7 de jun de 2010

Ranço

Quero ler um blog que seja escrito por alguém tenha um nada diferente a dizer.

Sim, sou eu de novo. Justo quando você pensava “Que bom, agora ele ta enfurnado lá na São Francisco e não enche o saco de mais ninguém!”. Voltei, queridos(as)!

Quero que as patys e os playboys escrevam os blogs deles e contem tudo sobre a vida deles e as baladas deles e os carros deles e a viagem deles para Campos (do Jordão, bem entendido).

O problema com a Internet é que, com a popularização de ferramentas como o Blogspot, o Wordpress o Blogger e afins, todos os assim chamados “malditos” e “alternativos” de repente tinham à disposição de sua falta de idéias algo como a Gatling foi no Oeste americano. Sem mais era possível alcançar milhões de outros “renegados” como eles, ávidos por novidades que não interessavam a ninguém.

Sim, voltei e trouxe comigo a velha birra com toda aquela galerinha do barulho que vai aprontar altas confusões no centro de uma cidade que não está pra brincadeira. E como a porra de um linfoma agressivo, os desgraçados se espalharam. Da rua Augusta as metástases tomaram boa parte do Centro. Há nódulos na região da República e de boa parte da Bela Vista.

É birra mesmo. Mas acompanha comigo, faz um pouco de sentido. Aquele camarada moderno que pega o busão com você, usando um tênis de skate todo colorido (ou aquela merda de Nike de cano alto) com piercing, alargador e a bosta da calça xadrez (pra não falar daquele pano de prato no pescoço, igual ao do Arafat). Ele é descolado, baixa sets de músicas de artistas que ninguém conhece, mixados por outros artistas de quem ninguém ouviu falar. Na cabeça dele, ele vai trabalhar como DJ em alguma importante cidade da Europa. Desde que não Ibiza, que está saturada e muito mainstream. Ah sim, Londres já está overcrowded também, então desconsidere. A Meca desses tipos, pelo menos nos últimos tempos, é Berlim.

O mais longe que ele já foi é Monte Sião, para tocar em um lodaçal esquecido por Deus. Mas é com um ar de desdém que ele ouve os amigos comentando a viagem a Europa. Com uma expressão benevolente e paternalista, ele perdoa o “deslumbramento” dos “ignorantes”, que perderam seu tempo nas atrações turísticas do lugar e não foram àquele club underground que está recebendo aquele DJ super hype. E tome eloqüência para descrever a cena de Berlim, e como seu “sentido acentuado de preto e branco” torna aquela cidade a nova capital da Europa.

Agora, lembre-se: ele é um “maldito”, um “renegado”, um “alternativo”(escolha seu pejorativo predileto). Nada de contratos com grandes gravadoras, selos internacionais, turnês. Ele tem um emprego (em geral na área de informática, vendas ou design), parasita os pais e de vez em quando descola uma boiada e dá um som em alguma casa noturna. No mais, consome seu tempo enfiado em seu apartamento (nas regiões afetadas acima) ou em algum copo sujo da região. Porque este cidadão acredita que a parte mais sublime de sua personalidade surge após ingerir 20 ou 21 copos americanos de cerveja gelada, acompanhados dos devidos coliformes fecais. É quando ele apóia-se no ombro de seus amigos e entre perdigotos analisa o caos urbano a sua volta e a maneira como ele se dissocia do cenário dissonante da metrópole.

E no dia seguinte acorda de ressaca em seu apartamento e toma seu lugar diante do computador para compartilhar com o mundo a bebedeira da noite anterior e as conclusões absolutamente fantásticas a que chegou durante uma discussão com amigos, resgatadas em meio aos lapsos de memória. Não é por nada, mas se é pra poluir a Internet, melhor que seja alguém que não queira salvar a humanidade de sua própria ignorância.

Quero abrir meu navegador (Internet Explorer 7, pois não sou descolado) e ler alguma garota com apelido no diminutivo contar da balada que ela foi em que ela entrou com VIP para dançar as músicas da Jovem Pan e da Energia (nada de remixes exclusivos aqui). Quero saber quantas Smirnoff Ice ela bebeu (nada de cerveja em copo lascado no boteco da esquina) e quantos Sex on the Beach o namorado dela pagou para ela. Quero saber qual a cor da M3 dele, quantos manés ele quebrou na última micareta e com quais amigas dela ele ficou naquele luau da Baleia (chega de ir de metrô pra balada, né?). Não quero ler aquela arenga blasé, reclamando do mau gosto do público que não entendeu aquele remix em acid house daquele full on goa trance de um DJ esloveno que eu nunca ouvi falar. Falando mal do povo que estava se pegando no lugar de curtir a vibe. Desculpem o clichê, mas vibe de cu é rola.

Fica aqui o meu apelo: você paty, você boy, comece um blog. Não dá muito trabalho e te garanto que você terá leitores. Só eu vou entrar umas 10 vezes por dia nem que seja pra reler aquele post do mês passado. Você que não zanza pelo Centro e simplesmente ocupa seu tempo desperdiçando o dinheiro da sua família tem grande potencial e não sabe.

Serei seu arauto quando você desencadear o Apocalipse ao som de 50 Cent e David Ghetta, quando ficarão de fora da cidade os “malditos” e os “alternativos”, e aqueles que remixaram as músicas terão seu nome apagado das páginas do livro da vida.

5 comentários:

carlitos disse...

ácido, de certo que sim

mario is back. now keep walking.

Max disse...

Mario is back. Now keep walking. (2)

João Paulo Caldeira disse...

Justo quando eu achava que era ranzinza e reclamão, me aparece o Mario pra mostrar, que, talvez, eu seja até um otimista...

Alan disse...

BIMBO IS BACK.

Bruno de Pierro disse...

aleluia! faltava mesmo u texto do mario assim!