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23 de dez. de 2010
11 de nov. de 2010
Façamos reportagem, apenas
Tenho de volta a obra-prima "O Segredo de Joe Gould", de Joseph Mitchell, que marcou a grande reportagem norte-americana sem, para isso, necessitar de celebridades ou grandes nomes da época como fontes.
Como disse João Moreira Salles, no prefácio da edição da Companhia das Letras, a cada texto de Mitchell, uma árvore vem abaixo - fazendo alusão ao pica-pau que pode derrubar uma árvore. Explico. Ninguém tem paciência suficiente para ver um pica-pau bicar uma árvore durante mais de duas horas, até que ele consiga derrubá-la. Mas o jornalista do New York Times tinha.
No caminho de volta para casa, hoje, com o livro em mãos (havia emprestado há mais de seis meses), concluí que a fonte de Mitchell, o velho Gould, era a mais difícil. Não porque não possuisse assessoria de imprensa, ou escritório, ou cargo importante. Mas talvez porque era a pessoa desisnstitucionalizada, livre e, portanto, atraente para o jornalista.
Como medir os méritos de uma reportagem? Vamos verificar se ela derrubou um presidente, ou um senador? Se ela atingiu o objetivo de prestar um serviço? Se ela salvou vidas, alertando de algum perigo qualquer? Trouxe conhecimento erudito, educou, esclareceu?
O fato é que ler Mitchell, sua reportagem mesmo, em nada atinge esse checklist. Não derruba governo, não educa, não presta serviço, nem sequer traz previsão do tempo ou resultado da última rodada do campeonato.
Qual a função? Não digo do jornalismo, mas desse tipo específico de matéria, que relata, conta, revela.
Creio que simplesmente - e já é muito - ser peça artistica. E política.
Mitchell não está apenas contando o que o Outro faz - o ser bizarro que é Gould -, mas, além dessa fronteira, está fazendo algo objetivo - produzindo um produto, uma obra, um discurso, uma coisa que não é mera reprodução de conhecimento, mas conhecimento em si.
A peça (e falo aqui em peça, no sentido literal mesmo, como parte de algo que se destaca e se torna coisa autônoma) de Mitchell, seu texto, é a novidade; é ele o trabalho final. E é este o serviço que presta - semelhante ao que nutre o mundo plástico.
Pouco se comenta da plasticidade do texto jornalístico, coisa até ridicularizada nas grandes redações.
Quase entrando na estação de metro, ainda hoje, encontrei o nosso Gould, sobre o qual já escrevi aqui. Seu Verdi. Esse senhor não produz indicadores econômicos, não é autoridade em nada, não é fonte pra ninguém, a não ser para ele mesmo. Para o jornalismo, é desinteressante, pois é uma figura raza, desimportante.
Talvez, a função da reportagem seja subverter esse pensamento que contamina. E parte do remédio pode ser extraído de Mitchell.
Como disse João Moreira Salles, no prefácio da edição da Companhia das Letras, a cada texto de Mitchell, uma árvore vem abaixo - fazendo alusão ao pica-pau que pode derrubar uma árvore. Explico. Ninguém tem paciência suficiente para ver um pica-pau bicar uma árvore durante mais de duas horas, até que ele consiga derrubá-la. Mas o jornalista do New York Times tinha.
No caminho de volta para casa, hoje, com o livro em mãos (havia emprestado há mais de seis meses), concluí que a fonte de Mitchell, o velho Gould, era a mais difícil. Não porque não possuisse assessoria de imprensa, ou escritório, ou cargo importante. Mas talvez porque era a pessoa desisnstitucionalizada, livre e, portanto, atraente para o jornalista.
Como medir os méritos de uma reportagem? Vamos verificar se ela derrubou um presidente, ou um senador? Se ela atingiu o objetivo de prestar um serviço? Se ela salvou vidas, alertando de algum perigo qualquer? Trouxe conhecimento erudito, educou, esclareceu?
O fato é que ler Mitchell, sua reportagem mesmo, em nada atinge esse checklist. Não derruba governo, não educa, não presta serviço, nem sequer traz previsão do tempo ou resultado da última rodada do campeonato.
Qual a função? Não digo do jornalismo, mas desse tipo específico de matéria, que relata, conta, revela.
Creio que simplesmente - e já é muito - ser peça artistica. E política.
