Segredo”.

Bom, aqui descambo de vez e parto pra ignorância: Mas nem tudo será dito, pois tenho segredos, como um cofre de banco que precisa de segurança para o que lhe é guardado não ser roubado. Repare na complexidade da analogia: eu = cofre de banco! Que viadagem! Nem uma menina que cola fotos do RBD na porta do armário escreve isso num diário!



Gente, quem quiser dar continuidade a esta análise, fique à vontade, por meio de comentários. DESFRUTE, você é bem-vindo!

Em um mau ambiente*

*Texto de Jânio de Freitas publicado hoje na Folha de S. Paulo



MARINA SILVA teve motivos para renunciar muito antes, ainda no primeiro mandato de Lula, e devia tê-lo feito. Depois de contrariedades, desautorizações e críticas ostensivas, como as que Lula lhe fez, entre tantas outras, a pretexto dos transgênicos e da licença ambiental para hidrelétricas no rio Madeira, Marina Silva não tinha por que esperar a humilhação de ver um trabalho seu entregue ao comando de quem não deu a perceber, jamais, o menor conhecimento de meio ambiente e, ainda menos, de Amazônia. O gesto de Lula, sem justificativa real ou ao menos para guardar aparências, foi uma declaração de falta de confiança.Por seu lado, Lula agiu com uma falta gritante de respeito humano. Sua lengalenga posterior, tão suave e sentida, mais acentua do que disfarça a humilhação pública que praticou. Se, em sua comparação, a renúncia de Marina Silva lembrou-lhe a surpresa e a perda no dia em que um filho sai de casa, esse filho fez muito bem em ir para longe de tal pai.À parte sua brutalidade, tem um sentido grave a transferência do Plano Amazônia Sustentável, do Meio Ambiente para a Secretaria de Assuntos Estratégicos de Longo Prazo e também de agora mesmo. Significa o avanço que obtêm, no governo e em Lula, concepções militaristas (de características mais de primeiro mundo do que brasileiras) e suposições belicosas como perspectivas do Brasil. Lula se chega a Médici, não só por sua adesão ao "ninguém segura este país", mas também pelo "Brasil Grande" e o "Brasil Potência", que, no dizer de Nixon, fará a "América Latina ir para onde o Brasil for".Ao aceitar o lugar de Marina Silva, Carlos Minc aceita a restrição a políticas ambientais suas para os problemas da Amazônia. Se foi informado de tal condição do convite, não se sabe. Sim ou não, leva ao mesmo: a probabilidade de problemas. Lula se interessou pela rapidez, também vista como certa afoiteza, com que Minc decidiu dificuldades de licenciamento ambiental para algumas obras no Estado do Rio. Mas Carlos Minc não é só -ou até aqui não foi só- um político/administrador de atividade ininterrupta, determinada e rápida. Minc conhece o seu assunto e nele tem idéias consolidadas. Se também tem disposição para concessões, ou não, é o que veremos agora.A ida de Carlos Minc para o governo federal segue uma regra que já se torna tradição: de um jeito ou de outro, o Rio perde. Secretário estadual de Meio Ambiente há um ano e quatro meses, Minc fez trabalho bom e assim reconhecido, inclusive pela disposição com que iniciou a recuperação de áreas ambientais maculadas por invasores ricos, sobretudo no litoral mais valorizado. Não era mesmo uma atividade que prospere no Rio.Fica à disposição de interpretações o comunicado de Lula: "A política ambiental do governo não mudará em nada". Com a Amazônia entregue a pretensos estrategismos aquartelados e um presidente só interessado em rápidas licenças ambientais, não se sabe se Lula fez apenas outra frase sem sentido ou uma ameaça.

