1 de abr de 2010

A Epístola de Mario aos Franciscanos

Capítulo 1

Era o sétimo dia e o Senhor descansou.
Lúcifer sentiu então inveja da obra de Deus Todo-Poderoso e cobiçou a criação do Altíssimo. Falou ao Senhor que o homem, Sua criatura, era bom pois nada lhe faltava e só por isso adorava o Pai.
“Tolhe sua liberdade e remove-lhe as opções para ver se ainda dirigem-Te louvores”, propôs o Demônio. Deus consentiu então que o Diabo provasse o homem.
Misturando fel ao barro, Satanás assentou os tijolos da Faculdade de Direito. Reuniu as legiões do Inferno e compôs hoste terrível. A estes demônios chamou “professores” e ofereceu-lhes almas em tributo.
E Caim derramou então o sangue de seu irmão Abel. Irado, o Altíssimo amaldiçoou Caim e sua descendência. Porém, Lúcifer falou a Caim:
“Não temais a ira de Deus. Quando chegar a hora, acolherei teus filhos e os proverei.”. E recebendo os filhos de Caim, chamou-os “monitores” e deu-lhes almas em tributo.

Capítulo 2

Porém, o Pai viu o sofrimento de Seus filhos, que choravam lágrimas amargas de dor e desespero e em Sua infinita misericórdia apiedou-se deles.
O Senhor tomou da terra que Satanás desprezara e moldou com ela o Porão. E Deus viu que o Porão era bom e apresentou-o aos homens dizendo:
“Recebei o Porão e daí graças. Aqui repousareis na paz dos justos e não vos tocarão as aflições do Inferno”.
Em ação de graças, sob o comando dos anjos do Senhor, os homens construíram magnífica estrutura de cedro aromático, revestida de precioso brocado de seda. Tinha ela 4 côvados de comprimento, 2 côvados de largura e 1 côvado de altura. Os homens então a chamaram “sinuca”. Construíram ainda sólida estrutura de carvalho jovem, guarnecida de bela laje de ardósia gravada, ornada com efígies suspensas em delicados varais de prata de 2 côvados de comprimento. Media a estrutura 3 côvados de comprimento, 1 côvado e meio de altura e um côvado de largura. Como ordenado pelos anjos, chamaram-na “pebolim”.

Capítulo 3

Nas profundezas, o Demônio se enfureceu ao ver o Pai consolando Seus filhos e ordenou a suas legiões que infligissem grande tormento aos homens. E durante 7 dias e 7 noites, em grande agonia, os homens eram forçados a escrever sobre tudo aquilo que porventura soubessem, qual terrível tortura.
Houve choro e ranger de dentes e os homens rogaram ao Altíssimo por alívio. O Senhor mandou aos homens então um sinal, simbolizando a renovação contínua de Sua aliança com Sua criação. Para assegurá-los de Sua presença, enviou-lhes belíssima ave de grande porte, com magnífica plumagem.
Em grande júbilo, os homens louvaram ao Pai com numerosa procissão festiva, com música de címbalos e trompas e liras e flautas. Em ação de graças, os filhos e filhas de Deus queimaram a ganja, beberam o vinho e amaram-se uns aos outros. Segundo a orientação dos anjos, chamaram a ave “Peru” e estabeleceram a procissão anual, para que as gerações vindouras lembrassem sempre da aliança com o Senhor. Chamariam então a procissão “Peruada”.

Um comentário:

bruno de pierro disse...

minha opinião, já virou um texto clássico do blog! Mto bom, Mario!