Mitchell não está apenas contando o que o Outro faz - o ser bizarro que é Gould -, mas, além dessa fronteira, está fazendo algo objetivo - produzindo um produto, uma obra, um discurso, uma coisa que não é mera reprodução de conhecimento, mas conhecimento em si.
A peça (e falo aqui em peça, no sentido literal mesmo, como parte de algo que se destaca e se torna coisa autônoma) de Mitchell, seu texto, é a novidade; é ele o trabalho final. E é este o serviço que presta - semelhante ao que nutre o mundo plástico.
Pouco se comenta da plasticidade do texto jornalístico, coisa até ridicularizada nas grandes redações.
Quase entrando na estação de metro, ainda hoje, encontrei o nosso Gould, sobre o qual já escrevi aqui. Seu Verdi. Esse senhor não produz indicadores econômicos, não é autoridade em nada, não é fonte pra ninguém, a não ser para ele mesmo. Para o jornalismo, é desinteressante, pois é uma figura raza, desimportante.
Talvez, a função da reportagem seja subverter esse pensamento que contamina. E parte do remédio pode ser extraído de Mitchell.
18 de ago. de 2010
20 de jul. de 2010
Lula e o show de calouros
Procurando por antigas entrevistas de Lula à imprensa, me deparei com uma participação dele no programa do apresentador e andróide Silvio Santos, em 1989.
O mais interessante, além de ver que as idéias de Lula, hoje, estão coerentes com as da época, é dar uma checada na bancada de entrevistadores - Wagner Montes, Flor, Condessa Giovanna (a Mama Brusqueta de hoje), Décio Pitinini, as aposentadas da platéia e, como não poderia faltar num programa de calouros dos anos 1980, Pedro de Lara. Bons vídeos para começarmos as campanhas eleitorais.
Confiram a parte 1:
E a parte 2:
O mais interessante, além de ver que as idéias de Lula, hoje, estão coerentes com as da época, é dar uma checada na bancada de entrevistadores - Wagner Montes, Flor, Condessa Giovanna (a Mama Brusqueta de hoje), Décio Pitinini, as aposentadas da platéia e, como não poderia faltar num programa de calouros dos anos 1980, Pedro de Lara. Bons vídeos para começarmos as campanhas eleitorais.
Confiram a parte 1:
E a parte 2:
9 de jun. de 2010
Leveza, peso e Kundera
Alex Kundera já observara, em A insustentável leveza do ser, que os dramas da vida podem ser explicados pela metáfora do peso. Carregamos um fardo. Ou estamos leves diante de uma situação. A barra está pesada. Ou as implicâncias apenas se equilibram com uma pluma.
Mas talvez o “fardo” maior, aquele que determina aquilo que consideramos pesado na vida, seja a insistência que há, em cada um de nós, em realizarmos o eterno retorno. O mito segundo o qual um dia tudo o que vivemos poderá ser repetido. Kundera:
“Se a Revolução Francesa devesse repetir-se eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre”.
Assim, aquilo que não mais voltará, não passa de palavra, memória, é registro; não causa mais medo: é leve. “As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina”. Ora, ao entrar no âmbito do efêmero, as coisas parecem perder-se diante daquilo que realmente são; sequer uma guilhotina pode ser condenada.
Kundera:
“Não há muito tempo, eu mesmo fui dominado por este fato: parecia-me incrível, mas, folheando um livro sobre Hitler, fiquei emocionado diante de algumas de suas fotos; elas me lembravam o tempo de minha infância; eu a vivi durante a guerra; diversos membros de minha família foram mortos nos campos de concentração nazistas; mas o que era a morte deles diante dessa fotografia de Hitler que me lembrava um tempo passado de minha vida, um tempo que não voltaria mais?”.
Não é raro, lembramo-nos de situações desagradáveis do passado, pelas quais, não sabemos explicar, sentimos um desejo de retorno, mesmo que, à época, jamais pensaríamos de tal maneira. A eternidade tende à leveza que, por sua vez, é uma idéia perigosa. Cristo foi pregado à cruz apenas uma vez, mas aquele instante da crucificação pertence à eternidade; perdeu o sentido.
Fica mais leve que o ar. Os movimentos se distanciam da terra. De tão livres, tornam-se insignificantes.
A dificuldade está em perceber que o eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Mas o peso é ruim e a leveza é boa? Kundera: “Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino”.
Daí que: “o fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital”.