14 de mai de 2008

Resenha - O nascer de uma lenda

Quase dois séculos após ter sido publicado pela primeira vez, Frankenstein ou O moderno Prometeu (1818) da britânica Mary Shelley continua a assustar e fascinar leitores de todas as idades, além de continuar a influenciar quase todos os autores do terror moderno. O livro, inicialmente publicado sem o nome da autora após dois anos de ter sido escrito, teria duas republicações, em 1823 e 1831, após revisões, adição de um prefácio e mudanças feitas pela autora até chegar a sua edição definitiva.
A história pode ser geometrizada como duas linhas que possuem alguns pontos em comum. Na primeira linha narrativa, a principal personagem é o capitão R.Watson, que através de cartas a sua irmã na Inglaterra conta suas aventuras em um navio explorador com destino ao Pólo Norte. A segunda linha é o Doutor Victor Frankenstein, um brilhante cientista de Genebra, que após o fracasso em uma de seus experimentos, corre o mundo para destruir o mal que criou para seus semelhantes. As linhas se encontram quando o navio de R.Watson encalha no mar congelada e logo após o descongelamento, resgatam o Doutor Victor Frankenstein que conta a sua história para R.Watson, que transcreve para a sua irmã. E assim como acontece na geometria, Watson e Frankenstein se afastam novamente, deixando Watson como personagem principal mais uma vez.
Esse processo de se criar uma história inicial-final (R.Watson), que acaba servindo de moldura para a principal (Victor) é chamada de narrativa moldura e é uma das principais características do terror gótico, movimento que Frankenstein é um dos percussores. Outros livros do movimento são O médico e o Monstro (1886) de Robert Louis Stevenson, O retrato de Dorian Gray ( 1891) de Oscar Wilde e Drácula (1897) escrito por Bram Stoker, onde novamente o leitor primeiro é introduzindo num universo intimista para depois ser assustado com as descrições quase realistas.
O mundo criado por Shelley rendeu inúmeras adaptações nas mais diversas mídias, apesar disso, seria na sétima arte que a obra de Shelley ganharia suas maiores adaptações, mesmo com algumas modificações. A primeira delas foi filmada em 1910 pelo inventor Thomas Edison, porém seria na versão de 1931, dirigida por James Whale, que o monstro tomaria as formas definitivas no imaginário popular: cabeça chata, parafusos no pescoço e na cabeça e extremamente lento e burro, mesmo com o livro não revelando detalhes da anatomia da pesquisa de Victor, que é narrado como “extremamente ágil” por Shelley.
Outra “falha” criada devido ao grande número de adaptações que o livro recebeu é em relação ao nome da Criatura ou Monstro, filho da pesquisa do doutor Frankenstein. Para a grande maioria das pessoas, o nome do monstro é Frankenstein, porém em nenhum lugar do livro Victor ou qualquer personagem dá um nome à Criatura, mas para alguns leitores e críticos o monstro “herda” o sobrenome de seu criador uma vez que vêem em Victor o “pai” e “mãe” da criatura.
Nos anos seguintes, Frankenstein voltaria às telonas em outros filmes que pouco respeitariam o enredo original. Por exemplo, Frankenstein se depara com outros monstros clássico na versão de Frankenstein Encontra o Lobisomem (1943) ou no mais atual Van Helsing (2004) . Peter Cushing, dirigido por Terence Fischer, dá nova vida ao monstro em Frankenstein tem que ser Destruído (1967), onde Victor Frankenstein é reduzindo a um lunático chantagista atrás de mortos para seus experimentos. O monstro também mal aparece em: Frankenstein(1984), de James Ormerod, onde a beira da morte, Victor Frankenstein conta sua vida a um padre e Gothic(1987) de Ken Russell que conta a noite que Shelley deu vida a sua obra-prima. Essa seria também o roteiro usado para a filmagem de Frankenstein de Mary Shelley ( 1994), onde Robert De Niro dá voz ao monstro.
Ao todo, 14 filmes possuem alguma relação direta com a obra. Isso sem contar relações indiretas, como Edward Mãos de Tesoura (1990), do Tim Burton. O livro virou até novela de televisão e foi apresentado no SBT.
Mas qual seria o motivo para a história de Victor Frankenstein e sua criatura fazer sucesso até os dias atuais?
Uma das respostas pode estar no subtítulo do livro: "o moderno Prometeu" que é um titã grego, misto de deus menor, herói e ancestral, que com a ajuda de outros titãs recebe a incumbência de criar todos os animais do mundo, mas sua história mais conhecida é de quando roubou o fogo divino e o entregou aos mortais. Victor é Prometeu no primeiro momento da história, ao dar vida a sua criatura, e sua cria acaba se tornando um representante da humanidade que nasce ignorante, mas consegue se transformar sem a ajuda de seu criador. Não é a toa a citação de Jonh Milton como epigrafe:
“Acaso, ó Criador, pedi que do barro
Me moldasse homem? Porventura pedi
Que das trevas me erguesses?”

