28 de set de 2008

Deslumbrantes donzelas dondocas desfilam deslizando

Ontem à missa. Não gosto de missa, não gosto do padre, detesto os médicos, especialmente os psiquiatras. Fico com pena dos amigos, da família, é muito egoísmo da parte deles, um suicida não merece a salvação, por isso ninguém pode comungar nessa missa. Deus não se apieda de quem se apieda de si, hein?
Tá legal, tá legal, saí da igreja, na banca vende cigarro cigarro cigarro, os maços bonitinhos e alinhados, que nem tijolinhos na parece da igreja, vou comprar um maço e uma caixa de fósforo, 40 irmãzinhos dormem juntinhos na caixinha e saio fumando pela rua. Tosse-tosse, que tá frio demais hoje, frio ventando e ameaçando chover, será? Tosse-tosse de novo, tosse-tosse, acende um cigarro descendo pela rua.
E vão dizer que a cultura da rua vira arte, depois de morar 6 meses em Barcelona dando a bunda em euro, vieram me dizer que tinha que trazer a cultura da rua pras galerias. Bom, eu falei que na esquina de casa tinha um mendigo que um dia morreu de cirrose ou talvez de frio e perguntei se eles achavam que atropelar duas crianças num cruzamento era cultura de rua e então me falaram que o grafitti nas estações de metrô de Manhattan representava a cultura underground. Falavam no novo coletivo da Vila Madalena e das intervenções nos espaços e eu saí daquele espaço e peguei um coletivo pra voltar pra minha casa.
Tosse-tosse, subi a ladeira e fui até o posto de gasolina e no caminho pisei em uma barata gigantesca e a barata me olhou com ódio, agitando as patinhas no meio de uma gosma amarela, fiquei com nojo e vomitei meu ravióli lá mesmo. Tossindo, saí da sala e o sargento me falou que eu fazia tudo errado e eu disse para ele que ele era um bosta e acendi um cigarro, embora fosse proibido, tosse-tosse, e fiquei ali esperando o frentista trazer depressa o meu carro. Ventava muito e eu estava com frio.

2 comentários:

bruno disse...

sem palavras o texto. ou, então, caótico!

Alan disse...

sem palavras o texto. ou, então, caótico! (2)