Mais do que meras digressões filosóficas, estamos diante de questões que merecem atenção, simplesmente por tratarem do absurdo da existência humana.
Mas talvez o “fardo” maior, aquele que determina aquilo que consideramos pesado na vida, seja a insistência que há, em cada um de nós, em realizarmos o eterno retorno. O mito segundo o qual um dia tudo o que vivemos poderá ser repetido. Kundera:
“Se a Revolução Francesa devesse repetir-se eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre”.
Assim, aquilo que não mais voltará, não passa de palavra, memória, é registro; não causa mais medo: é leve. “As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina”. Ora, ao entrar no âmbito do efêmero, as coisas parecem perder-se diante daquilo que realmente são; sequer uma guilhotina pode ser condenada.
Kundera:
“Não há muito tempo, eu mesmo fui dominado por este fato: parecia-me incrível, mas, folheando um livro sobre Hitler, fiquei emocionado diante de algumas de suas fotos; elas me lembravam o tempo de minha infância; eu a vivi durante a guerra; diversos membros de minha família foram mortos nos campos de concentração nazistas; mas o que era a morte deles diante dessa fotografia de Hitler que me lembrava um tempo passado de minha vida, um tempo que não voltaria mais?”.
Não é raro, lembramo-nos de situações desagradáveis do passado, pelas quais, não sabemos explicar, sentimos um desejo de retorno, mesmo que, à época, jamais pensaríamos de tal maneira. A eternidade tende à leveza que, por sua vez, é uma idéia perigosa. Cristo foi pregado à cruz apenas uma vez, mas aquele instante da crucificação pertence à eternidade; perdeu o sentido.
Fica mais leve que o ar. Os movimentos se distanciam da terra. De tão livres, tornam-se insignificantes.
A dificuldade está em perceber que o eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Mas o peso é ruim e a leveza é boa? Kundera: “Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino”.
Daí que: “o fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital”.
Mais do que meras digressões filosóficas, estamos diante de questões que merecem atenção, simplesmente por tratarem do absurdo da existência humana.
Aldenete nos causa inveja

Aldenete teria idade para casar e engravidar. Morar com seu marido à beira de uma estrada de barro, no interior do Ceará, numa casinha simples, mas cômoda e confortante. Ou teria idade para ir ao baile de forró do centro da cidade, e, com as primas de idades parecidas, faria os rapazes mais tímidos corarem só de lançar a eles um sorriso arquitetado pela vontade de provocar. A idade já lhe começaria a ser preocupação a média prazo, pois estaria se aproximando daquelas crises estúpidas que acometem qualquer moça que se afasta de seus vinte e poucos anos e encosta nos quarenta e tantos. Mas Aldenete, de 29 anos, aprendeu a dizer “mamãe” a pouco mais de um mês. Risonha, a moça, de 12 quilos e quase quarenta centímetros, é, também, uma criança de pouco mais de um ano de idade.
Entre a infância enjaulada num corpo cansado, rechonchudo, e a maturidade fantasmagórica, Aldenete não pode ser definida, a não ser com a condição de que, diante de sua magnífica existência, aceitemos o preceito de que tempo cronológico e tempo psicológico são coisas distintas. Quem está diante de Aldenete está diante do paradoxo da coexistência de duas contagens de tempo antagônicas.
Despercebido, na fase inicial, seu hipotiroidísmo, coube à família criar a menina que jamais será adulta. Desde 1981, Aldenete está rodeada de bonecas, chocalhos e chupetas. Na sua carteira de identidade, a foto, atual, impulsiona qualquer um a acreditar que se trata de um engano. Afinal, é a foto do bebê que está no documento errado, ou a data é que foi impressa com dígitos errados? Mais do que um caso especial da medicina mundial, Aldenete é apenas um bebê que está encostado numa pedra. E, tanto um - pedra - como o outro - Aldenete -, não podem ir além do que são. E isso não é desesperador; pelo contrário. Uma vida acomodada na eterna infância; quem negaria tal oferta, acaso nos fosse dada a chance de evitar o enfadonho ritmo do amadurecimento?
31 de mai. de 2010
Questão
Todos falam da questão
A questão do pré-sal...
A questão da educação...
A questão da segurança pública...
Questão, invariavelmente, vem na frente de coisa importante.
O que deve ser discutido vem acompanhado da Questão.
