9 de ago de 2010

Spottaccios, Sicília, 1979-2009 - S01E02



Marcos. Marcos Spottaccio era seu nome. Adorável criança que fumava cachimbos desde os nove anos e que não se cansava de falar a todo momento uma expressão estranha: “pau dentro, pau dentro!”. Cresceu e, como Dom Pedro II, assumiu os negócios da família ainda criança. Durante todo seu poder, renegou às investidas de todas as moças da família Bracciola, pois era da night, gostava de uma boemia e teria, já quando mais velho, claro, quatro filhos com quatro mães diferentes. Eram crianças adoráveis, apesar de muito feios.

Mario Spottaccio sempre foi o xodó da bisavó, Mamma Sandra Rosa, todavia ao mesmo tempo apresentava menos traços entre todos para ser um mafioso de nível razoável, quiçá ser o Don. Sendo o mais espoleta de todos, sempre a brincar de coisas duvidosas como crochê e comidinha (não apenas na infância como em toda sua adolescência), ele gostava de brincar de carrinhos de bate-bate, uma coisa que poderia parecer inofensiva. Mas ele usava carros de verdade. Os primeiros modelos do Escort eram seus prediletos.

Otaviano Spottaccio não tinha qualquer relação direta com a família. Era um roqueiro que abandonou sua casa aos sete anos para viver de heavy metal. Todos os moradores da vila o chamavam de 'filho perdido' pelos Spottaccios, mas ele sempre aparecia nas festas de final de ano para cair de beber.

Carlo Spottacio, o mais novo dos filhos e por isso chamado de Carlitos entre os familiares, era certamente o mais corneteiro de todos, ou seja, um típico spottaciano, adorado por poucos, odiado por muitos por sua malandragem e seus causos extasiantes. Era ele quem sempre acabava com todas as brincadeiras dos irmãos, principalmente quando estava perdendo em ocasiões nas quais não havia vencedores ou perdedores.

Alan Spottaccio era o mais novo deles. Dentre todos os Spottaccios, sem dúvida alguma era o que seguia os passos do pai e parecia ter nas veias um talento, uma frieza que poderiam o colocar como padrinho. Os outros eram muito zoeiras, queriam conquistar seus espaços sozinhos, enquanto Alan carregava em sua bagagem o desejo de reconstruir a saga dos Spottaccios.

Porém, os Bracciolas ainda existiam e Mamma Nani seguiu os passos da família: sempre manter seu sobrenome acima de qualquer um de seus maridos. Era claro que o poder que detinham ainda era muito forte e tal imposição era algo até fácil de se conseguir. Nani era mais macho que muito homem.

Giovanni Bracciola era o mais velho de todos, mas como o próprio sobrenome diz por si só, ele não era um Spottaccio. Alguns cogitavam seu nome como novo Don por questões políticas. Poderia ser ele o primeiro Don que não viria da família e sim dos Bracciolas. Um amante da noite, exímio boemio e musico que era capaz de ganhar um bom dinheiro nos cassinos.

Luigi Bracciola era irmão de Giovanni e tinha uma veia política inquestionável. Certamente um estrategista político de primeiro nível, sabia absolutamente tudo sobre os jogos entre vereadores, deputados e outros cargos da cidade ou da região. Era o consiglieri dos Bracciolas desde seus quinze anos, um recorde absoluto em todo o país. Mesmo assim, dava um pau mesmo nos mais experientes em sua função. Rivalizaria com Thomas no início, mas depois acabariam por se tornar uma dupla promissora.

Bruno Bracciola era uma especie de musico, um artista que andava no meio dos principais nomes da epoca no mundo, como a banda Redi Hoti Xili Pepers, os filósofos Habermas e Lipovetsky e era considerado por alguns como o novo Andy Warhol. Para outros seria o novo Michelangelo. Tinha uma banda de sucesso no pais, angariada pelo poder político dos Spottaccios.

Gustavo Bracciola havia se tornado um guerrilheiro de renome internacional ao sobreviver a Guerra da Bósnia, mesmo com apenas oito anos e depois seria um dos principais soldados na revolução que libertaria Kosovo da Servia. Tinha experiencia para se tornar um dos melhores capos da família e assim seria no futuro, quando estaria, muito provavelmente, sob as ordens de Walter.

Tommaso Rummenigge foi um garoto que estava perdido pela vila, mas que encontrou abrigo de Don Giorgio Claudio depois de salvar a vida de seu neto Alan. Muito brigão, o caçula tinha encasquetado que conseguiria virar um galão do inebriante e poderoso suco Gummy de uma vez só, mas Tommaso, centrado como um bom alemãozinho, o impediu de cometer um suicídio não-intencional. Eternamente seria tratado como um irmão por todos os outros.

Por fim, Maximiliano Fischeri era um garoto de origem franco-israelense. Apesar de não ter nenhuma ligação sanguínea com Spottaccios e Bracciolas, assim como Tommaso, ele era um dos melhores entregadores de pizza do pais. Naquela época estavam em falta entregadores de tão bom nível como Maximiliano, chamado de Max pelos amigos próximos.

Mas acima das brigas e dos desentendimentos entre os irmãos e primos, todos se respeitavam e cresceram dessa forma, diante dos olhos virtuosos e cordiais do bobão Giorgio Claudio. Depois de uma década de paz, a ambição lentamente começou a surgir no ambiente daquela vila e um fato mudaria tudo na vida pacata daqueles mafiosos bobalhões, feios e com cara de meleca.

6 comentários:

mario disse...

Esse post é uma inflâmia contra minha fama de macho.

João Paulo Caldeira disse...

Normalmente séries de tv tem episódios novos a cada semana. Séries de blogs normalmente tem episódios novos a cada três meses?

carlitos disse...

bom joão, tudo bem que o SX-EX dá margem, mas para terminar a trilogia do Godfather o Coppola demorou bem uns qse vinte anos. Acho que três meses até tamo no lucro vai.

João Paulo Caldeira disse...

Ah, sim, considerando a trilogia, estamos bem dentro do prazo...

Max disse...

Olha a pizza...
E algo me diz que a minha participacao vai acabar em pizza

Silvio Luiz:
Meu Deus! O que eu vou dizer la em casa depois de ouvir essa?

Alan disse...

Concordo com o João.
Queremos novos capítulos do Spottacios toda semana!