31 de dez de 2007

Em atitude suspeita

No último horário, o plantão não tem fim. Entra as cinco da tarde e a meia-noite, a impressão que dá é que tem umas mil horas. Citando Ítalo, você espera miliduca e a meia-noite não chega. Some-se a isso o "Sem Jeito" coçando o saco na FM sem fazer nada que preste (e você carregando ele nas costas) e o Giro de Estradas - Projeto Verão Bandeirantes, e você terá aquilo que os antigos chamavam de saco cheio. Pelo menos eu recebo hora-extra.

Bom, mas vamos ao que interessa. Saí da Band por volta da meia-noite, temperatura agradável e sem previsão de chuva. Um Corsa Sedan Classic preto, muito limpo, com rodas originais e todo o jeito de ser novo estava parado no meio da rua, com um sujeito novo e bem-vestido no volante. O cara pôs a cabeça pra fora e me perguntou se eu era ator da Band. Falei que não e fui em passo acelerado para a rua de cima, onde sempre deixo meu Escort. A rua estava deserta, meio escura como sempre e só meu carro estava lá. Entrei e liguei o motor e já ia acelerar quando um carro com dois faróis de Corsa entrou na rua. Achei prudente esperar o cara passar e de repente ele emparelhou comigo.

Ele estava com o vidro do carona aberto, eu baixei o meu. O mesmo Sedan Classic, o motorista de regata preta e o passageiro de camiseta branca e cabelo espetado com gel. O motorista olha pra mim e pergunta onde é a Band, e de repente começa a rir e fala, ô véio, e aí? Achei aquilo meio estranho, "os dois indivíduos estavam em atitude suspeita" e possivelmente "iam efetuar a abordagem" ou talvez tivessem "uma fita pronta pra fazer". Falei que a Band era lá do lado, onde eles estavam e o carona e o da regata riram, e o da regata falou que eles tavam perdidos e perguntou como fazia pra ir na Band e ver o programa do Otávio Mesquita. Falei que não tinha a menor idéia e que não tinha mais nada rolando lá, só tava o pessoal do plantão. O carona, da camiseta branca, começou a dar uma risada meio imbecil e eu fui ficando meio nervoso. Fodeu, pensei, vão me seqüestrar, roubar todo o meu dinheiro (logo agora que eu tava conseguindo economizar um pouquinho todo mês), me levar prum matagal e me currar. Só me fodo nessa merda. O motorista me perguntou como fazia pra entrar lá e se eu podia dizer o nome de alguém pra eles conseguirem conhecer a Band. Aquela situação não estava nem um pouco agradável. Depois de quase oito horas na redação, de agüentar o incapaz da Band News e fazer ligação pro DER, aqueles dois ficavam me alugando. Falei pra eles irem na portaria e pedir pra entrar e o imbecil disse que eles estavam perdidos. Perguntei de onde eles eram, o cara me responde que é de Campinas. Puta merda, além de tudo o cara é veado, pensei mas não falei.

Doido pra acabar com aquilo (e completamente cagado de medo) falei que a Band era do lado, era só virar à direita e à direita. O motorista dá risada, o carona pergunta se eu não posso ir na frente e mostrar pra eles o caminho. Falei que tudo bem. Saí bem devagar e fui mais devagar ainda. Depois de dobrar a primeira à direita, acelerei bastante, freei com força e encostei na esquina. O Corsa estava rápido, não ia conseguir frear à tempo, só me ultrapassou e virou à direita. Apaguei os faróis, entrei a esquerda e fui acelerando por dentro do Morumbi, já no Jardim Guedala, o mais rápido que eu podia. Peguei uma rua que eu subo para chegar até a Band, uma rua de mão única, desci ela na contramão e cheguei na Francisco Morato. Lembrei de acender o farol, não desgrudei mais o olho do retrovisor até chegar em casa. Liguei pra portaria lá da Band e "dei a fita" pro pessoal da segurança, vai saber. A última coisa que eu quero pra 2008 é participar do "Brasil Urgente".

2 comentários:

Max disse...

Mas é um dorme-sujo mesmo...

Custava mostrar a Band para a dupla?

j. caldeira disse...

é, mário! custava levar uma curradinha?