A questão da reforma agrária é coisa séria. A questão do Pato Donald não ser um pato, mas um ganso, não é questão.
A questão não é democrática. Proponho aqui uma questão: a democratização da questão!
A questão do pré-sal...
A questão da educação...
A questão da segurança pública...
Questão, invariavelmente, vem na frente de coisa importante.
O que deve ser discutido vem acompanhado da Questão.
A questão da reforma agrária é coisa séria. A questão do Pato Donald não ser um pato, mas um ganso, não é questão.
A questão não é democrática. Proponho aqui uma questão: a democratização da questão!
7 de abr. de 2010
Plantão
Atenção! Recebo agora por telégrafo notícias de nosso correspondente em Londres, Max Fischer. Segue transcrição abaixo. Creio que já ouvi isso em algum lugar antes:
Max: Estou com fome.
Bruno: E por que não come?
Max: Porque não há comida.
Bruno: E por que não há comida?
Max: Porque acabou.
Bruno: E por que acabou?
Max: Porque comeram.
Bruno: E por que comeram?
Max: Porque estavam com fome.
Bruno: Viu, deviam ter poupado para mais tarde, quando teriam fome novamente.
Max: Estou com fome.
Bruno: E por que não come?
Max: Porque não há comida.
Bruno: E por que não há comida?
Max: Porque acabou.
Bruno: E por que acabou?
Max: Porque comeram.
Bruno: E por que comeram?
Max: Porque estavam com fome.
Bruno: Viu, deviam ter poupado para mais tarde, quando teriam fome novamente.
23 de mar. de 2010
Dia
_ Um dia sem nos vermos?
_ Sim!
_ Mas por que?
_ Porque tem que ser assim.
_ Mas você não está sendo espontâneo! Não se deve impor restrições às vontades...Não é vontade sua me ver?
_ Mas é só um dia!
_ A vida é curta; em um dia muita coisa acontece...em tão pouco tempo.
_ Não sabemos nada sobre o que ocorre por aí...só de nós! E é isso... por que importa, a nós, apenas nós mesmos?
_ A resposta é porque nós só podemos ser importantes a nós mesmos.
_ Um dia, não faz tanto vento assim...
_ Para mim é um vendaval!
_ Pois bem, amor...mas vendavais nunca precisaram de mais de poucas horas para destruirem lares.
_ Sim!
_ Mas por que?
_ Porque tem que ser assim.
_ Mas você não está sendo espontâneo! Não se deve impor restrições às vontades...Não é vontade sua me ver?
_ Mas é só um dia!
_ A vida é curta; em um dia muita coisa acontece...em tão pouco tempo.
_ Não sabemos nada sobre o que ocorre por aí...só de nós! E é isso... por que importa, a nós, apenas nós mesmos?
_ A resposta é porque nós só podemos ser importantes a nós mesmos.
_ Um dia, não faz tanto vento assim...
_ Para mim é um vendaval!
_ Pois bem, amor...mas vendavais nunca precisaram de mais de poucas horas para destruirem lares.
18 de mar. de 2010
God save the queen! Max is comming!
Já posso visualizar. Neste exato momento, Max Fischer, co-fundador deste blog, está assinando as papeladas do check-in, no guichê da companhia aérea, no Aeroporto Internacional de Guarulhos – Governador André Franco Montoro, com aquele sorriso de quem acaba de se lambuzar, perversamente sozinho, com uma panela de brigadeiro gigante. Provavelmente, seus pais, orgulhosos de verem o filho mais velho - educado nos melhores colégios da capital paulista, sob a moral e os bons costumes - tiveram algum estresse, ao fazê-lo, mais de uma vez, voltar atrás e pegar a mala, tranqüilamente esquecida sobre um daqueles carrinhos para transportar bagagens. Posso até ouvir senhor Fischer, “filho, cadê sua mala?”; e o filho, “d’oh!”. Posso visualizar, pois, há pouco mais de quinze minutos, falei com o próprio por telefone.
A felicidade é tão grande de saber que está preste a embarcar para o país onde Pete Best* nunca quis estar, que nem deve ter penteado os cabelos e colocado uma roupa suficientemente “ok” para viajar. A camiseta número 18 do Androceu, ou sua segunda pele, como queiram, está mais do que bom. Sim, o Max diz que será nosso correspondente em Londres. Não duvido.
