10 de jan de 2008

Cansei

Texto extraído do Buldozer. Meus créditos ao autor e administradores.

Alguns meses atrás comecei a me tocar de que estava cansado dessa vida de “alternativo”. Muita encheção de saco, pouca compensação. A boa música vale a pena, é claro, bem como evitar papos idiotas sobre carros esportivos e times de futebol. Por outro lado, as patys que sempre desprezei começaram a me chamar a atenção, no momento em que realizei que as meninas ditas “alternativas” eram tão imbecis quanto, colocando apenas uma frágil máscara de “papo cabeça”. Aí pensei: foda-se; cansei de levar facada nas costas, ou, como diria Gabriel o Pensador: deixa de ser prego, é melhor ser o martelo, rapaz. Comecei cortando o cabelo (ia no meio das costas), influenciado à mudança também por um dos foras que tomei de uma menina que fui otário o suficiente para mandar flores (coisa típica de nerd, e que nunca dá resultado. Vai por mim, melhor mesmo é chamar para o motel, mostra muito mais atitude, mesmo que você leve um fora – melhor ter fama de filho da puta do que de otário). Mas esse não foi o motivo que me levou à opção de ser playboy.

Melhor contar a história direito. Seguinte: como quando era moleque sempre preferi heavy metal a balanço, acabei me alinhando com os esquemas doidos de Brasília. Por outro lado, como sempre fui careta, essa aliança nunca foi uma sintonia fina, mas uma simples afinidade. Naturalmente, isso não me impediu de virar um dito “metaleiro” – embora sempre tomasse banho, diariamente. Mais uma divergência, enfim.Crescendo mais um pouco, virei um legítimo gordocult – de concertos na EMB (Escola de Música de Brasília) aos shows de metal (passando pelas festas na casa do Rollemberg) sempre estive dentro de tudo que não fosse esquemão, e vivi anos assim. Acreditava piamente que estava vivendo bem, e minhas amizades tentavam a todo custo corroborar essa visão.

Ah, as amizades! Minhas incansáveis amigas! Parei de tentar comer elas, quando percebi que, apesar de reclamarem estar sempre sozinhas, não davam mole para absolutamente ninguém. Quando elas começaram a falar em arranjar um PA (segundo elas, “pinto amigo”, alguém para trepar sem compromisso) pensei: não vai ser o meu. Não que elas fossem topar, claro. O meu ponto não é esse, mas sim que percebi que, no espaço amostral da meninas alternativas com quem convivia, estava cercado de doidas. Pressupus que elas eram uma amostra significativa de um universo maior de mulheres problemáticas que, tão bananas quanto as patys, foram porém convencidas por suas famílias, desde pequenas, que eram inteligentes – detalhe: nenhuma delas é feia, muito pelo contrário. Estavam sozinhas porque queriam, apesar de reclamarem de solidão o tempo todo. Ininteligível. Coisa de mulheres alternativas.

A solidão é pretensão de quem fica escondido fazendo fita. Obrigado, Cazuza. Não é que essa bicha estava certa mesmo? Isso dá assunto para uma outra resenha, de qualquer forma, e o que interessa aqui são os motivos que me levaram à decisão de virar playboy. Ao contrário do que possa parecer, essa não foi uma resolução imediata, assim de uma hora para outra não...exigiu maturação, foi um processo relativamente lento. Comecei a notar, com o envelhecimento, algumas coisas simples:

- Mulheres doidinhas, como o próprio nome diz, são doidinhas;
- As patys lavam muito melhor as partes íntimas que as doidinhas, o que faz o esporte oral muito mais agradável;
- Embora as patys sejam em sua maioria frescas e otárias, você sabe bem o que esperar delas; as doidinhas, por sua vez, são de uma inconstância impressionante, começam a chupar seu pau e largam o serviço pela metade, é uma merda;
- Os ditos alternativos tem uma moda, que nem os plays; só que muito mais excêntrica – esses dias vi dois caras de saia na frente do Gate’s, aí pensei: nem fodendo que vou me vestir assim;
-Trabalho demais para nas minhas raras horas de folga beber Sangue de Boi, a vida pode ser muito melhor que isso.

A vida pode ser melhor que isso. É a frase que resume um sentimento que foi tomando a minha consciência, e quando vi, estava começando a playboyzar. A coisa foi acontecendo, sem eu me dar conta...tudo começou com um colega meu da faculdade, que sempre conseguia ( e consegue ) cortesias para as boates da cidade. Aí vale explicar um paradigma meu: EU NÃO PAGO MAIS DE DEZ REAIS PARA ENTRAR EM LUGAR NENHUM, NEM MAIS DE VINTE NA CONSUMAÇÃO, E FODA-SE. Só se for um esquema tipo internacional, uma banda muito bacana que chegue no Brasil, ou coisa assim. Por isso não estou direto nessas boates. Mas quanto às cortesias: esse meu amigo é um play até a raiz da alma, e super gente fina. Comecei a ir com ele às boates e perceber: opa! a cerveja aqui é cara mas sempre está gelada, e, ei – essa mulherada está para jogo!, coisas do tipo. Não que todas as boates sejam legais, a maioria é uma merda. Uma descrição de cada uma das que visitei pode ser vista no site, comecei com o texto Don Taco, e muitos outros virão. Mas mesmo a pior boate play é mais corfortável que os esquemas indie. Após essa apresentação ao mundo play, os fatos foram se sucedendo:

