19 de ago de 2008

Não era pra menos

O que começa errado só pode acabar errado”, defende minha mãe em mais uma de suas teses matriarcais – ela diz, inclusive, ter uma bola de cristal. Hoje pude crer que minha mãe está certa, pois a seleção brasileira de futebol terminou sua participação nas Olimpíadas com um melancólico três a zero frente à sempre rival Argentina.

A começar pela escola do treinador, tudo começou errado. E deu errado, como preconizava minha mãe. Ricardo Teixeira, há muito no comando da CBF, apostou na fórmula alemã que legou o terceiro lugar na Copa de 2006. Mas Klismam e o então auxiliar, hoje treinador, Joaquim Low não são comparáveis a Dunga. E a Alemanha não é comparável ao Brasil. Ora, pois. Dunga nunca foi treinador.

Mesmo a preparação para Pequim foi um fracasso. Aliás, nem houve preparação. Cingapura, Vietnã e um pitoresco combinado do Rio de Janeiro (de terceiro escalão, leia-se) parecem factóides para tapear o torcedor. Em muito, tais ilusões (Vai lá Brasil! O sonho do ouro e efemérides semelhantes) foram reverberadas pela turma do Jardim Botânico e seu sempre caricato porta-voz Galvão Bueno.

Se as patriotadas da imprensa brasileira tivessem o mínimo de prudência, os torcedores não estariam mais uma vez desolados. Não bastasse 2006, ano em que o Jornal Nacional desrespeitou o torcedor, e os amantes do futebol, com suas divertidas entrevistas com jogadores pelas madrugadas, não se disse uma linha sobre o despreparo do treinador e a falta de treinamentos e amistosos relevantes.

Ah, se a imprensa ouvisse minha mãe! O que começa errado só pode acabar errado. Cobertura ufanista só pode terminar errado. E agora, Ricardo? Não quer passear? Leva o Dunga com você! O futebol brasileiro agradece.
Em tempo.
Chamada de capa do Lancenet: “Dunga admite: ‘O momento da seleção é delicado’”. Demorou!

Crédito da foto: (© Alexandre Battibugli); site da Placar.

2 comentários:

Max disse...

Como diria o Caio Maia.

"Dunga pode esperar. A sua hora vai chegar".

E adptando para um lugar comum do galvão para os "secadores até Texeira cair": A seleção perder é bom. Ser goleada pela Argetina é melhor ainda.

E para comemorar mais um fracasso da nossa pátria de salto-alto acho que irei ouvir irei jantar ao som de tango de Carlos Gardel, usando minha camisa do Boca, comendo um dulce del leche da Havanna e depois, para relaxar, ler alguma coisa de Borges.

mario disse...

Luiz, ótimo texto! Bem o que eu tava pensando antes do jogo, na hora da aula do Wladyr.