Os imensuráveis “projetos androcêuticos”, como sempre faz questão de sublinhar nos e-mails que nos manda quase que semanalmente, atravessarão o Atlântico, pousarão no aeroporto em Londres, enfrentarão o frio fora do comum que assola a Europa, arriscarão um inglês sem identidade, dormirão mal em algum albergue, enfim, sobreviverão na mente do ícone-MAXímo da ex-Comfil. Na terra onde nasceu o trump de Chaplin, o nosso vagabundo, ou melhor, o nosso praticante do jornalismo vagabundo dará um jeito de fazer com que, aqui, o staff todo do Androceu continue na mais perfeita desordem, como tem que ser.
E já posso também sonhar com a rainha tomando seu chá, embalada por um Contraponto lido por algum interprete real, que terá acesso à publicação após conhecer nosso repórter judeu em algum pub... “Aeow, do you want a Contraponto?”.
Max já voa. E logo mais chega algum post dele, com inusitadas inserções do termo "Corinthians" em um texto sobre, sei lá, batatas. Aguardemos.
Shalom, amigo.
- Na foto, Max com a mesma descontração que levará durante sua viagem à Europa.
*Não sabe quem é Pete Best? Por isso mesmo ele não devia ter ido a Londres.
23 de fev. de 2010
Cotidiano
Aparecido vislimbrou uma noite perfeita com sua namorada, Lúcia.
Fez o cabelo e a barba. Ligou para o zelador do prédio, exigindo que o faxineiro limpasse a lixeira. Comprou vinho do bom, sem pedir desconto. Mandou desentupir a privada.
Lúcia valia a pena.
Aparecido, uma sombra. A sombra da besta quadrada.
Esqueceu a carne queimar no forno.
Fez o cabelo e a barba. Ligou para o zelador do prédio, exigindo que o faxineiro limpasse a lixeira. Comprou vinho do bom, sem pedir desconto. Mandou desentupir a privada.
Lúcia valia a pena.
Aparecido, uma sombra. A sombra da besta quadrada.
Esqueceu a carne queimar no forno.
26 de jan. de 2010
18 de jan. de 2010
um
Nem sempre as coisas se repetem. Na minoria das vezes, aquele ônibus pode voltar outro. Aquele copo de vodka, que afastou pra longe o caos que me cercava, jamais voltará como herói. Será, da próxima vez, a merda de um copo com vodka barata dentro.
Acho que é por aí. Se a gente fosse menos exigente, não nos aborreceríamos quando não pudessemos ter novamente algo que deve acontecer apenas uma vez. É... por que nem sempre as coisas se repetem?
Uma vez, Cesar, meu amigo colombiano, que se tornou guru em algum momento, alertou-me dizendo que eu haveria de acreditar que, assim que retornasse para meu país, eu estaria voltando de uma alucinação. Os fatos são estes. A alucinação, esta é uma vez e depois acabou.
Acho que é por aí. Se a gente fosse menos exigente, não nos aborreceríamos quando não pudessemos ter novamente algo que deve acontecer apenas uma vez. É... por que nem sempre as coisas se repetem?
Uma vez, Cesar, meu amigo colombiano, que se tornou guru em algum momento, alertou-me dizendo que eu haveria de acreditar que, assim que retornasse para meu país, eu estaria voltando de uma alucinação. Os fatos são estes. A alucinação, esta é uma vez e depois acabou.
14 de jan. de 2010
Menor homem do mundo é embaixador de campanha preventiva a favor do exame de próstata
Do Androceu OnlineO menor homem do mundo He Pingping (74,61 cm) participou, nesta quinta-feira, 15, de um evento para incentivar homens de 40 anos a se submeterem ao exame de próstata. Pingping, de 53 anos, encabeça a campanha na China, seu país de origem.
Ao lado de Mi Xing Ju, urulogista do pequeno Pingping há mais de duas décadas, o embaixador da campanha disse que jamais deixou de realizar o exame de toque retal, por acreditar ser de extrema importância para o combate ao câncer. "Tem que fazer", declarou.
13 de dez. de 2009
EM NOVA FASE, MASP DIALOGA COM GRAFITE E EXPÕE ARTE DE RUA
Fora do espaço de onde costumam partir - as ruas -, mas de maneira alguma distantes do ambiente urbano, as obras que compõem a exposição “De dentro para Fora, De Fora para Dentro” parecem não pertencer a lugar algum especificamente. Quando expostos no subsolo do Masp (Museu de Arte de São Paulo), os grafites “lá de fora” encontram outros suportes para sobreviverem “dentro” do espaço do museu.