É disso, afinal, que se trata o romance: a pesquisa da centelha vital, capaz de dar vida aos mortos, a contrapartida biológica da alquimia da pedra filosofal. É neste sentido que "Frankenstein", o monstro, se torna a alegoria dos resultados da ciência moderna e Frankenstein, o médico, se torna, por seu lado, numa alegoria do desejo humano de transcender a própria condição humana, desejo esse presente desde a pré-histórica até à mais recente engenharia genética.
Com os atuais esforços da biomedicina, muito se fala na real possibilidade do surgimento da vida a partir de células mortas ou da criação uma pessoa a partir de células de outras pessoas. Porém, até esse dia chegar, a leitura que deu origem a um dos maiores mitos da literatura e do cinema merece ser lida.

Lula fala à "Der Spiegel"

O presidente Lula foi entrevistado pela revista alemã Der Spiegel.


CLIQUE AQUI E LEIA A TRADUÇÃO QUE O UOL FEZ!

11 de mai de 2008

Pepê, já tirei a vela!

Acabei de chegar para trabalhar. Mas não conseguia entrar na empresa, pois, mesmo após passar pela portaria, onde havia um segurança ainda novo em sua função, uma grande porta de aço, toda blindada e imponente, bloqueava o caminho que me levaria ao meu setor.

O segurança, que disse que era sua primeira vez lá, pegou um molho de chaves e subiu comigo até a grande porta, cercada por câmeras. Verificamos que ela não podia ser aberta por chaves: segundo um outro segurança, que foi acionado por nós via nextel, a porta só podia ser aberta se entrássemos em contato com a central de segurança que, de lá, acionaria um sistema automático de “destravamento”. Tudo por meio de "acionamentos" e "desativações", de acordo com ele. Nossa, que tecnologia!

Entramos em contato com a central. Dei alguns dados sobre mim. E eles confirmaram que a porta logo mais seria destrancada. Pensamos, eu e o novato segurança, que um computador acionaria o dispositivo da porta.

Mas enquanto esperávamos a tecnologia entrar em ação, estando nós ansiosamente colocados defronte à panóptica porta de metal (que além das câmeras possuía uma janelinha que, para quem está de fora é um espelho – estilo aquelas salas de interrogatório que vemos no cinema), eis que ouvimos um barulho de chaves, indicando que o sistema não era tão futurista assim. A porta abre. Uma moça dá “bom dia, desculpa pela demora”. Ela tira a chave da fechadura, a porta agora está fechada novamente. E agora estou trabalhando.

9 de mai de 2008

Pra colocar o rabo entre as pernas...

Folha de hoje:

Nada se salva no 2º filme do Casseta & Planeta

INÁCIO ARAUJO CRÍTICO DA FOLHA

Membro da trupe do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira afirmou com elogiável ousadia que "Glauber Rocha é uma merda" (a referência talvez não seja literal e, de todo modo, diz respeito aos filmes e não à pessoa de Glauber).Que dizer? Talvez Marcelo Madureira ainda não tivesse visto "Casseta & Planeta - Seus Problemas Acabaram!" (TC Pipoca, 20h30), que renovou o conceito de "merda", cinematograficamente falando.São aqueles planos mal formulados, aqueles comediantes comportando-se em cena como se estivessem em um estúdio de televisão, aquelas compilação de piadas mumificadas, o conjunto descosturado.Tudo é tão canhestro no cinema do grupo de humoristas que não poderia ser comparado nem a Renato Aragão, cujo talento quase sempre apanhou do cinema, embora se manifestasse na TV.Nem muito menos às boas chanchadas de Oscarito e Grande Otelo, ou a Mazzaropi. Já Glauber é outro planeta.



*Araújo se refere à reportagem (reportagem?) de capa deste mês da revista Bravo, segundo a qual Glauber Rocha está num "fogo cruzado". (risos)

Dica 2

Caros Amigos realizou uma entrevista com Frédéric Gros, um filósofo francês especialista em Michel Foucault, abordando, principalmente, a Guerra nos dias atuais.