- Quando tive que trocar as rodas do carro, troquei por rodas de liga leve;
- Passei a comprar milhões de blusas polo, e algumas comisas de botão
- Coloquei vidros elétricos e som com CD no carro
- Torrei o saco de ouvir minhas amigas alternativas ficarem se lamuriando da vida. Ainda as amo, mas não as vejo com a mesma freqüência;
- Um dia desses, um amigo, também ex-metaleiro convertido ao mundo playba, aguardou comigo o mecânico que vinha tirar o meu carro do prego. Os assuntos da conversa: mulheres gostosas da faculdade, carro e som de carro;
- Viajei para Goiânia, e fui feliz lá;
- Fui feliz nas vezes em que fui ao Frei Caneca Draft. E o lugar é bem legal, aguardem resenha.
- Não tive problemas com os seguranças das boates play. Talvez por nunca mexer com a mulher dos outros e só gastar o que tenho no bolso.
- Conheci patricinhas gente fina, e mulheres indie super otárias. Percebi então que dei uma de babaca boa parte da minha vida. Apanhando que se aprende;
- Meus amigos fiéis aos esquemas indie começaram a viver o mesmo processo que eu, pensar as mesmas coisas. Então vi que não estava sozinho, e minha reflexões, se procediam ou não, ao menos tinham espelho e respaldo em outras opiniões parecidas;
- Percebi que as meninas indies ou vão acabar na siririca mesmo, ou vão virar lésbicas. Claro, é possível que elas estejam dando para os playboys e a gente nem saiba. À procura de carro, à procura de dinheiro, o lugar dessas cadelas era mesmo num puteiro. Bravo, Gabriel! É verdade...mesmo que seja uma verdade velada...!

Mas não pense que foi fácil assim. Na minha mente, eu não estava de forma alguma virando um playboy. Até então, havia resolvido tornar-me apenas um cara mais eclético. Tinha me tornado aquele tipo de sujeito que os playboys gostam de andar junto para não se sentirem tão playboys assim – o amigo doidão, que topa qualquer tipo de agito, dos mais underground aos mais xarope. Não que eu tenha em qualquer momento na minha vida sido um doidão de verdade – mas perto desses caras e os auto-falantes de seus carros rebaixados, me sentia o rei da contracultura. Já era o início do fim; contudo, os fatos que me fizeram tomar a decisão de ser um traidor do movimento (gíria de maluco, seja lá que porra de movimento for esse) se relacionam bem mais ao próprio submundo alternativo que às benesses da vida de playba. E foram coisas recentes.

Quando fiquei sabendo, pulei de alegria, e comprei, por trinta reais, o ingresso para o show da banda de metal alemã Blind Guardian, que em tese viria a Brasília. Gastei a grana, o show foi remarcado, cancelado e por fim o dinheiro não foi devolvido – e eu ainda ouvi desaforo do organizador do evento quando falei com ele por telefone (numa boa) pedindo meu dinheiro de volta. Amadorismo puro, até mais do que picaretagem, mas fiquei no prejuízo do mesmo jeito, fora a frustração da não ver a apresentação. Não que seja a primeira vez que um show é cancelado na cidade – mas é a primeira, que eu saiba, que o público sai no prejuízo. Isso quer dizer, meus amigos, que a tendência das coisas não é melhorar com o tempo, e sim o contrário. Como costuma dizer Momo Sumô - o poço não tem fundo.

Para confirmar a tendência, as casas noturnas indie da cidade cada vez se superam mais. Um dia alguém muito paciente – duvido que seja eu – vai fazer um histórico delas . Aqui, vou citar apenas o necessário. Como todos sabem, uma casa noturna alternativa em Brasília, com muito otimismo, dura entre seis meses e um ano. Mesmo assim, quando eu era mais moleque, sempre que alguém abria uma, tentava fazer um lugar bonitinho e com o mínimo de conforto, mesmo que fosse simples. Em geral, a turma do metal não tinha preconceitos em ir nesses lugares, e acabava virando uma zorra só, muitas vezes até legal, mesmo com pouca gente. Para citar exemplos, tivemos, entre outras, a Dreams (techno, quando isso era novidade), o Balacobaco (rock em geral, fechada pelas constantes batidas policiais), a Vlod (techno ainda era novidade), a Miqra (mesmo esquema) e, mais recente mente, o Jungle Brothers (bar-boate pop/rock, pequenino porém confortável).Todos esses lugares eram simples, mas nenhum era trash. Além disso, uma nota comportamental: a mulherada nesses lugares era bacana, conversava contigo numa boa, estava prá jogo e não tinha muita frescura não, era mais um lance de chegar junto tranquilo e partir para o abraço.