Mostrar que o “grafiteiro” que utiliza o contexto urbano como suporte para seu trabalho é, também, o artista que expõe telas e instalações dentro dos limites de um museu, é o principal mote da exposição. Aproximadamente 1500 m2 da galeria subterrânea do Masp foram tomados por obras de Ramon Martins, Titi Freak, Carlos Dias, Stephan Doitschinoff, Zezão e Daniel Melim, cujas referências se relacionam com a cultura pop, o hip hop, o punk etc. Livres do rótulo de “grafiteiros”, os artistas mostram que, tanto o espaço público das cidades, quanto as galerias de arte, são ambientes capazes de receber novas formas de intervenção artística.
Em entrevista à reportagem do Androceu, Baixo Ribeiro, dono da galeria Choque Cultural – representante dos seis artistas – e um dos curadores da exposição, afirmou que muitos críticos de arte ainda não entendem a proposta e acabam reduzindo a exposição a “grafiteiros no Masp”. “Fazer grafite é trabalhar na cidade, no espaço público, mas o artista usa o suporte que quiser”. E em “De Dentro para Fora...” o que ocorre é isto mesmo. O contexto urbano acaba não entrando no museu, mas sim o artista e sua arte. “O nosso interesse foi recepcionar o público com um trabalho novo, envolvente, porém é uma exposição de pintura, quase crua, mas com muita emoção”, explica Baixo.
A falta de artifícios, no entanto, permite com que as obras ganhem uma autonomia com relação ao espaço que as abriga. Segundo baixo, a música foi descartada, pois com ela as pessoas tendem a se sensibilizar facilmente, diferente da pintura, que é “mais sofisticada e sugestiva”. Exemplos são os painéis de Ramon Martins, com referências ao psicodelismo. Em um deles, a pintura “vaza” do mural e escorre pelo chão, manchando com inúmeras cores o cimento do pavilhão. Já Stephan Doitschinoff usa o spray para opor o sagrado e o profano, em uma instalação que dificilmente veríamos na rua.
Mas, após o último dia de exposição, os grandes painéis, cerca de 17, serão apagados, intencionalmente. De acordo com os curadores, a efemeridade desses trabalhos é justamente para fazer com que as pessoas visitem a exposição. “Só a presença permite ao visitante sentir o que o artista fez, como em um show ao vivo”, afirma Baixo.
Serviço
DE DENTRO PARA FORA, DE FORA PARA DENTRO
Onde: Masp – Museu de Arte de São Paulo (av. Paulista, 1.578, telefone: (11) 3251-5644) Quanto: 15 reais (meia: 7 reais)
Quando: de ter. a dom., das 11h às 18h, e qui., das 11h às 20h; até 5/2
Mostrar que o “grafiteiro” que utiliza o contexto urbano como suporte para seu trabalho é, também, o artista que expõe telas e instalações dentro dos limites de um museu, é o principal mote da exposição. Aproximadamente 1500 m2 da galeria subterrânea do Masp foram tomados por obras de Ramon Martins, Titi Freak, Carlos Dias, Stephan Doitschinoff, Zezão e Daniel Melim, cujas referências se relacionam com a cultura pop, o hip hop, o punk etc. Livres do rótulo de “grafiteiros”, os artistas mostram que, tanto o espaço público das cidades, quanto as galerias de arte, são ambientes capazes de receber novas formas de intervenção artística.
Em entrevista à reportagem do Androceu, Baixo Ribeiro, dono da galeria Choque Cultural – representante dos seis artistas – e um dos curadores da exposição, afirmou que muitos críticos de arte ainda não entendem a proposta e acabam reduzindo a exposição a “grafiteiros no Masp”. “Fazer grafite é trabalhar na cidade, no espaço público, mas o artista usa o suporte que quiser”. E em “De Dentro para Fora...” o que ocorre é isto mesmo. O contexto urbano acaba não entrando no museu, mas sim o artista e sua arte. “O nosso interesse foi recepcionar o público com um trabalho novo, envolvente, porém é uma exposição de pintura, quase crua, mas com muita emoção”, explica Baixo.
