8 de jun de 2009

PUC proíbe drogas no câmpus

Reitoria admite que alunos fumam maconha e veta consumo em suas dependências

LUÍSA ALCALDE, luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Pela primeira vez na história da Pontifícia Universidade Católica (PUC), a reitoria admitiu publicamente que há uso de drogas dentro do câmpus Perdizes, na zona oeste, e decidiu coibir o consumo em suas dependências depois que o novo reitor, Dirceu de Mello, defendeu o “franco enfrentamento do problema” em comunicado interno dirigido à comunidade universitária.

“A PUC não quer ser marcada como um território livre para o uso de drogas. O que é ilegal não pode e pronto. Aqui não é lugar para ficar fumando maconha”, afirma o pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias, Hélio Roberto Deliberador, a quem coube colocar em prática o plano de coibir o uso de drogas dentro da universidade. A ação começou a valer há um mês e meio.

A nova determinação chegou ao conhecimento dos cerca de 20 mil alunos de graduação e pós-graduação, professores e funcionários por um e-mail enviado pela reitoria.

Os 120 seguranças da Graber, empresa privada que presta serviços no câmpus Perdizes, receberam treinamento para abordar quem for visto consumindo drogas. “A ordem é não constranger e nem humilhar ninguém”, afirma Deliberador.

Em média, 10 usuários por dia estão sendo abordados. Quando percebem alguém fumando maconha, os seguranças pedem que apague o cigarro, alertam que o uso é ilegal e dizem que a universidade não é o espaço adequado para essa prática. Depois, perguntam o nome, a classe e o curso.

Caso alguém se recuse a obedecer ou se identificar, os seguranças fazem um relatório com a descrição física, as circunstâncias e a atitude da pessoa abordada. “Esses relatos são absolutamente sigilosos”, explica Deliberador.

Até o momento, seis usuários estão em processo de identificação. Três já foram chamados na reitoria para conversar. “Não nos interessa estigmatizar ninguém, porque isso atrapalharia um eventual tratamento”, afirma.

Deliberador faz questão de deixar claro, entretanto, que a intenção não é punir e nem chamar a polícia para prender usuários. “Vamos fazer um trabalho de conscientização, de prevenção e de política de redução de danos.”

A ronda diária feita pelos seguranças aumentou há um mês e meio, sobretudo nas áreas internas, onde foi mapeado que havia abertamente o consumo: próximo à quadra de esportes, no pátio da cruz e na “prainha”, apelido dado pelos alunos a uma espécie de praça central. “O cheiro de maconha nesses pontos já diminuiu.”

Os centros acadêmicos ficaram fora da fiscalização. Os seguranças não entram nesses locais porque existe uma espécie de “acordo de cavalheiros” não oficial, segundo alunos.

O segundo passo será identificar os usuários reticentes e os dependentes que insistirem em fazer das dependências da PUC um território livre para o consumo. A identificação deve estar pronta até o próximo semestre. “O sigilo e a privacidade serão garantidos e os direitos dos alunos preservados”, afirma o professor.

Esses estudantes serão chamados e encaminhados para acompanhamento socioeducativo com equipe multidisciplinar formada por psicólogos e assistentes sociais. O passo seguinte será sugerir que procurem tratamento especializado para enfrentar a dependência. “Isso, se o aluno quiser, porque não podemos impor tratamento para ninguém”, observa.

“Nenhum aluno será desligado por isso. Mas uma coisa é certa: vamos insistir, porque não queremos esse uso frequente na universidade”, afirma Deliberador.

fonte: http://txt.jt.com.br/editorias/2009/06/08/ger-1.94.4.20090608.5.1.xml

2 comentários:

mario disse...

Pow, tinham que entrevistar um certo androcêutico que, consta, gosta de macÔnha.

bruno disse...

fui hoje à PUC pela manhã e senti um clima de profunda larica lá... um pessoal meio "de boa" e sem perspectivas.