Uns trechos:

“O antigo sistema de guerra pressupunha uma série de distinções: entre o exterior e o interior, entre o inimigo e o criminoso etc. Os conflitos pós-modernos vão pressupor atores novos: mercenários, organizações não-governamentais, exércitos internacionais, máfias. É uma nova lógica que se forma. Enfim, falo de um princípio de midiatização para referir a importância da imagem nos conflitos contemporâneos: é por ela que se decide o sentido das novas violências. O que chamo de "estados de violência" é, portando, o que é preciso descrever na atualidade contemporânea”.

“Tudo seria linguagem, comunicação, transmissão de códigos: a troca de bens, o casamento, a reprodução sexuada etc. Então, o homem, como núcleo central do saber, desaparece. O que significa para Foucault que a "natureza humana" remete a uma questão cultural precisa, mas não ter pertinência nem universal, nem trans-histórica”.


A entrevista está muito interessante e pode ser lida, integralmente, no blog do Catatau.

Vale a pena!

Clique aqui para ler

Dica Androceu

Na Folha de hoje:


Livraria da Vila e Maria Antonia iniciam discussões sobre música

DA REPORTAGEM LOCAL

A bossa nova, que neste ano comemora 50 anos, ganha programação festiva de hoje até 16/5, na Livraria da Vila (al. Lorena, 1.731, Jardins, tel. 0/xx/11/3062-1063). A Semana da Bossa Nova começa hoje, às 19h30, com bate-papo com o escritor Ruy Castro, colunista da Folha. Em seu livro "Chega de Saudade", Castro fez vasta pesquisa sobre o movimento musical brasileiro, protagonizado por nomes como João Gilberto e Tom Jobim.
Na terça-feira, dia 13/5, é a vez do compositor e violonista Arthur Nestrovski, articulista da Folha, fazer uma aula-show sobre Tom Jobim (1927-1993). A programação da livraria tem ainda a cantora portuguesa Eugênia Melo Castro (amanhã, às 21h), Julio Medaglia e Lucia Richer (domingo, às 18h), Danilo e Teté (12/5, às 19h30), Silvia Góes (14/5, 19h30), Bettina e Eddy Marcos (15/5, às 20h) e Patty Ascher (16/5, 20h).
A entrada é gratuita e, para participar, é preciso se inscrever na página www.livrariadavila.com.br.

Maria Antonia
A música brasileira também é um dos principais temas da revista "Cultura e Pensamento", cujo lançamento acontece hoje às 20h, no Centro Maria Antonia (r. Maria Antonia, 294, tel. 0/ xx/11/3255-7182).
Haverá um debate com Alfredo Manevy (doutor pelo Departamento de Cinema da ECA-USP), André Gardel (músico e professor na UniverCidade, no Rio) e Walter Garcia* (professor da PUC-SP), que discutirão o tema "Adeus à MPB?". A entrada é gratuita. Mais informações: www.usp.br/mariantonia.


*E autor do disco Foi gol mas o juíz não viu. Cópias disponíveis com o autor deste post.

7 de mai de 2008

Momento Jabá

ou, então, um eufemismo: Momento de Incentivo à (própria) Produção Cultural - MI(P)PC



Extrato do poema "Ode Triunfal", de Álvaro de Campos


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Pesado

"Eu tive pai e mãe. E os perdi cedo, conheço essa dor. Para mim, a perda do seu pai dói muito diferente. Ele não era de onde eu vim. Era para onde eu ia."


http://parafrancisco.blogspot.com/

6 de mai de 2008

cena de romance de sala de aula

A vida está quebrada. Só nos resta catar os cacos:


_ Eu... / _ Eu... (falam ao mesmo tempo)
_Não, fala você.
_Fala você primeiro!
_Pode falar!
_Fala aí...hehe.
_ Eu... / Eu...
_ ...
_ ...
_ HAHAHA / HAHAHA (riem ao mesmo tempo)
_Tá...Vou falar!
_Ok!
_ ...bem...
_ ...
_ Eu te amo!
_ !
_Aiii...agora fala você!
_Hum...er...eu só ia vê com você se você anotou quais os textos pra ler pra prova de amanhã...porque eu perdi minha anotação.
_ !
_ ...
_ ...
_ ...
_ ...
_ ...............Seu insensível!
_ ...
_ ...
_...desorganizado!
_ Sou mesmo, e daí!