A falta de artifícios, no entanto, permite com que as obras ganhem uma autonomia com relação ao espaço que as abriga. Segundo baixo, a música foi descartada, pois com ela as pessoas tendem a se sensibilizar facilmente, diferente da pintura, que é “mais sofisticada e sugestiva”. Exemplos são os painéis de Ramon Martins, com referências ao psicodelismo. Em um deles, a pintura “vaza” do mural e escorre pelo chão, manchando com inúmeras cores o cimento do pavilhão. Já Stephan Doitschinoff usa o spray para opor o sagrado e o profano, em uma instalação que dificilmente veríamos na rua.
Mas, após o último dia de exposição, os grandes painéis, cerca de 17, serão apagados, intencionalmente. De acordo com os curadores, a efemeridade desses trabalhos é justamente para fazer com que as pessoas visitem a exposição. “Só a presença permite ao visitante sentir o que o artista fez, como em um show ao vivo”, afirma Baixo.
Serviço
DE DENTRO PARA FORA, DE FORA PARA DENTRO
Onde: Masp – Museu de Arte de São Paulo (av. Paulista, 1.578, telefone: (11) 3251-5644) Quanto: 15 reais (meia: 7 reais)
Quando: de ter. a dom., das 11h às 18h, e qui., das 11h às 20h; até 5/2
26 de nov. de 2009
Calar
Sentou-se do meu lado, enquanto eu desembrulhava uma bala.
_ Precisamos entender que a palavra constrói é nada! Ela destrói, isso sim! Acaba com o que é dado e deve ser somente dado.
Coloquei a bala na boca.
_ Ao invés de configurar, ela acaba com as realidades. A realidade está aí, mas não a vemos, porque a palavra nos impede.
A bala era horrível.
_ E ela não me entende, cara! Ela acha que meu silêncio me faz mal, que é coisa ruim dentro de mim! Mas não é, pelo contrário! Eu não digo aquilo que simplesmente não tem como dizer, simples!
Joguei a bala fora.
_ Eu sei que deve ser difícil olhar pra minha cara e ter de se conformar com...a minha cara, apenas. Mas o fato é que minha realidade precisa existir! Nem que por instantes; precisam saber que não sou feito de discurso!
A bala estava de fato, comprovadamente, estragada. Uma das experiências mais fascinantes do mundo contemporâneo.
_ Precisamos entender que a palavra constrói é nada! Ela destrói, isso sim! Acaba com o que é dado e deve ser somente dado.
Coloquei a bala na boca.
_ Ao invés de configurar, ela acaba com as realidades. A realidade está aí, mas não a vemos, porque a palavra nos impede.
A bala era horrível.
_ E ela não me entende, cara! Ela acha que meu silêncio me faz mal, que é coisa ruim dentro de mim! Mas não é, pelo contrário! Eu não digo aquilo que simplesmente não tem como dizer, simples!
Joguei a bala fora.
_ Eu sei que deve ser difícil olhar pra minha cara e ter de se conformar com...a minha cara, apenas. Mas o fato é que minha realidade precisa existir! Nem que por instantes; precisam saber que não sou feito de discurso!
A bala estava de fato, comprovadamente, estragada. Uma das experiências mais fascinantes do mundo contemporâneo.
22 de out. de 2009
Entrevista: Fabinho Geléia, o traficante.
Em um ato de ousadia e coragem, a reportagem do Blog Androceu estabeleceu contato com um dos mais sanguinários traficantes do Rio de Janeiro. Conhecido pela frieza com que manda executar integrantes de facções rivais a sua, de nome "Taturana F-7", e apontado pela própria mãe como "um menino dos mais mal-criados", Fabinho "Geléia" concedeu rápida entrevista ao blog, na qual discorreu sobre a cultura do morro, o problema das drogas e corrupção.
Blog Androceu: Seu tempo é curto?
Geléia: Estreitíssimo.
BA: Por que?
G: Só nos corre...
BA: Cansa muito né?
G: Tem uns momento relax.
BA: O que você faz quando não está trabalhando?
G: Solto uns pipa.
BA: Lembrar dos tempos de olheiro?
G: Bate uma nostalgia à vera.
BA: E a família, tem tempo pro filhão?
G: Garoto firmeza!
BA: Lula é cuzão?
G: De boa ele.
BA: Mas e os ladrões de Brasília?
G: Cuzão, véio.
BA: Cuzão, né?
G: Tudo cuzão!
BA: Tudo nóia mesmo?
G: Vixi, matar tudo lá.
