18 de mai de 2010

Esse foi O filme: Amadeus



Grandioso. Se tivesse que ser sucinto ao extremo, essa seria a palavra que usaria para definir o filme Amadeus, de 1984, um dos poucos do fantástico diretor checo Miloš Forman, que anda meio esquecidão. Até ontem, ao rever esse filme, não havia pesquisado muito sobre sua carreira, mas já sabia que ele havia sido o diretor de outro clássico (mas, na minha opinião, menos importante que Amadeus), Um Estranho no Ninho. Nesse último, acho que Jack Nicholson sobresairia sobre qualquer direção, ao contrário de Amadeus. Não que Forman não tivesse um ótimo “ator principal”, Fahrid Murray Abraham (que não fez grandes filmes, mas em Amadeus mostrou todo o talento que poderia mostrar), mas não havia grife alguma para que o filme desse certo se dependesse apenas de grandes nomes do cinema americano.

Ao contrário do que os desavisados podem imaginar, Amadeus não é muito bem um filme biográfico sobre a vida de Wolfgang Amadeus Mozart, na minha opinião um dos quatro maiores compositores da música clássica (ao lado de Bach, Beethoven e Tchaikovsky). Na realidade o script do filme foi inspirado em montagem teatral de Peter Shaffer, na qual Antonio Salieri, um vilão à moda antiga, teria causado a morte de Mozart. Tão forte foi o filme que muitos ainda acreditam na versão de que a última composição do mais genial músico austríaco de todos os tempos, o Requiem K626, seria uma encomenda para sua própria missa de sétimo dia. Vale lembrar que Mozart foi um dos primeiros, senão o primeiro músico “profissional”, a ser um freela, ou seja, a não ser sustentado pela aristocracia, pelas côrtes. Logo, vivia como podia, empobrecido e cheio de dívidas, de encomendas populares. Imagina pagar alguns “merréis” para ter uma composição de Mozart?

Como toda lenda de tempos bem antigos, a morte de Mozart gera controvérsias até hoje. Muitos boatos e suposições explicariam isso, mas no filme isso não teve grande importância. Ponto muito positivo. Esse é um filme sem falha alguma em fotografia e, obviamente, com uma trilha sonora impecável. As Bodas de Fígaro, Don Giovanni, A Flauta Mágica, A Clemência de Tito e o Requiem são as obras mais exploradas. Pudera, foram, sem dúvida, as que o puseram no clã dos gênios unânimes. Algumas “falhas” perante sua biografia real são perdoadas, como a aparição de apenas um de seus filhos durante o desenrolar da história, inclusive em sua morte. Ele teve seis ao todo. Outro “defeito” seria a ausência de seu discípulo Franz Süssmayr, quem seria o músico quem o auxiliaria a dar continuidade, horas antes de sua morte, à composição do Requiem. No filme, repleto de aspectos lendários, Salieri o auxiliaria nesse processo. No filme, ainda se têm a impressão de que o Requiem teria composição de Mozart até Confudatis, sétimo ato. Alguns relatos históricos apontam que Süssmayr teria que concluir muito mais que isso, mas nada conclusivo. Essa questão ainda gera muitas polêmicas até hoje.

Mas, aos que leem e dizem, “mas então o filme é cheio de defeitos?”, respondo: negativo, como já havia dito antes, não é um filme biográfico, apesar de possuir, obviamente, muitos dados historicamente comprovados (em sua maioria). Sua riqueza transcende aspectos históricos. Por exemplo, até agora não sei descrever quem seria mesmo o personagem principal: Salieri ou Mozart? Para a Academia, esse papel foi de Salieri, mas tanto Murray Abraham quanto Tom Hulce foram nomeados ao prêmio como principais. Foram oito Óscars conquistados dentre dez possíveis (foram onze indicações, mas não havia como dois atores ganharem um prêmio só). Perderia em fotografia e edição. Em ambos os quesitos, o filme também é magistral. Além de grandioso, poderia defini-lo como indispensável a todos os que adoram cinema. Olha que tenho um “pósconceito” à Academia pelos prêmios nos últimos anos. Assumo ser um pouco injusto, pois não há mais grandes filmes todo ano, como antigamente era comum. Não é culpa deles e sim da indústria cinematográfica. Quiçá filmes como esse fossem lançados todos os anos. Um de meus dez maiores filmes de todos os tempos.

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