E nunca mais se falaram.

3 de mai de 2008

Ainda sobre a cerveja...

*Da Folha de S. Paulo de hoje, 3 de maio de 2008

Trecho do artigo O Brasil deve restringir a propaganda de cerveja?

"O consumo abusivo de álcool custa caro à sociedade e ao Sistema Único de Saúde, em tratamento de doenças, atendimentos em prontos-socorros, internações psiquiátricas, faltas no trabalho, além dos custos humanos com a diminuição da qualidade de vida dos usuários e de seus familiares. Atualmente, mais de 10% dos brasileiros podem ser considerados dependentes do álcool. E o mais alarmante: diversos estudos confirmam que a idade com que adolescentes começam a beber está caindo no Brasil, e a freqüência, aumentando. Por não ser regulada -as propostas de auto-regulação são risíveis-, a propaganda de cerveja dirige-se ostensivamente aos jovens, valoriza o consumo em grandes quantidades e o associa ao bom êxito social e sexual. A penetração da publicidade no mundo das crianças e dos adolescentes, sua receptividade e recordação estão ligadas à iniciação do consumo. A propaganda de cerveja é ato puramente comercial, tem a função exclusiva de venda e, por isso, não é razoável reduzi-la, como defendem alguns, a simples expressão do livre pensamento. Como fez acertadamente o Parlamento brasileiro ao proibir a propaganda de cigarro, isso não significa censura ou qualquer outra forma de atentado ao Estado democrático de Direito. A publicidade é lícita, mas não configura, por óbvio, direito absoluto. É, aliás, a própria Constituição Federal brasileira que admite a restrição da propaganda de bebidas alcoólicas, entre outros produtos com potencial lesivo à saúde e ao meio ambiente. Por isso, pedimos aos senhores deputados federais que não se deixem levar somente pela campanha desesperada e pelo lobby agressivo da indústria da cerveja, das grandes emissoras de TV e das agências de publicidade. Afinal, estão movidos unicamente pelo temor da queda de faturamento e pela perda de parte da capacidade de convencer novos consumidores. Fiquem conosco, com a saúde e a vida de nossos jovens".


autores:
HENRIQUE CARLOS GONÇALVES, 60, é médico pediatra e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. MARILENA LAZZARINI, 59, é coordenadora-executiva do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e ex-presidente da Consumers International. RONALDO LARANJEIRA, 51, é médico psiquiatra, professor e coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

2 de mai de 2008

Publicidade, cerveja, informação*

* Reproduzo aqui um post muito bom do Marcelo Coelho, retirado de seu blog.



Assim de chofre, pensei que era algum poema de Mário Quintana dedicado ao Dia das Mães. Não. Apesar da organização em estrofes e versos, era um texto da Associação Brasileira das Agências de Publicidade, a favor dos anúncios de cerveja. Saiu há alguns dias no jornal, mas não dá para passar batido. Transcrevo e comento.

QUEREM PROIBIR
A PUBLICIDADE
DE CERVEJAS NO BRASIL.

É O MESMO QUE PROIBIREM
A FABRICAÇÃO DE ABRIDORES
DE GARRAFAS NO BRASIL.

[eles não tiveram jeito de dizer: “é o mesmo que proibir a fabricação de cervejas no Brasil”, porque correriam o risco de alguém achar uma boa medida. Mas a comparação ficou estranha, porque abridores de garrafa abrem outras coisas além de cerveja, como suco de uva e groselha, por exemplo. De resto, por que tanta preocupação? Proibida a publicidade de cerveja, nada impede que surjam novas contas e novas batalhas publicitárias envolvendo, por exemplo, Maguary e Superbom.]

Nem a propaganda,
nem o abridor são a motivação
para irresponsáveis dirigirem embriagados.

[“motivação”, eis a palavra capciosa. Um abridor não “motiva” ninguém. A propaganda sim. Mas “motivação” aqui foi usado como sinônimo de “causa”, inocentando obviamente o abridor e, de contrabando, a propaganda.]

A propaganda ou o abridor
não são os culpados pela venda criminosa
de bebidas alcoólicas a menores.