De uns tempos prá cá, nego começou a ficar louco e tentar arrancar a grana da galera sem investir nada. Tivemos o Porão do Rei (o lugar mais trash que já vi em minha vida inteira), e o Zip Bar (ou Zippy? Não lembro, e pensando bem, foda-se), que não cheguei a ver mas ouvi os comentários. Em ambos os lugares, a mesma coisa: lixão total – subsolos feios, fedorentos, abafados, imundos e com cerveja quente. Momo Sumô, à época, sentenciou implacavelmente: que mulher vai querer vir nessa porra? Só mesmo os góticos idiotas com a cara branca! Mas eu resisti bravamente: eu gosto desse tipo de som, que saco! Fui à mais nova boate trash de Brasília ouvir pop/rock velho: a Armagedon. Essa, como é nova, merece resenha à parte, mas só adianto que não volto mais lá, a não ser que eles consertem a parede, ponham a cerveja para gelar antes da festa e abaixem o preço das bebidas. Com tudo isso, porém, ainda resistia: vou continuar eclético!

O golpe de misericórdia veio de onde eu não esperava. Recentemente, comecei a frequentar as festas da First Cyber Café– loja de jogos em rede que inventou de abrigar festas indie com som de anos 80. Música boa, e eu pensei – esse lugar não vai falir nem fechar fácil, porque quem sustenta são os nerds que jogam Counter Strike. Festa na sobreloja é renda extra. Lugar simples e bonitinho, com sorteio de CDs, bebida gelada e atendimento razoável. Quando a pista cansava, valia ir ver os nerds jogando nos micros, alguma coisa pelo menos os caras fazem bem. Por outro lado, foi lá que descobri: o problema das minhas amigas não é só delas, mas das mulheres alternativas em geral – tão achando que regular mixaria valoriza as bundas xoxas delas. Fodam-se, se depender de mim vão voltar para casa sozinhas, por que eu não tou disposto a ficar puxando o saco de ninguém. Então eu ia lá para curtir o som, zoar mesmo, ia de galera e ficava xaropando o DJ Raí– é isso aí, bigode!!! Mandou bem!!! Passava calor e aguentava um estroboscópio amador que me irritava os olhos todas as vezes, mas mesmo assim estava lá. Da última vez, porém, traumatizou. Os caras feharam todas as janelas do lugar para evitar problemas com a síndica do prédio ao lado. Acharam melhor botar todo mundo para assar. Saí em dez minutos, biologicamente impossível para mim, sauna só com roupa de banho. Tava uns cinquenta graus no mínimo (quarenta é Belém do Pará, que eu conheço e aguento) Não pretendo voltar lá antes de instalarem um ar-condicionado bem pancada na pista – se é que eu volto. Comecei a escrever essa resenha no minuto em que cheguei em casa. E pensei:

FODA-SE ESSA MERDA. VOU VIRAR PLAYBOY DE VEZ!

Por que quem assina ponto valoriza cada minuto do seu tempo (parece o papo do PCO, mas o espírito é outro). Não vou perder mais uma única noite com esses esquemas furados. Acabou. Já perdi três quilos (só faltam agora 27). Comprei roupas (mais baratas, rico ainda não fiquei) no “Atol das Rocas”, inclusive mocassim. Já estou xaropando a mulherada, embora não consiga (ainda) ser tão cara-dura como uns playbas que conheço e já vi atuarem – mas chego lá. Já encomendei um carro novo, inclusive, em 24 “suaves” prestações...(metade do meu salário cada), com um kit de acabamento cheio de frescuras, conta-giros e o escambau.Comprei caixinhas de som “triaxiais” (seja lá o que for isso) para colocar no carro novo, e com o tempo a coisa vai melhorar ainda mais. Dizem que o pior playboy de todos é o ex-metaleiro. Só posso dizer uma coisa: É VERDADE!

Léo

5 comentários:

Alan disse...

Texto genial. Concordo com cada palavra.

Max disse...

Duca o texto!!!

E o blog dos caras é um tesouro...

Tá... tem algumas coisas nojentas por lá, mas os contos são otimos...

Max disse...

Duca o texto!!!

E o blog dos caras é um tesouro...

Tá... tem algumas coisas nojentas por lá, mas os contos são otimos...

j. caldeira disse...

realmente, metaleiro que vira playboy é a pior coisa do universo...

Fábio disse...

Faço as palavras do Max as minhas:

Du Karaio esse textos...

Verdades mil...

Principalmente sobre as meninas que se dizem alternativas e indies.

"(...)“alternativas” eram tão imbecis quanto, colocando apenas uma frágil máscara de “papo cabeça"(...)"