6 de mar de 2009

“Vivo pelo Vale Refeição que ganho”

Perfil de A.M., 21, estudante da PUC.

Não simplesmente A.M. é um estudante de Jornalismo da PUC-SP. Apesar de trabalhar na empresa F.A., na qual sustentabilidade é o assunto da vez, o rapaz de 21 anos é um fanático por seu clube do coração, o São Paulo Futebol Clube. Para aqueles que vivem ao seu redor durante a semana, é visível que sua vida gira ao redor do time do Morumbi, mas isso não é um fato claro durante um tempo maior que se passa junto do jovem.

Paulistano de nascimento, no bairro do Morumbi, seu primeiro jogo visto em campo não sai de sua lembrança: um São Paulo 4, Portuguesa 2. Segundo A.M, o zagueiro Júnior Baiano fez um gol de bicicleta. Sua primeira experiência em um estádio foi traumática. Ficou atrás do gol, com visão prejudicada, e ainda por cima não existia o recurso do replay. Mesmo assim, ele não é só futebol.

Sua escolha do Jornalismo veio de seu gosto pela leitura e por gostar de escrever. Definitivamente ele define que Matemática não era a sua área. De fato o Jornalismo caiu como uma luva nas mãos de um jovem indeciso e que apesar do gosto por futebol não desejava seguir sua carreira com exclusividade nesse ramo.

Quando perguntado sobre sua infância, sua resposta é típica de crianças paulistanas: tudo depende. Veio em sua cabeça em um primeiro momento seu Super Nintendo. Algo mais comum para sua infância. Assim como boa parte das crianças moradoras de São Paulo, brincadeiras na rua não eram muito bem vindas. Para ele, isso não foi parte de sua vida pelo local onde ele mora desde a infância: Paraíso. Apesar disso, esse é um bairro que não tem grande presença nas memórias do jornalista.

Seu sonho como jornalista hoje é ter um emprego estável e que o permita realizar atividades paralelas ao Jornalismo. Fora do trabalho, essa pergunta se demonstrou mais profunda. Ainda assim seu contexto profissional veio à tona. Realizar um mestrado e cursos que o fizessem melhorar na carreira foi uma resposta natural de mais para meus ouvidos. Questionei sobre sua vida pessoal. Há alguns anos, disse ele que não sonhava em se casar e que isso mudou, mas em relação aos filhos ele responde rindo: “eu odeio crianças”.

Em sua personalidade, é possível captar um certo ar rabugento, uma relação pragmática com as coisas. Se antigamente seu sonho era o de ser jornalista, é diferente do que é hoje. Uma realidade dura para os brasileiros adultos veio como um sinal vermelho sobre suas esperanças quanto a profissão do Jornalismo.

A.M. responde que gosta de música, mas não sabe especificar exatamente os seus artistas prediletos. Em seu ar ele não transparece o que responde. Diz apenas o que ele declaradamente não gosta: pagode, axé e sertanejo.

Se tivesse que escolher um passatempo, ele escolheria mesmo um video-game. Winning Eleven é sua pedida da vez. Ele diz ser mais que craque. “Pelé é 10, eu sou 11”. Quando perguntado sobre sua modéstia, ele diz que vem de sempre, desde quando ele começou a ser destacar em torneios entre amigos do Winning Eleven.

No assunto futebol, A.M. fala com mais facilidade. Seu jogo mais bonito de se ver, do São Paulo, foi um amistoso entre o clube paulistano e o Toluca do México, no qual viu seu time vencer por 7 a 1. Para ele, sua recordação veio do ano de 2002. Luis Fabiano, atacante hoje no Sevilla, foi o maior ídolo do rapaz. Seu título mais comemorado foi o da Libertadores de 2005. Estava em casa, assistindo com seu irmão, seu pai. “Nossa, eu tava retardado, foi o jogo no qual eu mais gritei na janela”. Em outros assuntos, suas opiniões são polêmicas.

Apesar das brincadeiras da PUC, A.M. tem posições menos drásticas que as apontadas publicamente. É comum para o jovem imitar o apresentador paranaense Luís Carlos Alborghetti, mas em uma situação mais séria, suas opiniões são diferentes. Quanto aos crimes hediondos, ele diz que defende uma pena de prisão perpétua. Já é um avanço, contra a defesa irônica da sentença de morte.

Suas palavras que definem São Paulo são pouco receptivas: caos, desastre, drogas, morte. Mas por outro lado, ele aponta o dedo para frente e fiz como um verdadeiro político: considera a cidade o melhor lugar do país para oportunidades. Apesar disso, quando questionado sobre os partidos que mais se adequa, responde nenhum. A.M. é uma daquelas pessoas que vive por motivos diretos até demais. “Vivo pelo Vale Refeição que ganho”.

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