BA: Cuzão, então?
G: Cuzão, sem dúvida!
BA: Joga bola?
G: Chuto umas cabeça aí (risos).
BA: Rio 2016?
G: Prefiro o mengão.
BA: Topa jogo rápido pra fechar?
G: Canta aí, véio!
BA: Uma palavra.
G: cú.
BA: Um perfume.
G: álcool.
BA: Bebida.
G: Fanta gelada.
BA: Um sonho.
G: Menino crescendo com os pipa no alto.
BA: Som.
G: Demorô uns funkão fudido!
BA: Mulher.
G: Com bunda larga.
BA: Drogas.
G: Dollar...
BA: Rio de Janeiro.
G: Só cuzão.
BA: Religião.
G: Budista.
BA: Uma frase.
G: X-9 é tudo pau no cú que tem que morrer no microondas.
Blog Androceu: Seu tempo é curto?
Geléia: Estreitíssimo.
BA: Por que?
G: Só nos corre...
BA: Cansa muito né?
G: Tem uns momento relax.
BA: O que você faz quando não está trabalhando?
G: Solto uns pipa.
BA: Lembrar dos tempos de olheiro?
G: Bate uma nostalgia à vera.
BA: E a família, tem tempo pro filhão?
G: Garoto firmeza!
BA: Lula é cuzão?
G: De boa ele.
BA: Mas e os ladrões de Brasília?
G: Cuzão, véio.
BA: Cuzão, né?
G: Tudo cuzão!
BA: Tudo nóia mesmo?
G: Vixi, matar tudo lá.
BA: Cuzão, então?
G: Cuzão, sem dúvida!
BA: Joga bola?
G: Chuto umas cabeça aí (risos).
BA: Rio 2016?
G: Prefiro o mengão.
BA: Topa jogo rápido pra fechar?
G: Canta aí, véio!
BA: Uma palavra.
G: cú.
BA: Um perfume.
G: álcool.
BA: Bebida.
G: Fanta gelada.
BA: Um sonho.
G: Menino crescendo com os pipa no alto.
BA: Som.
G: Demorô uns funkão fudido!
BA: Mulher.
G: Com bunda larga.
BA: Drogas.
G: Dollar...
BA: Rio de Janeiro.
G: Só cuzão.
BA: Religião.
G: Budista.
BA: Uma frase.
G: X-9 é tudo pau no cú que tem que morrer no microondas.
20 de out. de 2009
Acabando com o esputacho
CONVITE
No próximo dia 4 de novembro, horário ainda a ser definido, estarão dando um fim ao Trabalho de Conclusão de Curso este quase jornalista que escreve e sua fiel companheira de pesquisa, Elisangela F. Silva.
O título do livreto é Telerrealidade - o cotidiano editado e a banca avaliadora será composta pelos jornalistas José Arbex Jr., Eugênio Bucci e Marcos Cripa. A presença do jornaleiro Ricardo Sampaio, que possui uma banca de jornais próxima à casa de um dos autores do trabalho, ainda não foi confirmada.
Após a apresentação, seguida de calorosa discussão teórico-epistemológica, os anfitriões levarão seus convidados para apreciar dose da mais requintada pinga do bar do Paraty.
Contamos com a presença silenciosa de todos que, mal-e-mal, se interessam por jornalismo, televisão, telejornalismo, pornografia e anticoncepcionais.
Um abraço,
Bruno de Pierro.
No próximo dia 4 de novembro, horário ainda a ser definido, estarão dando um fim ao Trabalho de Conclusão de Curso este quase jornalista que escreve e sua fiel companheira de pesquisa, Elisangela F. Silva.
O título do livreto é Telerrealidade - o cotidiano editado e a banca avaliadora será composta pelos jornalistas José Arbex Jr., Eugênio Bucci e Marcos Cripa. A presença do jornaleiro Ricardo Sampaio, que possui uma banca de jornais próxima à casa de um dos autores do trabalho, ainda não foi confirmada.
Após a apresentação, seguida de calorosa discussão teórico-epistemológica, os anfitriões levarão seus convidados para apreciar dose da mais requintada pinga do bar do Paraty.
Contamos com a presença silenciosa de todos que, mal-e-mal, se interessam por jornalismo, televisão, telejornalismo, pornografia e anticoncepcionais.
Um abraço,
Bruno de Pierro.
5 de out. de 2009
20 de set. de 2009
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