[mas a propaganda,ao contrário do abridor, pode dar vontade em menores de beber cerveja]

Abridores e propaganda
não são incentivadores dos covardes
que praticam a violência doméstica.

[quem disse, aliás, que esses covardes bebem cerveja...? A julgar pela propaganda, os bebedores de cerveja são em geral solteiros e têm ótimo relacionamento com mulheres].

Essas são questões que só a educação,
a democratização da informação
e o rigor no cumprimento das leis podem resolver.

[entra de contrabando aqui outra palavra mágica, “informação”, cercada de conotações positivas, para depois ser reutilizada.]

Por isso,
proibir a publicidade de cervejas
não vai mudar em nada esse quadro.

[gosto do plural aqui: “cervejas”. O texto, para se mostrar neutro e isento, zela pelo pluralismo do produto, reconhecendo subliminarmente que há cervejas e cervejas, boas ou más, e que compete, claro, ao leitor escolher entre elas.]

A não ser tirar de você o direito
de gostar ou não gostar desta
ou daquela publicidade.

[Eis um direito novo no mercado. Naturalmente, eles não conseguiriam ir tão longe a ponto de dizer que a lei tiraria o direito de tomar cerveja, porque isso não ocorre. Então, é a própria publicidade que se apresenta como produto a ser usufruído, apreciado... sem moderação.]

De se informar e de formar a sua opinião.

[Opinião sobre o quê? Sobre a qualidade de determinado anúncio? Era isso o que prenunciava a estrofe anterior. Mas é claro que aqui a opinião se refere a tomar ou não cerveja, desta ou daquela marca; opinião que será “formada”, segundo o raciocínio do texto, vendo-se o maior número de anúncios possíveis, para julgar com plenitude de informação o que fazer com o abridor na mão.]

Um direito tão sagrado,
quanto o que você tem de comprar ou não
um abridor de garrafas.

[de novo, não tiveram coragem de dizer que o direito de tomar cerveja é sagrado. Entra então o álibi do abridor de garrafas]

E decidir o que fazer com ele.

Obrigado, mas posso decidir sozinho o que fazer com ele. Sem ninguém me martelando na cabeça que cerveja é alegria, corpo atlético, potência sexual etc.

Como sempre, esse tipo de defesa invoca a “liberdade de informação”. Mas não se trata de informar ninguém: trata-se de induzir pessoas a um comportamento que se quer que elas tenham.

Em resumo, uma droga.




---------------------


Coelho ainda dá uma dica: Clique aqui e veja algumas bizarrices da Publicidade.

Preparem as malas. O JUCA vem aí.



Depois de muita conversa fiada e especulação, a cidade do JUCA 2008 foi decidida: Guaratinguetá.
Localizada a 176 quilômetros de São Paulo, a cidade conta com 125 mil habitantes e já recebeu as edições de 2002 e 2003 do JUCA. E a primeira boa notícia já é essa: Em vez de enfrentar a esburacada e perigosa Régis Bittencourt, o provável caminho será pela BR-116, a popular Via Dutra, ou seja, mais segurança e menos tempo na estrada. E as novidades não param por aí...
Lendo sobre as edições anteriores a cidade parece ser melhor que a boa e velha Registro com seus ferros-velhos com nomes de desenhos japoneses e suas ruas de nomes simpáticos. Para se ter uma idéia, Registro é considerada uma das piores cidades do Estado de São Paulo, enquanto Guará é uma das melhores. A diferença entre os PIB e IDH também é enorme, ou seja, se em Registro a coisa foi boa, em Guará a coisa só tende a melhorar.


Vamos sentir sua falta, Registro. Mas tudo que é bom tem que acabar um dia


Fora os dados oficiais, Guará tem duas coisas que Registro não têm: um Kartódromo que fica na zona leste da cidade, e várias faculdades instaladas em suas cercanias.
A PUC ainda não divulgou os preços desse ano, mas olhando nos sites das outras atléticas o preço deve se manter em torno dos 200-250 reais no pacote completo (busão + caneca+ camisa + três baladas + alojamento).
E não sendo pessimista ou alarmista, mas do jeito que a atlética puquiana é amadora em inúmeros aspectos, esse talvez seja o último JUCA que a PUC pode passar na elite. Então não perca tempo e segunda mesmo garanta seu ingresso para o maior evento de comunicação do Brasil.